O Padrinho, de Mario Puzo

Nova Iorque, anos 40. As organizações do crime debruçam-se sobre a emergência do consumo de drogas e a oportunidade da sua comercialização. Muitos antevêem na droga uma oportunidade irrecusável de expandir os lucros de uma forma nunca antes vista. Don Vito Corleone, o poderoso chefe do clã Corleone, opõe-se, dando origem a uma guerra sem tréguas entre as Famílias e à luta desesperada pelo controlo do submundo da Máfia. Brilhantemente escrito e com descrições notáveis do quotidiano de uma família mafiosa, uma obra plena de personagens inesquecíveis, que deu origem à famosa trilogia cinematográfica realizada por Francis Ford Copolla.

Apreciação

Sem dúvida que “O Padrinho” de Mario Puzo é uma obra-prima. Com adaptação cinematográfica assinada por Francis Ford Copolla, este livro é reconhecido mundialmente pelos mais variados públicos, adorado por uma legião de fãs e tido como referência quando se fala da Mafia.

A história é complexa. O enredo complica-se a cada capítulo. Começa por nos dar a conhecer a família de Don Corleone, passando pela infância do Padrinho e pelas vivências de cada um dos membros desta Mafia. Expõe facilmente a sua estrutura e oferece-nos de bandeja o respeito que a família impõe no país, mais concretamente na Nova Iorque dos anos ’40. Neste aspecto, somos contextualizados numa cidade rica viva e precária onde todos se conhecem e muitos são os segredos dos habitantes.  Os pormenores são a riqueza desta narrativa, facilitando a visualização de cada momento no desenrolar da história e engrandecendo uma obra que, só por si, é grande.

O livro divide-se em “livros”, ou partes, cada qual com enfoque num conjunto de personagens, o que confere uma grande organização à obra e ajuda o leitor a enquadrar cada personagem no seu momento e no seu local. Mesmo assim, parece-me que há passagens talvez um pouco extensas, correndo o risco de tornar a leitura maçadora com a repetição de características de algumas personagens, como o caso do cineasta que não sabe o que fazer da vida. Contudo, o fio condutor não se perde e, embora o leitor salte de Estado para Estado e entre história paralelas, facilmente Puzo nos situa com a centralização da narrativa num único local.

Nesse aspecto, embora o livro tenha dezenas de personagens, facilmente as conhecemos e acompanhamos a sua evolução na história, aceitando a sua personalidade e prevendo, até, alguns dos seus actos. A forma como Puzo as descreve e no-las introduz na narrativa é natural e imperceptível, pelo que damos por nós a “tratar por tu” toda a família Corleone e todos os associados. Por momentos, o leitor dará por si a tirar conclusões sobre a teoria da conspiração, considerando a intensidade como conhece cada uma das personagens e o seu raciocínio.

Para quem gosta de fugir a romances fáceis, “O Padrinho” torna-se uma boa escolha para uma leitura intensa. Contudo, pessoalmente a mim cansou-me um pouco e já anseava o final do livro, algo que se deveu à péssima tradução na edição publicada pela “Sábado”.  Se optarem por este livro em breve, aconselho vivamente a opção por outra edição.

Ficha técnica

ISBN: 9789722519380
Número de Páginas: 704
Encadernação: Capa mole
Data da primeira Edição: 2009