‘Bibliothèque de plage’

As localidades à beira-mar estão sempre decoradas com coloridos quiosques normalmente com pequenas delícias de Verão ou acessórios de praia, de forma a garantir que a estadia junto à costa é confortável e relaxante. Mas uma ida a um destes sítios não está completa sem um bom livro, pelo que Matali Crasset criou uma livraria móvel que pode facilmente ser integrada junto das outras lojas, disponibilizando aos veraneantes a oportunidade de escolher um dos mais de 300 títulos. ‘Biblioteca de praia’ é uma modesta estrutura, no centro da qual está localizada a livraria coberta por um pára-sol que protege os visitantes e os livros do sol. Três alcovas acompanham este espaço, convidando as pessoas a lerem algo enquanto descontraem à sombra. A colecção de livros disponíveis inclui romances escolhidos pela criadora deste conceito.

Informação e fotos retiradas daqui.

Seaside towns are always dotted with brightly colored kiosks occupied by frozen treat and snack vendors, parasol and lounge chair rental outlets, or those selling beach essentials, ensuring your stay on the coast is comfortable and relaxing. But, a trip to the shore side is not complete without a good book, so Matali Crasset has made a mobile library, which can easily be integrated amongst the other shops, offering beach goers a selection of more than 300 titles to choose from–a simple way to generate the pleasure of reading. ‘Bibliothèque de plage’ is a humble structure where the library is housed at its centre, covered by a large canopy to protect the visitors and the volumes from the sun. Three alcoves are found along the outer perimeter of the space, inviting people to grab something to read, and rest in the shade of their shelter. The collection of books available, include novels which are close to the designer herself.

Photo and info taken from here.

Sugestão de fim-de-semana * Weekend suggestion

Começar a preparar o blog para as férias.
Start preparing the blog for the holidays.

Beber um copo ao final da tarde.
Drink with your friends at dawn.

E ler um livro.
And read a book.

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A rapariga da Auschwitz (a.k.a. Eva’s story, 2014), Eva Schloss

É um relato de uma sobrevivente ao Holocausto e da sua luta para viver consigo mesma depois da guerra, uma homenagem a todas as vítimas que não viveram para poder contar a sua própria história e um esforço para assegurar que o legado de Anne Frank jamais seja esquecido. Eva foi feita prisioneira pelos nazis no dia do seu décimo quinto aniversário, tendo sido enviada para Auschwitz. A sua sobrevivência dependeu de inúmeros pequenos golpes de sorte, da sua determinação e do amor e da protecção da mãe, Fritzi, que foi deportada juntamente com ela. Quando o campo de concentração de Auschwitz foi libertado, Eva e Fritzi iniciaram a longa viagem de regresso a casa. Procuraram desesperadamente o pai e o irmão de Eva, dos quais tinham sido separadas. Meses mais tarde receberam a trágica notícia de que os dois haviam sido mortos. Antes da guerra, em Amesterdão, Eva tornara-se amiga de uma jovem chamada Anne Frank. Embora os seus destinos tivessem sido muito diferentes, a vida de Eva iria ficar para sempre estreitamente ligada à da amiga, depois de a sua mãe, Fritzi, casar com o pai de Anne, Otto Frank, em 1953.

In March 1938 the Germans invaded Austria and young Eva Geiringer and her family became refugees. Like many jews they fled to Amsterdam where they hid from the Nazis until they were betrayed and arrested in 1944. Eva was 15 years old when she was sent to Auschwitz – the same age as her friend Anne Frank. Together with her mother she endured the daily degradation that robbed so many of their lives – including her father and brother. After the war her mother married Otto Frank, the only surviving member of the Frank family. Only now, 40 years later has Eva felt able to tell her story.

Graffitis literários * Literary grafitti

Tolkien, Voltaire, J. D. Salinger, George Orwell. As suas palavras ecoam pelo mundo fora. Desta vez, sob forma de graffitis. Adoro!!

Podem encontrar a selecção completa aqui.

Tolkien, Voltaire, J. D. Salinger, George Orwel. Their words echo around the world. This time, in a very colored way! I love these graffiti!

