A estrada, de John Hillcoat

Apreciação

Considerado o melhor livro de 2009 pelo New York Times, “A estrada” foi das leituras de que mais gostei este ano. A história pós-apocalíptica de Cormac McCarthy, vencedor de um Pulitzer e autor de “Este país não é para velhos”, foi agora adaptada para cinema por John Hillcoat e promete impressionar os cinéfilos pelo mundo fora.

São poucas as adaptações cinematográficas que se mantêm fiés ao livro, conseguindo transmitir a mensagem da obra original. O filme “A estrada” é um deles. Naturalmente, foram feitos reajustes para adaptar a história para um argumento de cinema, pelo que há passagens que foram excluídas. Mesmo assim, quem leu o livro não deverá ficar desapontado com os cenários cinzentos, os diálogos secos, a profundidade de emoções, a incerteza do futuro, as saudades de um mundo com vida.

Vigo Mortensen está muitíssimo bem caracterizado e o seu desempenho é notável, adquirindo as características de um pai que luta desesperadamente não só pela sua sobrevivência, mas pela certeza de que o seu filho aprende as duras regras de vida que as circunstâncias exigem. Aliás, em termos de caracterização todas as personagens estão fabulosas, nomeadamente Robert Duvall que está praticamente irreconhecível. Há cenas que podem impressionar os mais sensíveis (e também os menos), um árduo esforço de Hillcoat para garantir que a sua adaptação não seria apenas isso: uma adaptação. É a narração de uma história de forma fria, nua, desprovida de humanidade. É um murro no estômago. Tem de ser visto. E tem de se pensar sobre ele.

Ficha técnica

The Road
Género: Acção, drama, thriller
País: EUA
Ano: 2010
Duração: 111 minutos
Classificação (PT): M16
Intérpretes: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Guy Pearce, Charlize Theron