Filha da Fortuna, de Isabel Allende

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Um livro que se concentra à volta da corrida ao ouro na Califórnia, em meados do século passado, e em que uma jovem, Eliza Sommers, segue o seu amante a partir do Chile quando este decide partir para norte em busca de fortuna. Um livro essencial de uma autora que dispensa apresentações, polvilhado de emoções e onde não falta um personagem chinês que vai acompanhar a heroína e ajudá-la a ultrapassar e compreender as contradições da condição humana. É o romance mais ambicioso da autora, em que se retrata uma época em que a ganância e violência imperam e onde valores como a amizade, a compaixão e a coragem são essenciais à sobrevivência.

Apreciação

Eliza Sommers é uma jovem chilena que vive em Valparaíso em 1849, ano em que se tem início a febre do ouro na Califórnia. O seu amante, Joaquín Andieta, parte para o Norte decidido a fazer fortuna e ela, ficando só no Chile, decide segui-lo numa viagem atribulada onde a esperança é o principal motor. A viagem inicia-se com Eliza escondida no porão de um veleiro em condições precárias, e a procura do amante numa terra de homens sós e de prostitutas atraídos pela febre do ouro, transformam a jovem inocente numa mulher fora do comum.

Este é o primeiro livro de uma colecção deslubrante que tem como principais mensagens a luta pela liberdade e a coragem de iniciar uma vida nova além fonteiras mesmo que, para isso, tenha de ser percorrido um caminho penoso. Eliza perde a sua identidade em prol de um amor perdido, acabando por descobrir que a vida é bastante mais simples do que aparerentemente parece e que, como diria João Pereira Coutinho, na qual se trata de alcançar a felicidade e não a excelência.

A autora revela-nos uma real complexidade das personagens que compõem esta história, mergulhando os leitores no momento histórico em que a California nasce enquanto um dos Estados mais populosos dos EUA, descrevendo a procura do outro como uma luta social incessante e acompanhando o nascimento ritmado dos locais onde as personagens adquirem como poiso. Interessantíssimo.

Recomendo vivamente a leitura de “Retrato a Sépia” da mesma autora, visto que acompanha a vida das personagens após “A Filha da Fortuna”.

Ficha técnica

Ano de edição ou reimpressão: 2001
Editor: Difel
Dimensões: 14,9 x 22,9 x 2,5 cm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 408
Classificação: Romance