A rapariga de Auschwitz (2013), Eva Schloss

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É um relato de uma sobrevivente ao Holocausto e da sua luta para viver consigo mesma depois da guerra, uma homenagem a todas as vítimas que não viveram para poder contar a sua própria história e um esforço para assegurar que o legado de Anne Frank jamais seja esquecido. Eva foi feita prisioneira pelos nazis no dia do seu décimo quinto aniversário, tendo sido enviada para Auschwitz. A sua sobrevivência dependeu de inúmeros pequenos golpes de sorte, da sua determinação e do amor e da protecção da mãe, Fritzi, que foi deportada juntamente com ela. Quando o campo de concentração de Auschwitz foi libertado, Eva e Fritzi iniciaram a longa viagem de regresso a casa. Procuraram desesperadamente o pai e o irmão de Eva, dos quais tinham sido separadas. Meses mais tarde receberam a trágica notícia de que os dois haviam sido mortos. Antes da guerra, em Amesterdão, Eva tornara-se amiga de uma jovem chamada Anne Frank. Embora os seus destinos tivessem sido muito diferentes, a vida de Eva iria ficar para sempre estreitamente ligada à da amiga, depois de a sua mãe, Fritzi, casar com o pai de Anne, Otto Frank, em 1953.

Apreciação

Aproveitando o balanço que este ano ganhei no que respeita à Segunda Guerra Mundial, escolhendo livros como ‘Maus’ e ‘A Bibliotecária de Auschwitz’, a minha mais recente escolha recaiu sobre ‘A rapariga de Auschwitz’. Este livro, que me passou despercebido até o encontrar em destaque numa Bertrand, conta a história da vida da meia-irmã póstuma de Anne Frank, que tão bem conhecemos através das suas frágeis palavras.

O livro de Eva Schloss é narrado na primeira pessoa e contou com Karen Bartlett para romancear a sua história, o que resultou em mais um autêntico documento histórico que contribui para a análise do que se passou na segunda guerra mundial, em particular em Auschwitz-Birkenau. Com muitos números e estatísticas, retiramos claramente desta obra uma série de informação que vem não só reforçar a dimensão do holocausto, mas atribuir um ainda maior carácter de realismo e dureza à narrativa.

À semelhança de ‘A Bibliotecária de Auschwitz’, também este livro é um testemunho das atrocidades cometidas dentro dos campos de concentração. Porém, o que esta obra tem de diferente é o facto de narrar a vida de Eva desde criança e acompanhar toda a sua vida até aos dias de hoje. Assim sendo, ‘A rapariga de Auschwitz’ acaba por se destacar dos ademais no que respeita à continuação, ao pós-guerra. Afinal, o que aconteceu aos sobreviventes dos campos de concentração? Como foram reintegrados na sociedade? Como lidam com os seus fantasmas? Como construíram uma vida a partir do nada?

Com uma voz fria, calculada, altamente pragmática, Eva partilha connosco os horrores por que passou durante a guerra. Embora tivesse apenas 13 anos quando começou a viver entre quatro paredes e com o medo como companhia, o olhar crítico de Eva, agora adulta, atribui um carácter um tanto contemplativo e analítico, ajudando-a a si e a nós a compreender alguns dos acontecimentos por que passou. Acompanhada dos seus pais e irmãos, Eva adaptou-se à vida (se é isso que lhe podemos chamar) em Birkenau e lutou com todas as suas forças por sobreviver e por encontrar soluções que a ajudassem a continuar a ter esperança.

Terminada a guerra, Eva regressa a casa, Amesterdão, para retomar e recomeçar a sua vida, embora tivesse plena noção que nada, nem ela, seria igual. Num cenário de uma Europa destruída, os judeus desencarcerados foram praticamente entregues à sua sorte, visto que os Governos dos vários países destruídos tinham muito que resolver, muito com que lidar, muito que reconstruir. Com uma enorme força de vontade, ditada pela sua determinação em não ser encarada com uma vítima, Eva deu os primeiros passos para aquela que viria a ser uma vida feliz e plena com os seus amigos e família, ao mesmo tempo que, com alguma energia que ainda continha escondida algures, contribuiu para divulgar a realidade judaica vivida durante a guerra e a promover as palavras de Anne Frank em todo o mundo, ao longo dos anos.

eReaders vs. livros

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O tema continua a não ser actual, mas aparentemente a opinião é unânime: com um eReader, não mergulhamos a fundo na história. Foi precisamente isso que senti com o Kobo, que acabei por não voltar a utilizar depois de algumas tentativas. Acontece-vos o mesmo?

