Currently reading list

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Mais uma vez, o Goodreads é um bom companheiro para a organização dos meus livros. Quando dei por mim, tinha 5 livros na lista currently reading. Isto acontece por um simples motivo: se há um livro que me está a aborrecer ou se não estou com disposição para continuar determinada leitura, tenho a tendência para procurar um livro mais entusiasmante para me acompanhar nos dias seguintes. O livro aberto fica escondido algures numa prateleira, no molho de livros que estou a ler actualmente. Com o passar do tempo, com o entusiasmo de abrir novas capas e folhear novas páginas, acabo por me esquecer dos desgraçados que esperam por ser terminados. Quem acompanha este blog há um tempo, sabe que eu tenho alguma resistência em terminar livros que não me cativam e com os quais não crio qualquer laço, ou que simplesmente não correspondem à minha disposição literária. De qualquer forma, desta vez estou decidida a chegar ao final destas obras antes de começar novos livros (o que não invalida que eu não compre um miminho ou dois entretanto eheheh), pelo que já comecei a minha demanda e terminei dois deles nos últimos dias. Os pobrezinhos que estavam (e continuam) por ler são:

  • LIDO: O homem do fato castanho, de Agatha Christie – Estou a ler a colecção da autora por ordem de lançamento, mas encalhei neste livro. Para além de não ser protagonizado por Poirot, o livro demonstrou-se mais do que aborrecido. Finalmente, terminei-o.
  • LIDO: O último adeus, de Honoré de Balzac – Com todo o respeito pelo autor, uma autêntica referência, temo que este pequeno livro não me tenha cativado antes do seu final. Como tal, a leitura até às últimas páginas arrastou-se bastante.
  • ONGOING: Universo numa casca de noz, de Stephen Hawking – Este não é um livro ligeiro, mas de consulta. Por ser tão técnico e com informação tão densa, é obrigatório ir lendo sem pressa.
  • LEITURA RETOMADA: O processo, de Franz Kafka – Um livro impressionante que, passo a redundância, não se afasta do conceito ‘kafkiano’ no que respeita a longas descrições e a uma história longa e vaga. Estou a adorar, mas precisei de respirar fundo para mergulhar novamente nesta história tão densa. Já o reabri.
  • POR TERMINAR: Inferno, de Dante – Não coloco em causa a qualidade do livro, que tem umas descrições absolutamente estonteantes e passagens de cortar a respiração. Contudo, quem o leu sabe que é preciso estar com a disposição certa para o ler e, verdade seja dita, a minha disposição no início estava mais virada para outro tipo de literatura.

Já não falta tudo! E vocês, caros leitores, não abandonam um livro para se dedicar a outros mais cativantes de vez em quando?

O homem duplicado (2002), de José Saramago

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Tertuliano Máximo Afonso, professor de História no ensino secundário, «vive só e aborrece-se», «esteve casado e não se lembra do que o levou ao matrimónio, divorciou-se e agora não quer nem lembrar-se dos motivos por que se separou», à cadeira de História «vê-a ele desde há muito tempo como uma fadiga sem sentido e um começo sem fim». Uma noite, em casa, ao rever um filme na televisão, «levantou-se da cadeira, ajoelhou-se diante do televisor, a cara tão perto do ecrã quanto lhe permitia a visão, Sou eu, disse, e outra vez sentiu que se lhe eriçavam os pelos do corpo»… Depois desta inesperada descoberta, de um homem exactamente igual a si, Tertuliano Máximo Afonso, o que vive só e se aborrece, parte à descoberta desse outro homem. A empolgante história dessa busca, as surpreendentes circunstâncias do encontro, o seu dramático desfecho, constituem o corpo deste novo romance de José Saramago.
O Homem Duplicado é sem dúvida um dos romances mais originais e mais fortes do autor de Memorial do Convento.

Opinião

Não li sequer metade da obra de José Saramago mas, considerando os livros que li, acredito que tudo se pode esperar do autor. Entre O ensaio sobre a cegueira, Caim, O ensaio sobre a lucidez, As intermitências da morte, Clarabóia, A viagem do elefante e Memorial do Convento, noto que cada história demonstra a enorme elasticidade de Saramago em termos de estilo, criatividade e tridimensionalidade. Estas características estão fortemente presentes no mais recente livro que li: de entre as dezenas de livros do autor, optei pel’O homem duplicado sem qualquer tipo de expectativa, visto que não conhecia a história nem o entusiasmo que provocou um pouco por todo o mundo.