You may find the complete selection right here.

Óbidos, vila literária

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Em Óbidos está a nascer a primeira “cidade do livro” em Portugal. Chamam-lhe ‘Vila Literária’ e está a encher espaços tão invulgares como igrejas com livros novos e usados. Tudo isto numa só localidade, que, para reforçar a aposta turística, serve também de palco a festivais literários.

Criado em Novembro de 2011, pelo nome ‘Óbidos Vila Literária’, o projecto tem por base duas componentes distintas. Uma delas é a oferta de livrarias com sede em locais tão excêntricos como, por exemplo, a antiga igreja de Santiago, onde é possível encontrar tanto livros novos – com grandes tiragens -, como obras antigas e raras. A outra é a realização de festivais literários nacionais e internacionais. A ideia vai ao encontro de uma “aspiração antiga de editores e livreiros” portugueses e reúne, numa só vila, a maioria dos livros e títulos disponíveis em português.

Óbidos: Mais que uma vila, um projecto

“Um projecto desta natureza e com a dimensão que a Vila Literária tem só poderia ser desenvolvido numa vila com a infra-estrutura existente em Óbidos, onde há uma grande variedade de edifícios em fase de recuperação, restauro e transformação de uso”, conta José Pinho, responsável pela iniciativa, ao Boas Notícias.

“Foi precisamente esta profusão de espaços disponíveis que, numa primeira fase, permitiu desde logo que fossem abertas sete das onze livrarias previstas na proposta inicial”, acrescenta. Elas foram ‘O Bichinho de Conto’, ‘A Grande Livraria de Santiago’, a Loja do Museu Abílio, a Loja do Museu Municipal, a Galeria Nova Ogiva, o Mercado Biológico e o Centro de Design de Interiores, ainda hoje abertas ao público.

As livrarias foram organizadas “de modo a serem complementares entre si”. Há as “generalistas de livros novos, as generalistas de livros usados e raros e ainda as temáticas (de acordo com o local onde estão instaladas)”. Nas galerias de arte, por exemplo, é possível encontrar livros de arquitectura, artes performativas, entre outras. Por seu lado, nos museus, a oferta recai, essencialmente, sobre livros de história e património. No caso d’ ‘O Bichinho de Conto’, na escola primária, encontram-se livros infantis e juvenis, enquanto que, no Mercado, as atenções vão para o sector alfarrabista e áreas técnicas como ambiente e agronomia.

“Na Vila Literária de Óbidos existe, actualmente, aquela que é a maior oferta de livros em Portugal”, revela José Pinho. “A quantidade de livros disponíveis, aqui, em português, é já superior à totalidade dos títulos disponíveis nas redes de livrarias portuguesas”. Por isso mesmo, na Vila Literária de Óbidos, é possível encontrar edições novas de autores lusófonos, traduzidas em língua estrangeira, bem como uma vasta oferta de livros em francês, inglês, espanhol, italiano, alemão, entre outros.

Nas novas livrarias a instalar irá vingar o mercado alfarrabista. Quanto às restantes, já existentes, “aquelas que tiverem dimensões e condições suficientes serão dotadas de cafetaria e bar, por forma a receber eventos de música”. Por trás da acção estão livreiros de diversos espaços nacionais, editores e distribuidores, bem como a própria autarquia. O objectivo é chegar “a todos: à população local e regional, aos visitantes de outras regiões, aos estrangeiros, aos bibliófilos, aos curiosos e aos amantes de livros”.

O público em geral, esse, já está “rendido quer à beleza, quer à variedade e qualidade da oferta”. Só nos primeiros três meses e meio de funcionamento em pleno, as vendas na Vila Literária atingiram os 78.000 euros, tendo sido registadas cerca de 5.900 vendas efectivas a uma média de 13,20 euros. Feitas as contas, os dados são de que cerca de 60 dos mais de 200 visitantes diários à Vila Literária optaram por deixar o seu contributo. E isto sabendo que o que tem acontecido por cá são, para já, lançamentos, apresentações de livros, alguns concertos e diferentes performances.

