O Pianista, de Wladyslaw Szpilman

Este é relato extraordinário, escrito na primeira pessoa, da impressionante sobrevivência de Szpliman durante os quase seis anos que viria a durar a Segunda Guerra Mundial. É refugiando-se nas ruínas do ghetto judeu que consegue iludir a morte, através da sua inteligência, do seu grande amor à música, da sua inquebrantável vontade de viver, e da generosa ajuda de um oficial alemão. Formando um contraste quase surrealista com o cenário que o envolve – Varsóvia está mergulhada no terror nazi, devastada -, Szpilman, que perdeu todos aqueles que lhe eram mais queridos, transmite-nos um testemunho notável da força de um homem, que é também o de toda a humanidade, para resistir ao desespero da barbárie, numa profunda celebração da beleza, da reconciliação e da vida.

 

Apreciação

Muito melhor escrito que o texto acima descrito (apresentado na contra capa do livro), é um livro muito forte com descrições reais o suficiente para nos levar a Varsóvia da Segunda Guerra Mundial e nos fazer sentir o desespero que sentiu com o mergulhar na solidão e no sofrimento.

Tem passagens muito boas relativamente às barbáries que os alemães nazis cometiam, explicando na primeira pessoa aquilo a que se assistiu e o medo que se sentiu durante esses anos de terror, em que o protagonista vivia da caridade alheia ou de migalhas de comida nas ruínas por onde passava.

É interessante o facto de ter sido também publicado no livro, após o relato de Szpilman, excertos do diário do Capitão Wilm Hosenfeld, o oficial alemão que lhe salvou a vida. Na adaptação cinemetográfica, fica-se com a ideia que o dito cujo salva o fugitivo por este lhe trazer um pouco de beleza do mundo antigo: música. Na realidade, Hosenfeld tem uma visão muito pessimista, uma vez que a “parte humana” que em si vive antes da Guerra, sobrevive durante a mesma, fazendo com que tente salvar o máximo de judeus com quem se cruza, sendo que Szpilman é um deles.

O oficial alemão chega ao ponto de afirmar que toda a Alemanha, e não só a Alemanha Nazi, é culpada e deve ser severamente castigada uma vez que permitiu o alcance do poder por parte do Partido Nacional Socialista, e nada fez para impedir: “Os trabalhadores alinharam com os Nazis, a Igreja ficou a observar, as classes médias foram demasiado cobardes para fazerem alguma coisa, e o mesmo sucedeu com os intelectuais mais eminentes. Permitimos que os sindicatos fossem abolidos, as várias denominações religiosas suprimidas e não houvesse qualquer liberdade de expressão na imprensa ou na rádio. Por fim, deixámo-nos conduzir para a Guerra. Não nos importámos que a Alemanha não tivesse representação democrática e conformámo-nos com a pseudo-representação de pessoas sem verdadeira voz activa em coisa nenhuma. Os ideais não se traem impunemente, e agora temos de sofrer todas as consequências.”

Assim, “O Pianista” não só se trata de um livro autobiográfico que nos remete para uma realidade que parece tão distante; trata-se, também, de um documento histórico que tenta constatar factos de uma forma imparcial, realista e muito fria.

 

Ficha técnica

Editor: Editorial Caminho
Colecção: Uma Terra sem Amos
ISBN: 9789722106153
Ano de Edição/ Reimpressão: 1991
N.º de Páginas: 240
Encadernação: Capa mole