Heroína do deserto, de Donya al-Nahi

A vida de Donya al-Nahi, uma inglesa loira e de olhos verdes que se converteu ao islamismo, mudou no dia em que conheceu uma mulher britânica, casada com um muçulmano, cuja filha de seis anos tinha sido raptada e levada para a Líbia pelo próprio pai. Comovida pelo desespero da jovem mãe, Donya respondeu corajosamente: “Vamos lá buscá-la.” Pouco depois, arriscou a vida para resgatar a criança enquanto ela ia para a escola, em Trípoli. A intensidade da experiência foi tal que Donya decidiu ajudar outras mulheres igualmente sós e impotentes perante a maior das crueldades. “Ninguém tem o direito de separar uma criança da mãe”, afirma. Dezenas de crianças foram salvas graças à audácia e ao altruísmo de Donya. Este é um testemunho tremendamente honesto e emocionante de uma mulher heróica que teve de suportar os maiores riscos e até a prisão em alguns dos locais mais perigosos do mundo. Para muitas famílias, Donya al-Nahi é a Heroína do Deserto.

Apreciação

Embora Donya al-Nahi tenha sido muito mediatizada há alguns anos, na verdade era-me desconhecida até ler o seu livro “Heroína do deserto”. Donya é uma mulher ocidental que se converte ao Islamismo e casa com um iraquiano, vivendo em Londres com os seus quatro filhos. No seu percurso, trava amizades com pessoas de quase todo o mundo e tenta retirar o máximo partido destas para ajudar as mães que ficaram sem os seus filhos. A sua história enquanto “heroína do deserto” ou “raptora profissional”, como é tratada no Dubai onde é presa durante um dado período de tempo, começa quando conhece uma mulher em Londres que viu a sua filha raptada pelo pai e levada para a Líbia. Num momento impulsivo, Donya dá por si a voluntariar-se para ir buscar a criança, independentemente das consequências e dos meios necessários para atingir o fim. Na sua opinião, nenhuma mãe deve viver sem os seus filhos. Assim começa a sua busca incessante pelas crianças raptadas pelos pais, arriscando a sua liberdade por uma causa que interioriza como sua.

Parece-me que este livro pode causar sentimentos dúbios no leitor, considerando a enorme impulsividade de Donya face a estímulos exteriores, sobretudo porque as consequências são apenas ponderadas em caso de enorme risco. Isso aliado ao facto de Donya ser, de facto, uma mulher de ideias fixas, pode pôr em causa o bem-estar da sua família e, consequentemente, dos seus próprios filhos. Se, por um lado, Donya pretende recuperar às mães as suas crianças e se enche de coragem nos momentos mais difíceis, por outro, não está nem parece querer estar ciente dos riscos verdadeiros e limita-se a seguir o seu coração de forma impulsiva.

Mas “Heroína do deserto” não é só um relato de coragem e de altruísmo. Na verdade, trata-se também de um livro que esclarece algumas dúvidas referentes ao Islamismo, pretendendo ser uma ponte para a compreensão entre diferentes culturas e religiões. Como refere a autora, o evento de 11 de Setembro veio criar uma barreira cultural que pode e deve ser quebrada com a abertura de portas em termos culturais, tradicionais e religiosos.

Ficha técnica

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 208
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892305592