Relatório Minoritário, de Philip K. Dick

Em Washington D.C. decorre o ano de 2054 e o crime foi eliminado. O futuro é previsto e os culpados penalizados antes mesmo dos crimes serem cometidos. Numa unidade da elite do Departamento da Justiça denominada Pré-Crime (Precrime), todas as provas para condenar criminosos são visionadas por Pre-Cogs, três seres psíquicos cujas previsões nunca falharam. Trata-se da força policial mais avançada da nação e ninguém trabalha mais para a Pré-Crime do que o seu cérebro, o comissário John Anderton (interpretado por Tom Cruise na adaptação cinematográfica). Devastado por uma perda trágica, Anderton dedica-se de corpo e alma a um sistema totalmente inovador que poderá poupar milhares de pessoas de uma tragédia semelhante à que ele viveu – o desaparecimento do filho. Anderton está plenamente convencido que a Pré-Crime funciona, até se tornar, ele próprio, o principal suspeito – o sistema indica que John Anderton irá assassinar um desconhecido em menos de 36 horas. Uma leitura imperdível.

Apreciação

Não sou grande apreciadora de policiais, à excepção de Agatha Christie e de Sir Arthur Conan Doyle, mas este cativou-me de uma forma inédita. Por se tratar de uma obra que interroga a realidade e o livre arbítrio, torna-se numa leitura muito interessante que se prolonga na reflexão sobre o tema.

Por não ser muito extenso, por possuir uma linguagem muito acessível e por se tratar de um enredo relativamente simples, “Relatório Minoritário” torna-se um livro de fácil e rápida leitura, da qual dificilmente nos libertamos. Ora, começamos por nos deparar com uma realidade futurista, isenta de crime, numa sociedade onde a Paz domina e as pessoas vivem felizes. Esta pacificidade deve-se à capacidade psíquica de três seres para a previsão do futuro, nomeadamente no que refere a situações criminais, capacidade a qual não é passível de interrogação até que um agente policial é referido pelos mesmos: este irá cometer um crime nas próximas 36 horas.

Assim começa uma história que gira em torno da procura do responsável por esta situação, num cenário de dúvida, de reflexão e de ponderação acerca da liberdade individual e do livre arbítrio, o que acaba por se tornar numa sátira à sociedade actual e, em última instância, numa boa oportunidade para o leitor se interrogar a si mesmo sobre o tema a nível mais pessoal.

“Relatório Minoritário” tem uma fantástica adaptação cinematográfica de Steven Spielberg, com algumas diferenças que, mesmo assim, não alteram a essência da obra literária. O filme está pleno de efeitos especiais, num futuro demasiado tecnológico, demasiado perfeito e demasiado impessoal, enquanto a obra original nos dá a conhecer um cenário muito mais próximo da realidade: o espaço de trabalho do Pré-Crime é pequeno, escuro, desarrumado, com procedimentos demasiado burocráticos e que pouco ou nada deve à ficção científica.

Philip K. Dick não poderia deixar de nos surpreender, não fosse ele o autor da história “Blade Runner”, um dos maiores êxitos cinematográficos dos anos ’80, considerado um filme de culto desde o seu lançamento.

Ficha técnica

Editor: Editorial Presença
Colecção: Viajantes no Tempo
ISBN: 9789722329545
Ano de Edição/ Reimpressão: 2002
N.º de Páginas: 88
Encadernação: Capa mole