(I)Literacia

Eis que surge um tema muito interessante e, porventura, polémico. Acontece que no meu local de trabalho, em reunião geral, surgiu uma proposta que coloca a possibilidade de contratação de um revisor de textos para dar apoio às equipas. Não compreendo isto e explico-vos porquê.

Enquanto consultora de comunicação, tenho mais que obrigação de conhecer a língua portuguesa e “tratá-la por tu”. Se os meus colegas e eu somos os experts em comunicação – e não me refiro apenas a estratégia, à análise de conteúdos e à óptima utilização da carteira de contactos, como será possível exercer a profissão sem o domínio total ou quase total da língua portuguesa? Não só estas situações são recorrentes como, mais grave ainda, são passíveis de ser desculpadas e esquecidas, como se a coisa mais natural do mundo fosse falar mal a nossa língua.

É da responsabilidade de todos os portugueses conhecer a sua língua, não só de quem trabalha com conteúdos literários. Perco a cabeça quando as pessoas dizem “as gramas” (não é preciso fazer um desenho para saber que se trata de um substantivo no masculino) e “hádes” (sem comentários) ou quando trocam os acentos graves e agudos na confusão entre preposição e verbo (“à” e “há”).

Sim sim, eu sei que as pessoas todas não têm acesso à mesma educação, que têm estilos de vida diferentes e que podem não ter as mesmas oportunidades de acesso à literacia, mas quando são casos de preguiça ou de “deixar andar”, tenham lá paciência! Quanto tenho dúvidas (e tenho-as, obviamente), não tenho receio de perguntar ou de investigar.

A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua. Franz Kafka.