Os Pilares da Terra, vol II, de Ken Follett

Do mesmo autor do thriller “A Ameaça”, chega-nos o primeiro volume de um arrebatador romance histórico que se revelou ser uma obra-prima aclamada pela comunidade de leitores de vários países que num verdadeiro fenómeno de passa-palavra a catapultaram para a ribalta. Originalmente publicado em 1989, veio para o nosso país em 1995, publicado por outra editora portuguesa, recuperando-o agora a Presença para dar continuidade às obras de Ken Follett. O seu estilo inconfundível de mestre do suspense denota-se no desenrolar desta história épica, tecida por intrigas, aventura e luta política. A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e rico em acção e descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição. Conheça o trabalho de um autêntico mestre da palavra naquela que é considerada a sua obra de eleição.

Esta é uma colecção cujo lançamento não possuiu qualquer técnica de marketing. O autor, apaixonado pela arquitectura de catedrais, dedicou-se ao seu estudo e decidiu transmitir esse conhecimento naquele que viria a ser o seu best-seller. Num curto espaço de tempo após o seu lançamento e durante vários anos, a colecção d’ “Os Pilares da Terra” passou de boca-em-boca em todo o mundo e alcançou um êxito mundial nunca visto.

Apreciação

Finalmente, terminei a colecção “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett. Após a lenta leitura do volume II, fiquei com muita pena que a saga não continuasse e nos apresentasse mais peripécias do Prior Phillip (agora bispo), de Aliena, Jack, William e Waleran. Contudo, o final que Follett encontrou para estes livros não deixa margem para qualquer continuação, visto que são grandes os saltos cronológicos e as personagens no final da aventura alcançaram aquilo por que lutaram toda a vida.

Em termos gerais, gostei da colecção. Aliás, adorei. Fiquei fascinada com as fantásticas descrições de Follett acerca da Inglaterra do século XII e, sobretudo, do enredo complexo com que nos deparamos ao longo de ambos os livros. Não se trata apenas no narrar de uma história mas, sim, da transmissão de emoções reais como o amor, o medo, o ódio e a vingança, tornando as personagens dotadas de uma realidade extrema. Outro dos factores que me surpreendeu foi o rigor histórico que o autor teve o cuidado de alcançar, contextualizando o enredo num período interessantíssimo referente ao crescimento do país, dando-nos a conhecer o modo de vida da população dos condados ingleses na Idade Média.

Não só o argumento é muitíssimo rico, como também as personagens são dotadas de uma substância apaixonante, tornando-as tão complexas como as pessoas da vida real. Ao longo da história, são-nos dadas a conhecer as perspectivas dos heróis e dos anti-heróis, das personagens secundárias e dos vilões, podendo, com isto tudo, criar uma teia de intrigas e de suspense que prende os leitores da primeira à última página.

[spoilers] Quanto à velocidade dos acontecimentos, notei que a partir de dada altura no segundo volume há saltos cronológicos muito grandes, fazendo com que as personagens envelheçam muito rapidamente e que fiquemos apenas a conhecer um pequeno resumo das suas vidas nesse período. Penso que os leitores ficam tão agarrados às páginas e às personagens que têm vontade de os conhecer ainda mais, de forma que a história pareça não terminar.

Para além destas espaços no tempo, no meio de um enredo tão cativante fiquei desiludida com um acontecimento que, a meu ver, conferiria uma paixão ainda maior ao final da saga: Na minha opinião, esta desilusão faz toda a diferença. Em ambos os livros, é-nos apresentada a personagem odiosa de William Hamleigh, um jovem sem escrúpulos que dedica toda a sua vida a tentar vingar-se da mulher que o repudiou, mantendo uma relação unilateral de amor – ódio que sustenta durante toda a história. Esta fixação da personagem em Aliena é um dos factores principais que influencia todo o enredo, durante três gerações. Ao longo das páginas, apercebemo-nos das suas frustrações, ódios, esperanças e medos, tornando William, de facto, uma das personagens fulcrais para o desenrolar da história. Contudo, o seu fim é vazio. O leitor sabe que o seu final de vida será triste, solitário e doloroso. Aquilo de que eu não esperava era a falta de importância que foi atribuída ao momento da sua morte. Comparativamente, a morte de Becket, uma personagem secundária, é muito mais detalhada, exasperante, simbólica. Assim sendo, contei com um relato breve acerca da perspectiva de vida por William, enquanto caminha para a forca; contei com uma descrição detalhada dos seus pensamentos no momento em que é preso e lhe é comunicada a morte por enforcamento; contei com uma intensidade de sentimentos que não foi trabalhada. Sendo uma das mais influentes personagens da história, não esperei que lhe fosse retirada essa importância no momento em que ele morre. É-lhe dada essa importância, sim, face aos seus inimigos, mas o leitor precisa de uma maior envolvência acerca do seu medo do inferno, da sua vida em busca de Aliena, das mortes em campo, da sua frieza para com os habitantes do seu condado.

Ficha técnica

Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722338196
Ano de Edição/ Reimpressão: 2007
N.º de Páginas: 608
Encadernação: Capa mole