Jean-Paul Sartre

Quando se lêem bons livros, sabe-se que é difícil, posteriormente, encontrar outros que se assemelhem. Pessoalmente, tem sido desafiante ultimamente encontrar bons livros que me prendam nos primeiros capítulos e que me fascinem. Gosto de obras que me façam pensar e que me dêem temas para reflectir, para partilhar e para discutir, com histórias que perdurem no tempo. Daí o meu gosto por diários, biografias, epístolas ou romances históricos com grande carga cultural; chateiam-me a literatura barata e os romances cor-de-rosa com enredos fracos, personagens simples e histórias corriqueiras. Não luto pelo número de páginas ou livros que leio, porque acredito que quantidade pode ser o oposto de qualidade. Nesta insatisfação permanente, por ser tão apaixonada por livros que li e por autores que conheci, permaneço numa busca incessante por obras únicas, loucas, que se apaixonem por mim e que não me deixem dormir. Neste contexto, no outro dia tive a seguinte conversa:

Eu: Estou farta dos livros que tenho para ler. Tenho lido alguns tão bons que agora se torna difícil encontrar obras que se equiparem.

Ele: Mas que tipo de livro procuras?

Eu: Quero romances históricos ou biografias, sei lá. Algo que me faça pensar.

Ele: Tenho livros para ti. Vais levar Jean-Paul Sartre e garanto-te que depois não queres outra coisa. Tenho todos os seus, bem como obras que explicam a sua corrente existencialista.

Eu: Para começar, qual me recomendas?

Ele: Levas “A Engrenagem” e depois lês “O Muro”, mas corres o sério risco de te apaixonares por ele.

Eu: É isso mesmo de que preciso.

 

E assim foi. Comecei “A Engrenagem” e tenho a dizer que, até ao momento, gosto da sua escrita e das suas descrições. Frases curtas e incisivas; uma narração simples e dura; personagens oponentes e rigorosas.

Para quem não conhece, embora pelo menos devesse conhecer a sua corrente filosófica, Jean-Paul Sartre foi o filósofo francês, bem como escritor e crítico, considerado um representante do existencialismo, defendendo que os intelectuais têm um papel a desempenhar na sociedade. Repeliu distinções e funções oficiais, motivo pelo qual se recusou a receber o Prémio Nobel de Literatura em1964. A sua corrente defendia que, na vida humana, a existência precede a essência, visto que o homem existe  primeiro e define-se depois, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma “essência” posterior à existência. O existencialismo sartriano procura explicar todos os aspectos da experiência humana.