Palavras que o vento não leva

Há livros que marcam. Aliás, que marcam muito. Marcam tanto que há quem os leia e releia vezes sem conta, perdendo-se nas suas páginas como se o encarassem pela primeira vez, sentindo as emoções à flor da pele e mantendo uma dormência permanente na ponta dos dedos. Contudo, mais que a marca de um livro especial no seu leitor, há palavras que o vento não leva. Há passagens que nos dão um frio na barriga. Frases que se identificam imediatamente connosco. Pensamentos que nos provocam arrepios.

O census desta semana, após o sucesso do “Post de Tops” relaciona-se com aquela frase que nos marcou imediatamente e que nós nunca mais esquecemos, mesmo que só a tenhamos lido uma vez: Qual a passagem literária que não esqueces e cujas palavras o vento nunca levou?

A minha mais marcante é, sem dúvida nenhuma e longe de todas as outras, a seguinte passagem em “Romeo & Juliet”, de William Shakespeare, na versão original:

My only Love sprung from my only hate. Too early seen unknown and known too late. What prodigious birth of Love this is to me that I must love a loathed enemy?

Este pensamento de Julieta surge no momento em que percebe que Romeu, o amor da sua vida, é também o seu maior inimigo. Mas que tipo de amor tão forte, lustroso, tão puro e inocente consegue, num segundo, a sua vida e colocar de lado o ódio das suas famílias? Que sentimento é este que quebra barreiras como se fossem papel? Não tenho mais palavras para descrever esta passagem, que simplesmente fala por si.