Nobel da literatura 2008

Nos últimos tempos, Frida já não saía desta casa, deste jardim. Tinha feito deles uma réplica do mundo, ao mesmo tempo imaginária e enraizada na realidade através dos laços da dor. Para ela, a Casa Azul era como o templo do amor por Diego, que devia durar para lá das vicissitudes da vida, para lá da morte. Quando Frida partiu, Diego nunca mais voltou a Coyoacán. Quis que a Casa Azul se tornasse não um museu – a ideia teria sido bastante horrível – mas um santuário, uma casa aberta em que cada um pudesse receber um pouco de beleza que emanava de Frida e que impregnara as paredes, os objectos familiares, as plantas do jardim. Tudo aqui está imóvel, parado como que à espera do despertar da niña.

In Diego & Frida, de Jean-Marie Gustave Le Clézio.