Dotada de uma enorme simplicidade ao enquadrar o nosso protagonista, esta história começa com o aluguer de uma cassete de vídeo algures nos anos ’90 numa cidade sem nome (deslocalização esta a que os leitores mais atentos já se habituaram). Quem diria que um acto tão simples e mundano poderia transformar radicalmente a vida de Tertuliano Máximo Afonso? É esta uma das características de que mais gosto no Nobel português da literatura: a aptidão para tornar algo simples em algo grande e uma situação aparentemente desprovida de importância num enorme catalisador para uma história emocionante e guiada com um certo carácter caótico.

Aliás, é esta liberdade em rumar pelo caos que Saramago se rege neste título – o ‘efeito borboleta’ é um dos fios condutores da narrativa n’O homem duplicado, estando claramente definida esta problemática de causa vs. efeito ao espelhar a incapacidade de controlar acontecimentos depois de outros terem lugar. E, na minha opinião, não é aqui que se limita o acompanhamento do caos enquanto pilar deste romance. O caos no desenrolar da história é acompanhado pelo caos em termos estruturais: Aquela que começa por ser uma história curiosa e com laivos cómicos acaba por sofrer mutações e por ganhar características dignas de um romance de suspense e, mais tarde, de uma história dramática. Penso que, em conjunto, todos estes elementos se unem num casamento único que reforça o impacto do livro e que sustém esta história de marcas fantásticas. Seria de esperar, pois, que uma das personagens confirmasse mais uma vez o rumo que o livro segue, afirmando que “O caos é uma ordem por decifrar”.

Tendo como base temas delicados como a solidão, a incerteza e a dúvida que assola as pessoas, cada uma à sua maneira, José Saramago atribui-lhes emoções reais e expõe as suas dúvidas existenciais e comportamentais que não são desconhecidas ao leitor, o que atribui realismo, sensibilidade e humanidade (o que não descarta, obviamente, bondade e maldade, força e fraqueza, medo e coragem) de forma particular a cada uma das personagens.

É de frisar que o sucesso d’O homem duplicado levou à adaptação cinematográfica que, à semelhança de outros livros de Saramago, ajudará mais uma vez a reforçar a promoção da literatura portuguesa a nível internacional. Dennis Villeneuve será o realizador deste filme e Jake Gyllenhall o protagonista; a estreia será algures em 2013.

Non-sense

Digamos que estes livros non-sense são aqueles que narram histórias irreais, que mergulham em realidades paralelas, que contêm cenários sem nexo e que seguem a vida de pessoas absurdas. Ou simplesmente porque são livros de tal maneira out-of-the-box que merecem um enorme destaque como obras muito originais!

Lets say nonsense books are the ones which tell surreal stories,that  send us to parallel realities,  that present us to gibberish sets and that narrate the life of absurd characters. Or maybe just because these books are so out of the box that they deserve a great highlight as truly amazing and original stories.

Le magasin des suicides (a.k.a. The suicide shop / A loja dos suicídios, 2007), Jean Teulé

loja_suicidiosUma comédia negra futurista, uma ambiência digna de um filme de Tim Burton. É uma lojinha onde nunca entra um raio de Sol. Imagine um negócio de família que envolve a venda de todos os ingredientes possíveis para a prática do suicídio, nas suas mais diversas formas. Corda, pistolas, facas, venenos e toda uma panóplia de produtos mortíferos. São cinco as personagens que compõem esta família atípica que gere a loja há várias gerações: os pais, profissionais, comerciantes; o filho primogénito, deprimido crónico mas extremamente criativo no seu domínio; a irmã, exemplo típico da adolescente inadaptada; e finalmente o irmão mais novo, verdadeiro grão de areia na engrenagem deste comércio lúgubre: é que ele se atreve a sorrir e a ser… optimista. Com uma ambiência digna de um filme de Tim Burton, A Loja dos Suicídios é uma comédia negra futurista que invoca o grande adversário da família Tuvache e do seu sinistro empreendimento: a alegria.

With the twenty-first century just a distant memory and the world in environmental chaos, many people have lost the will to live. Business is brisk at The Suicide Shop. Run by the Tuvache family, the shop offers a variety of ways to end it all, with something to fit every budget. The Tuvaches go mournfully about their business until the youngest member of the family threatens to destroy their contented misery by confronting them with something they’ve never encountered before: a love of life.