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Leitura em ereaders resulta numa experiência menos imersiva do que nos livros

A digitalização dos livros traz muitas vantagens para as pessoas – como o facto de poder andar com dois mil livros no bolso -, mas até que ponto a tecnologia não “arrefece” a relação do leitor com a história?

Foi exatamente isto que um grupo de investigadores quis saber e procedeu à seguinte experiência: a mesma história foi dada a ler a 50 pessoas; 25 leram-na num ereader Kindle, as outras 25 leram em formato papel. No fim concluiu-se que os leitores “digitais” não tinham assimilado tão bem a cronologia da história.

A académica Anne Mangen, da Universidade de Stavanger na Noruega, partiu de uma outra experiência que tinha sido realizada em moldes semelhantes, mas em vez da utilização de um ereader a leitura digital foi feita através de um iPad. Nessa altura os leitores mostraram ainda ter menos capacidade de empatia com a história e sentiram uma experiência menos imersiva.

No estudo que envolveu o Kindle a única diferença significativa notória entre os dois grupos de leitores deu-se ao nível da cronologia da história. Explica Anne Mangen que nos livros os leitores usam o toque e o número de páginas já percorridas para situar a ação, algo que não acontece nos ereaders.

Mas neste caso a história de leitura tinha 28 páginas, um número que acaba por não se enquadrar completamente na justificação avançada, The Guardian. No entanto a académica também alertou para o facto de a experiência poder ter resultados diferentes se aplicada aos chamados “nativos digitais”.

O estudo já foi apresentado publicamente, mas vai ser em breve publicado para que a restante comunidade académica possa fazer as suas avaliações e possa, quem sabe, partir deste estudo para outras descobertas tal como Anne Mangen fez.

A investigadora não é nova neste tipo de estudos: no final de 2013 conduziu uma outra experiência em que entregou o mesmo documento a dois grupos de estudantes – um em papel, outro em PDF. No final foi possível concluir que quem tinha lido o texto em papel, acabou por conseguir resultados significativamente melhores numa prova de compreensão relacionada com o texto.

Notícia publicada no TekSAPO a 21.08.2014, ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Blog de férias!

O Folhas de Papel tem estado um pouco parado, mas isso deve-se aos preparativos de férias. Há alturas em que a blogosfera tem de ficar um pouco de lado. Neste caso, é por um bom motivo!

Embora eu não esteja de férias todo o mês, em Agosto vou reduzir os posts do Folhas de Papel para um por semana. Não é muito, mas é com boas intenções… E assim não há surpresas! :)

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Boas férias e… até Setembro!

Excesso de leitura

Existem dois modos distintos de ler os autores: um deles é muito bom e útil, o outro, inútil e até mesmo perigoso. É muito útil ler quando se medita sobre o que é lido; quando se procura, pelo esforço da mente, resolver as questões que os títulos dos capítulos propõem, mesmo antes de se começar a lê-los; quando se ordenam e comparam as idéias umas com as outras; em suma, quando se usa a razão. Pelo contrário, é inútil ler quando não entendemos o que lemos, e perigoso ler e formar conceitos daquilo que lemos quando não examinamos suficientemente o que foi lido para julgar com cuidado, sobretudo se temos memória bastante para reter os conceitos firmados e imprudência bastante para concordar com eles. O primeiro modo de ler ilumina e fortifica a mente, aumentando o entendimento. O segundo diminui o entendimento e gradualmente o torna fraco, obscuro e confuso. Ocorre que a maior parte daqueles que se vangloriam de conhecer as opiniões dos outros estuda apenas do segundo modo. Quando mais lêem, portanto, mais fracas e mais confusas se tornam as suas mentes.

Nicolas Malebranche, in ‘Procura da Verdade’