“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
De José Saramago, este é um dos melhores livros que já li. Fiquei impressionada com a clareza de descrição do autor (foi o primeiro que li da sua autoria), com a abstracção do mundo físico real e com o paralelismo qur utiliza para se referir à crescente e contagiosa cegueira da sociedade dos dias de hoje.
Saramago afirma, aquando a apresentação pública deste romance, que este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.
Quem não leu, de certeza já ouviu falar. Se, mesmo assim, lhe é desconhecida esta história, terá a oportunidade de a conhecer através da adaptação cinematográfica levada a cabo por Fernando Meirelles, com estreia prevista para breve.
A história
- Como tudo começa
Um dia normal na cidade. Os carros parados numa esquinas esperam que o sinal mude. A luz verde acende-se, mas um dos carros não se move. No meio das buzinas enfurecidas há gente que bate nos vidros e que se percebe do movimento da boca do motorista, que forma duas palavras: “Estou cego”. O homem dentro do carro esbraceja, grita, mas não consegue escapar da cegueira branca que inunda seus olhos. É uma cegueira diferente, luminosa, como se estivesse mergulhado de olhos abertos num mar de leite.
- Como se propaga
Sentia-se mal estando sentado no mesmo lugar onde um homem sadio acabara de cegar. Nervoso, o ladrão redobrou a atenção e começou a controlar o carro para que nunca tivesse que parar num sinal vermelho. Estava à beira de um ataque de nervos e o barracão para onde costumava levar os carros roubados ficava longe dali. Então, parou o carro, desceu para tomar um pouco de ar, andou um pouco e, de repente, cegou.
- A solução inicial
O ministro teve a “brilhante ideia” de deixar todos os cegos e as pessoas que tiveram contacto com eles de quarentena. Era uma quarentena diferente das outras, pois ninguém sabia quanto tempo poderia durar. O local escolhido foi um manicómio desativado. Havia duas alas: uma seria ocupada pelos cegos, e a outra, pelas pessoas que tiveram conctato com eles. Conforme as pessoas da última ala fossem cegando, atravessariam o corredor e se instalariam na outra.
- O medo
Na madrugada, o ladrão resolveu ir ele próprio pedir ajuda aos guardas, imaginando que estes sentiriam pena ao vê-lo naquele estado lamentável. Rastejou, cheio de dores, até o portão. Ao ouvir os ruídos, o soldado foi verificar o que estava a acontecer, assustou-se com o cego e deu-lhe um tiro no meio da cara.



Foi o primeiro que leste e gostaste? Então vais gostar de todos os outros. Li o primeiro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” com uns 12 anos e adorei. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Boas leituras!
[...] em Folhas de Papel: O sucesso d’Os Pilares da Terra, de Ken Follett; a grandeza d’O Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, e a sua adaptação cinematográfica – Blindness – na abertura do Festival de [...]
Já li este livro há uns anos e simplesmente adorei! Foi o primeiro que li de Saramago
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Este é o sexto que leio de Saramago. Ainda não o terminei, mas parece-me que será o meu favorito…
A sua escrita peculiar mantém-se e a sua imaginação inusitada também. O que encontrei de novo neste romance é a violência e o caos da humanidade, completamente perdida…
[...] Foi com muita expectativa que esperei por este livro e, agora que o li, confirmo aquilo que esperava: José Saramago não me desiludiu. Mais uma vez, o autor centraliza o centro da acção nas emoções humanos e naquilo que as faz mover, um pouco à semelhança d’O Ensaio sobre a cegueira. [...]