Os melhores e os piores, segundo The Times

Não é novidade que “O Código da Vinci” é um livro polémico e que as opiniões se dividem, mas daí a ser comparado ao “O Segredo”… Tenho algumas dúvidas acerca deste ranking, nomeadamente porque não são divulgados os critérios para realização do mesmo. Contudo, não é surpreendente que “A Estrada” esteja em primeiro lugar. É verdadeiramente imperdível.

Foi o grande ‘best-seller’ dos últimos anos, mas o suplemento de literatura do ‘The Times’ não fez concessões aos sucessos de vendas: ‘O Código da Vinci’, de Dan Brown, foi considerado o pior livro da década. O melhor é ‘A Estrada’, de Cormac McCarthy.

Em todo o mundo, ‘O Código da Vinci’ vendeu mais de 70 milhões de exemplares e catapultou para a ribalta o seu autor, o americano Dan Brown, cujos ‘thrillers’ se debruçam sobre temas que têm tanto de polémico como de esotérico. Há quem o considere brilhante, para outros não passa de um escritor banal. Para os críticos do The Times, ‘O Código da Vinci’, publicado em 2003, tropeça logo na introdução, que se assemelha a uma notícia de tablóide.

O segundo entre os cinco piores é ‘O Segredo’, ‘best-seller’ de auto-ajuda de Rhonda Byrne, que ensina a atingir o sucesso através do pensamento positivo. Mas o painel que o classificou considera que as referências a Jesus, Newton, Beethoven e Einstein tornam o guia “insuportável”.

Em terceiro surge ‘Being Jordan’, a autobiografia da modelo inglesa Katie Price; o livro é considerado influente, mas não da forma mais positiva. O quarto entre os piores é ‘Vernon God Little’ (‘Vernon Little, o Bode Expiatório’ em português) de DBC Pierre. Apesar de ter vencido o ‘Man Booker Prize em 2003’, o romance que tem como protagonista um adolescente sarcástico e procura reflectir a atracção e o medo que exercem os Estados Unidos da América não convenceu o The Times, insensível aos elogios feitos à obra.

A finalizar a lista, ‘Dylan’s Visions of Sin’, sem tradução para português, um livro do britânico Christopher Ricks, académico e crítico literário que analisa as letras das canções de Bob Dylan. O painel considerou que esta ‘carta de amor a Dylan é tão embaraçosa de ler quanto a de um adolescente, se não estiver envolvido na relação”.

No sentido inverso, a lista dos 100 melhores títulos da década é encabeçada pela obra de Cormac McCarthy, ‘A Estrada’, considerada uma “expressão perfeita dos terrores do início do século XXI”. Segue-se ‘Persepolis, um livro de banda desenhada que dá conta da infância da autora, Marjane Satrapi, durante a Revolução Islâmica no Irão; em terceiro surge ‘Dreams From My Father’, em português ‘A Minha Herança’, a autobiografia de Barack Obama que revela – segundo o jornal – que o autor “não é apenas um político ambicioso, mas também um escritor eloquente e pensador profundo”.

In Diário de Notícias, a 19 de Novembro.