A lembrar que, num futuro próximo, Óbidos irá receber diversos festivais literários – quer internacionais, quer nacionais e temáticos -, as perspectivas são de um projecto cada vez mais próximo de Portugal e do Mundo.

Saiba mais sobre a Vila Literária, em Óbidos, aqui.

Informação publicada nos Boas Notícias a 22.06.2014

Dormir nos livros * Sleeping among the books

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Sabem aquelas noites em que adormecemos a ler? E se dormissem dentro de um livro? Yusuke Suzuki criou uma cama com a forma de livro – que pode ser dobrada durante o dia para poupar espaço. À noite, desdobra-se num livro gigante. Não é giríssimo?

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Remember those days when you’d fell asleep reading? Just picture yourself sleeping INSIDE a book! Photographer Yusuke Suzuki created a book bed that folds up during the day, so that there is ample space. At night, it unfolds into an over-sized book. What a brilliant concept that’s sure to boost creativity!

Info source.

Bibliotecária de Auschwitz (2013), Antonio G. Iturbe

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Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. E uma jovem que teima em devolver a esperança. Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias».

Apreciação

Não são poucos os livros que falam da segunda guerra, nem poucos os que retratam alguns dos maiores horrores vividos no século XX na Europa. ‘A bibliotecária de Auschwitz’ enquadra-se na categoria de livros que partilha testemunhos romanceados de pessoas que (sobre)viveram no Holocausto, podendo este título ser arquivado junto de outros tantos como ‘A lista de Schindler’, ‘O pianista‘ ou ‘Maus‘. Este é um tema que continua a precisar de muita tinta e que não se gastará num futuro próximo, pelo que Iturbe aproveitou a boleia para tornar este livro não numa obra-prima, mas num compendium de referência com relatos de pessoas que viveram entre paredes nos campos de concentração na Polónia. Pelo empenho, pelo realismo, pela descrição absolutamente nua e crua, Antonio G. Iturbe merece um lugar de excelência quando falamos da divulgação de experiências deste período negro da Europa.

Acompanhando Dita, uma rapariga de 14 anos que se torna a bibliotecária do campo familiar de Auschwitz, conhecemos ao pormenor o dia-a-dia de famílias que foram alojadas neste espaço confinado e ficamos a conhecer os verdadeiros objectivos da Alemanha nazi com a criação deste recinto: iludir os aliados, através de hipotéticas visitas da Cruz Vermelha, ao lhes mostrar como são bem tratados os judeus nos campos de concentração, desincentivando-os a mergulhar mais intensamente nesta fábrica da morte. Com uma escrita sagaz, cortante, Iturbe descreve sem dó nem piedade todos os mecanismos utilizados pelos nazis para manter oleada esta máquina que destrói vidas, ilustrando com frieza todos os recursos humanos e processuais que Auschitz-Birkenau envolve.

Sem revelar pormenorizadamente as motivações e segredos individuais dos agentes das SS, Iturbe espelha-os como homens sem humanidade, animais autênticos que têm como único objectivo libertar-se dos empecilhos. Mengele, o médico permanente nestes campos que ficou conhecido pelas suas experiências inomináveis, é um dos agentes com que deparamos com maior frequência e que acabamos por abominar tão facilmente como nos aterrorizamos no virar de cada página. Por seu lado, os judeus estão à mingua, à beira da morte, com uma fragilidade física e mental tão absurda que ficamos com a sensação que se podem desintegrar com a menor das brisas. Ao longo da história, que dura bastantes meses, percebemos que aos prisioneiros que estão confinados, que são maltratados, chantangeados e ameaçados, apenas não lhes falta algo que determina o seu destino: esperança.

Não são muitos os livros que me impressionam ou que se agarram a mim de forma tão intensa, mas certamente este é um deles. Porque há uma enorme comunidade a nível mundial que tem feito um esforço para que este terror não caia no esquecimento, o meu papel neste momento é partilhar a grandiosidade deste livro. Re-co-men-do.