78ª Feira do Livro de Lisboa suspensa

Após meses de avanços e recuos, a 78ª Feira do Livro encontra-se neste momento suspensa por decisão da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Apesar de os stands estarem já montados no Parque Eduardo VII, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) não entregou ainda à autarquia o layout final do certame, com o descritivo da composição e disposição dos stands.

(…) No centro da polémica está a Leya, o maior grupo editorial português nascido em Janeiro pela mão de Miguel Pais do Amaral. O Leya mantém que quer participar na edição deste ano, mas insiste em dispor de um espaço diferente dos stands habituais, exigindo uma área comum de 720m2 para as suas seis editoras que, no conjunto, representam 10% da feira. A APEL, que tem a organização do certame a seu cargo, considera que a feira é dos livros e não dos editores e tem defendido que os stands permaneçam iguais. Argumenta também que o grupo Leya não se inscreveu atempadamente, mantendo a mesma posição de intransigência, apesar da prorrogação do prazo de inscrição que lhe foi concedida a título excepcional. No entanto, no passado dia 6, terá concordado que os formulários de inscrição da Leya seriam feitos através da UEP, de que são associadas as editoras que integram o grupo.

Ontem, a Câmara Municipal de Lisboa, que anualmente subsidia o evento, decidiu suspender os trabalhos de montagem que estava a realizar. Num extenso comunicado, a CML pediu explicações urgentes à direcção da APEL sobre a recusa de instalação de novos modelos de pavilhões na feira, nomeadamente do grupo Leya, após se ter comprometido a aceitá-los. Em quatro páginas, a câmara faz o historial das reuniões que começaram em Janeiro. E acrescenta que a APEL “ainda não entregou o layout final de implantação da feira”, que condicionaria a decisão da câmara sobre o certame. Considera ainda o documento municipal enviado aos jornalistas que “a APEL foi demonstrando uma crescente intransigência, não aceitando negociar qualquer ponto”.

Na segunda-feira o grupo Leya entregou na direcção municipal o projecto final de implantação de uma “praça Leya” no Parque Eduardo VII, que foi aprovado. No final do comunicado, a CML informa que ontem decidiu “solicitar à direcção da APEL um esclarecimento sobre a situação”, fazendo depender dessa resposta “as consequências legítimas que se impõem como corolário deste processo”. Ou seja, a realização ou não do evento.

Informação: Diário de Notícias online a 15 de Maio de 2008.