Alice in wonderland (a.k.a. Alice no país das maravilhas, 1864), Lewis Carroll

alice_pais_maravilhasAlice no País das maravilhas é provavelmente o livro de fantasias mais famoso de todos os tempos. Nas aventuras da pequena Alice, tudo é possível, tudo é maravilhoso, e na sua jornada desde que cai pela toca do coelho, a menina encontra personagens inesquecíveis e que povoam os sonhos da nossa infância, como o Coelho Branco que anda sempre atraso, o Gato de Cheshire que não pára de rir, o Chapeleiro Louco, ou a Rainha de Copas, uma monarca com muito mau feitio e especial apetência por decapitações.

Beloved classic describes a little girl’s adventures in a topsy-turvy land underground and her encounters with such improbable characters as the White Rabbit, March Hare and Mad Hatter, the sleepy Dormouse, grinning Cheshire Cat, Mock Turtle, and the dreadful Queen of Hearts.

Melancholy death of oyster boy (a.k.a. A melancólica morte do rapaz ostra, 1997), Tim Burton

morte_melancolica_rapaz_ostraDepois do sucesso no cinema, o realizador Tim Burton apresenta-nos A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, que reúne 23 histórias para miúdos e graúdos, em que as personagens são heróis especiais, sem super- -poderes, meros sobreviventes num mundo sem amor.

Offers twenty-three illustrated gothic tales. This title presents a cast of gruesomely sympathetic children: misunderstood outcasts who struggle to find love and belonging in their cruel, cruel worlds.

Truismes (a.k.a. Pig tales: a novel of lust and transformation / Estranhos perfumes, 1996), Marrie Darrieussecq

estranhos_perfumes“Sei a que ponto esta história poderá semear a perturbação e a angústia. Desconfio que o editor que aceitar publicar este manuscrito se exporá a aborrecimentos infinitos. Não lhe será decerto poupada a prisão, e quero desde já pedir-lhe que me perdoe o incómodo.” Estranhos Perfumes (Truismes, no original francês) é o primeiro romance de Marie Darrieussecq e provocou, aquando do seu lançamento, um entusiasmo só comparável ao que ocorrera, há mais de quarenta anos, com o aparecimento da obra de estreia de Françoise Sagan, Bonjour Tristesse. Mais de 200.000 exemplares vendidos em França e traduções em curso em cerca de trinta países transformaram subitamente uma jovem professora universitária de 27 anos na “coqueluche” da mais recente actualidade literária francesa. Parábola sobre as nossas sociedades modernas - onde crescem as desigualdades, onde progride o “politicamente correcto”, onde o culto da vida sã e da plástica perfeita se aparenta a uma nova religião, onde até o amor se tornou mortífero - Estranhos Perfumes constitui a revelação de uma poderosíssima voz literária, que vai certamente marcar a literatura francesa dos últimos anos deste século.

“”Animal Farm” meets “The Metamorphosis”. A very funny, intelligent book that can be read both for its politics and for its extraordinary depiction of a woman who revels in her bestial transformation.”

The throwback (a.k.a. O triunfo do bastardo, 1978), Tom Sharpe

triunfo_bastardoQuando Lockhart Flawse veio ao mundo, a sua mãe, uma insaciável e indómita amazona, morreu de parto, recusando-se, até ao fim, a revelar o nome da pai da criatura. O pobre órfão e bastardo foi criado em Flawse Hall, a vasta propriedade dos seus antepassados, pelo nonagenário e excêntrico avô materno e por uma série de estranhos preceptores e governantes que o mantiveram numa total ignorância dos mais elementares factos da vida. Muito jovem casou no alto mar, com a romântica Jessica, uma encantadora rapariga tão ingénua como ele, na mesma cerimónia em que o decrépito e lúbrico avô desposou a mãe de Jessica, ambiciosa viúva, ainda muito bem conservada. E é aqui que verdadeiramente começa a extraordinária carreira do engenhoso Lockhart para conquistar o mundo e lhe impor a sua vontade, não sem antes ter de se desembaraçar de uma dúzia de inquilinos, de um exercito de policias e de funcionários das finanças, de um taxidermista, da própria sogra e de mais um punhado de peças menores, recorrendo à astúcia, à habilidade e às mais modernas conquistas da tecnologia.

First meet young Lockhart Flawse from Flawse Hall on Flawse Fell. Then hear his story of gassing, whipping, blowing up, killing and stuffing – in fact, the everyday tale of a wild child of nature plunged into the genteel mock-Tudor world of surburban Surrey.

Non-sense

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A imaginação é a primeira fonte da felicidade humana.
Imagination is the first source of human happiness.

Giacomo Leopardi