Adrian Mole

Wednesday June 10th
Pandora and I are in love! It is official! She told Claire Nelson, who told Nigel, who told me. I told Nigel to tell Claire to tell Pandora that I return her love. I am over the moon with joy. I can overlook the fact that Pandora smokes five Benson and Hedges a day and has her own lighter. When you are in love such things cease to matter.

Este é uma pequena amostra do primeiro livro de Adrian Mole, a personagem criada por Sue Townsend em 1981. “O Diário Secreto de Adrian Mole aos 13 anos e 3/4″ é o primeiro de muitos livros desta colecção, que acompanham a vida de um jovem intelectual (and so he thinks) durante a adolescência e vida adulta.

O primeiro livro introduz-nos a personagem: Um adolescente com borbulhas e preocupações sociais com um pai constipado e completamente desprovido de ambições e uma mãe, péssima na cozinha, que se esquiva a usar o avental de plástico verde que ele lhe ofereceu no Natal. Mas Adrian Mole é acima de tudo um intelectual com tendências literárias «agravadas» a prová-lo o seu poema a «A Torneira» – escrito em dois minutos – que aborda o mistério da vida:

A torneira pinga e mantém-me acordado,
De manhã vai haver um lago.
Pela falta de junta a carpete se estragará,
Depois por outra o meu pai mourejará.
O meu pai podia snifar enquanto está no trabalho.
Pai, arranja uma junta, não sejas paspalho!

Como diz a mãe de Adrian, eles são os nouveau poor na Inglaterra de Margaret Thatcher, com três milhões de desempregados. Mas falar de Adrian é falar da sua sempre e bem-amada Pandora – causadora de tantos tormentos mas também portadora de esperança: Há uma miúda nova na nossa turma. Está sentada ao meu lado em Geografia. É fixe. Chama-se Pandora, mas gosta que lhe chamem «Caixa» (Box). Não me perguntem porquê. Sou capaz de me apaixonar por ela. Já está na altura de me apaixonar, afinal de contas tenho 13 anos e 3/4. E assim decorrem os anos entre encontros e desencontros com Pandora, chocolates Mars, visitas a casa do velho comunista Bert Baxter, conversas com o melhor amigo Nigel e “broncas” com o skinhead Barry Kent.

Até ao momento, são 6 os livros desta divertida saga:

The Secret Diary of Adrian Mole Aged 13 ¾
The Growing Pains of Adrian Mole
True Confessions of Adrian Albert Mole
Adrian Mole The Wilderness Years
Adrian Mole The Cappuccino Years
Adrian Mole and the Weapons of Mass Destruction

Para terminar, aqui fica uma das intelectualíssimas perspectivas de Adrian:

Bom, eu acho que a Arte e a Cultura são importantes. Tremendamente importantes. Sem a Arte e a Cultura desceríamos ao nível dos animais que, sem objectivo, preenchem o seu tempo rondando as latas do lixo e envolvendo-se em brigas. É sempre fácil identificar as pessoas que não permitem que a Arte e a Cultura façam parte da sua vida. Estão pálidas de tanto ver televisão e além disso as suas conversas de um certo je ne sais quoi – a não ser que sejam franceses, evidentemente. As pessoas incultas falam do preço do nabo e da razão por que o pão quando cai, cai sempre com a manteiga para baixo e de outras maneiras igualmente inanes. Nunca se ouvem referências a Van Gogh ou Rembrandt ou Bacon (quando digo Bacon, refiro-me a Francis Bacon, o artista infame, e não ao toucinho entremeado ou ao toucinho dinamarquês… aqueles que se comem). Não, tais nomes nada significam para os incultos; estes nunca farão peregrinações ao Museu do Louvre para ver a Mona Lisa de Michaelangelo. Nem tão pouco vibrarão com uma ópera de Brahams. Preencherão os seus dias com frívolas frivolidades e, provavelmente, morrerão sem que tenham alguma vez provado a doce ambrósia da cultura.

In As Confissões de Adrian Mole & Cª.