O sítio das coisas selvagens, de Dave Eggers

Max é um rapaz que está a crescer e a entrar num mundo que não consegue controlar. O pai foi-se embora; a mãe passa cada vez mais tempo com o namorado; e a irmã a chegar à adolescência. Ele, por seu turno, refugia-se no interior do seu fato de lobo e entrega-se aos acessos de braveza de que é frequentemente acometido. Um dia, fugindo de uma discussão em casa, encontra um barco e, navegando nele, descobre uma ilha habitada por criaturas selvagens e monstruosas, de que se tornará rei.

Apreciação

Datada de 1963, a obra ilustrada original “Onde vivem os monstros” pertence a Maurice Sendak e faz furor entre as mais variadas gerações de norte-americanos. Agora, mais de 40 anos depois, a história é adaptada para romance por Dave Eggers com o nome “O sítio das coisas selvagens”, no seguimento do convite por parte de Spike Jonze para a criação de um argumento para o filme.

De tempos a tempos, gosto de ler histórias levezinhas e dar asas à imaginação, pelo que “O sítio das coisas selvagens” foi uma boa opção. Este livro que, segundo o autor, não é de nem para crianças, fala da história de Max, um rapazinho com muita criatividade que nos dá a conhecer um mundo só seu. Depois de uma discussão familiar, Max foge de casa e ruma a uma ilha onde vive um grupo de monstros amigáveis, com os quais vive as mais inimagináveis peripécias, à medida que cria histórias consoante o que sente e o que viveu no ambiente familiar.

Utilizando as expressões de Sendak, trata-se de uma adaptação com uma enorme inteligência emocional e profundidade espiritual, algo com que nos deparamos no início da narrativa e ao qual nos habituamos no desenrolar da história. Max é uma criança que se sente só; sente-se incompreendido entre adultos que tomam decisões inesperadas e incompreensíveis, tentando chamar a atenção de forma infantil, imprevista e repentina, ao mesmo tempo que tenta compreender todas as emoções que o guiam e que são tão mutáveis com o passar do tempo.

O convívio com os monstros é, na minha opinião, um tanto ou desgastante para o leitor. Max é imparável e tem sempre novas ideias para pôr em acção e inúmeros problemas para resolver, pelo que a sua estadia na ilha é imparável, energética, muito assente numa política de non-sense que requer atenção constante, transparecendo que nem o leitor consegue recuperar o fôlego. No geral, “O sítio das coisas selvagens” recria o mundo onírico de todas as crianças no auge da sua infância, facilitando o relacionamento emocional com a personagem e com os monstros que, na realidade, são uma extensão de Max. Gostei muito, aconselho!

Ficha técnica

ISBN: 9789725648247
Número de Páginas: 288
Idioma: PORTUGUÊS
Encadernação: CAPA MOLE
Data da primeira Edição: 2009