Livros interactivos

A experiência de ler e viver um livro nunca mais vai ser a mesma. O Trip Book é um “ebook” que muda o local da ação consoante a cidade onde o leitor estiver

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Quando alguém lê um livro tende a criar mentalmente a imagem da rua ou da cidade que é descrita. Isso explica que os filmes feitos a partir desses livros acabem por ser, não raras vezes, uma desilusão. Agora, há uma forma de não deixar a imaginação por mãos alheias: com um livro que pode ler enquanto está na rua que é descrita.

A ideia inovadora foi criada pela FCB Brasil para o Smiles, o programa de milhas da Gol Linhas Aéreas, e chama-se Trip Book. Graças a um equipamento exclusivo com tecnologia e-paper, o ebook identifica onde está o leitor através da localização geográfica. Desta forma, a história do livro vai sempre passar-se na cidade onde o leitor estiver — ao mudar de cidade, o enredo muda acompanhando as experiências das personagens nesses lugares. De momento só estão disponíveis seis cidades: Lisboa, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Roma, Paris e Buenos Aires. Ou seja, se viajar para Londres, não há como as personagens se reencontrarem em frente ao Big Ben.

 A história é da autoria do escritor brasileiro Marcelo Rubens Paiva, e conta as aventuras da viagem de um casal, Theo e Maria Manoela, na faixa dos 40 anos e a viver em São Paulo, que decide fazer uma pausa na rotina do quotidiano e viajar para a cidade onde passou a primeira lua-de-mel, numa tentativa de reavivar a paixão. A partir deste mote, o destino das personagens vai mudar de acordo com a cidade onde o leitor estiver. A história e as personagens não mudam, o que muda são as referências aos lugares onde o enredo se passa, como ruas, museus, pontos turísticos, comida, restaurantes, lojas, parques, costumes, hotéis e até a língua.

Se está a pensar viajar para uma destas cidades em breve ou se quiser saber o que é realçado sobre a cidade de Lisboa no enredo, caso esteja na capital, só tem de descarregar o Trip Book Smiles de forma gratuita, tanto para Android como iOS.

Informação publicada no Observador a 08.05.2015

Sugestão de fim-de-semana * Weekend suggestion

Visitar a exposição do momento.
Visit World Press Photo 2015 exhibit in Lisbon.

Preparar os óculos de sol e ir à praia.
Hold on to your sunglasses and go to the beach.

E ler um livro.
And read a book.

A queda dos gigantes (a.k.a. Fall of giants, 2010), Ken Follett

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Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia “O Século”, as vidas de 5 famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista. Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

It is 1911. The Coronation Day of King George V. The Williams, a Welsh coal-mining family, is linked by romance and enmity to the Fitzherberts, aristocratic coal-mine owners. Lady Maud Fitzherbert falls in love with Walter von Ulrich, a spy at the German Embassy in London. Their destiny is entangled with that of an ambitious young aide to U.S. President Woodrow Wilson and to two orphaned Russian brothers, whose plans to emigrate to America fall foul of war, conscription and revolution. In a plot of unfolding drama and intriguing complexity, “Fall Of Gaints” moves seamlessly from Washington to St Petersburg, from the dirt and danger of a coal mine to the glittering chandeliers of a palace, from the corridors of power to the bedrooms of the mighty.

Contos de fadas

Contos de fadas? De que forma é que os contos de fadas se enquadram no alinhamento deste blog? Pois é, caros leitores, acabei de descobrir todo um novo mundo nos contos de fadas! Andava eu pelas minhas incursões na livraria do costume quando me deparei com um título muito interessante: A psicanálise dos contos de fadas. Não esperei dois segundos para o folhear e o colocar debaixo do braço: Bruno Bettelheim seria a minha companhia nas semanas seguintes.

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Estou a terminar este livro interessantíssimo sobre a importância dos contos de fadas para as crianças: começamos pela definição do conto de fadas e pela distinção face ao mito, passamos pelo papel destas histórias na infância das pessoas e terminamos com uma análise detalhada aos contos de fadas mais conhecidos (e associados em grande parte à Disney).

Acontece que, no conto de fadas, nada acontece por acaso: os problemas relacionais, as ausências de familiares, a quantidade de acontecimentos, os símbolos com que os protagonistas se cruzam as florestas negras, as cores destacadas… Tudo é fruto de uma cuidadosa análise e montagem para que o conto de fadas cumpra o seu objectivo: ajudar o desenvolvimento das crianças. Quer seja a nível consciente, quer (e sobretudo) inconsciente, o conto de fadas ajuda a criança a resolver os seus pequenos conflitos e aflições a vários níveis, através da identificação do problema e da sua resolução.

A psicologia é uma disciplina muito curiosa e para quem teve oportunidade de a estudar, como eu tive – embora não numa perspectiva clínica ou visada nas crianças -, de certeza que gostará do que consta neste livro, como os variados conceitos psicanalíticos ou os inúmeros segredos que estas pequenas histórias escondem.

Se estão curiosos em ler os contos de fadas que a psicologia tem como referência, não se esqueçam de dar aqui um salto e de escolher aqueles cujo tema tem mais a ver convosco. Enjoy!

Sugestão de fim-de-semana * Weekend suggestion

Ir ao cinema.
Watch a movie.

Escrever aquela história.
Write down that story.

E ler um livro.
And read a book.

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O dia-a-dia em Portugal na idade média (2015), Ana Rodrigues Oliveira

Como se nascia e se vivia em Portugal, na Idade Média? Que preocupações havia na educação dos filhos? Como era o poder do rei e a sua relação com os grupos sociais privilegiados? Como se sentia a religião nesta época? Como era a saúde e a doença e como se tratavam os vários males? Como conviviam os grupos minoritários, fossem eles religiosos, como os judeus e mouros, fossem sociais, como as mulheres mundairas? O que se festejava e como? Como se vivia e se morria? Estas são algumas das perguntas a que a historiadora Ana Rodrigues Oliveira responde ao longo de um livro fundamental para perceber o quotidiano em Portugal entre os séculos XI e XV. Partindo de exemplos concretos e num texto acessível e simples, oferece-nos uma visão abrangente desta época, desde a saúde, à política, passando pela religião, o casamento, a vida doméstica ou a prostituição. Porque a História não é contada apenas recordando os grandes feitos, mas também através da vivência e dos comportamentos de um povo ao longo dos tempos.

Palavras de um sonho (2015), Tiago Pereira

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A realidade que acompanha a nossa existência é construída a partir do conhecimento que retemos das coisas que tocamos, das paisagens que vislumbramos, das pessoas que amamos.
Resignar-nos perante o que consideramos ser real é reconhecer, com plena consciência desse conhecimento, a incapacidade do ser humano para se superar diante de novas inquietudes, aventuras e sentimentos. Todavia, para enorme gáudio dos racionais, a existência humana não se reduz a um rumo, à partida decretado, pelas regras da sociedade.
Estas “Palavras de um Sonho” nascem na irreverente juvenilidade de alguém que se assume como um eterno sonhador, não revelando hesitações de qualquer ordem em afirmar que o seu maior sonho está em conseguir o que outros não conseguiram. A viagem pelo plano do Sonho convida o autor a versar sobre as suas mais díspares memórias, reais e ficcionadas.
Um folhear desta obra embalará o leitor numa constante batalha, nem sempre compreendida, entre a emoção e a razão, o coração e a mente. Esta intensa dualidade é particularmente dissecada à luz do Sonho mais genuíno que a nossa existência pode conhecer – o Amor.
Que a capacidade de Sonhar de quem lê se ouse transpor pelas palavras desta Poesia!

Apreciação

Gostei, gostei, gostei. Embora eu não seja uma pessoa que opte normalmente por poesia, não hesitei em aceitar o presente da Chiado Editora e em devorar em poucas horas este livro que parece saído… de um sonho.

Quando se pensa em poesia, nomeadamente poesia em português, é fácil fazermos a associação imediata à obra ‘Folhas caídas’  de Almeida Garrett, por exemplo. Acontece que, se há algo que caracteriza a poesia é precisamente o facto de ser difícil de caracterizar. O tipo de discurso, a estética e a retórica são tão importantes quanto a originalidade dos temas e a clareza da mensagem, pelo que a paixão do poeta se torna um dos elementos mais essenciais para que a poesia flutue e contagie o leitor. Não farei uma análise aos critérios normalmente analisados num poema, como ao ritmo, concordância, etc. (porque há anos que não o faço e este blog não é suposto ser tão técnico), pelo que deixarei a minha apreciação sobre os conteúdos em si, e não à sua forma.

Tiago Pereira é um jovem poeta que encontrou nas palavras um escape das ciências exactas. Esta paixão do autor pela escrita e pela expressão nota-se claramente em cada um dos seus poemas, cujos temas variam imensamente, o que resulta num pequeno compendium de reflexões sobre os desassossegos das pessoas, as suas dúvidas, perspectivas e medos.

Tal como o hábito não faz o monge, a idade não faz o poeta. Com apenas 25 anos, Tiago Pereira revela uma grande inquietude que marca o início da idade adulta, marcada pelas dúvidas relacionais consigo mesmo e com quem se relaciona. Numa perspectiva alargada, esta selecção de poemas parecem marcar uma fase da sua vida, cuja visão está limitada à sua experiência (que poema não está?) e cuja resolução parece ser precisamente a vivência do dia de amanhã para a acalmia dos seus receios e para a aquisição de uma tranquilidade mais profunda no que diz respeito à sua identidade e à sua (auto) consciência. O resultado? Um livro que guarda a sensibilidade, fragilidade e força de um jovem adulto que procura o seu lugar no mundo, a sua identidade e o seu papel social, em poucas palavras e muitas emoções.

Se ficou interessado neste livro, leia mais opiniões sobre o mesmo aqui:

As leituras do corvo

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