Ana e o Rei, de Margaret Landon

Anna Leonowems é uma gobernante britânica contratada em 1860 pelo rei do Sião para educar a seus filhos. Ana e o seu filho mudam-se para o palácio e experimentarão um forte choque cultural, além de enfrentarem conspirações pelo controlo do Sião.

Apreciação

Para as mini-férias, apeteceu-me ler um livro leve para me ajudar a descontrair. A minha escolha recaiu sobre “Ana e o Rei”, de Margaret Landon, e não podia ter sido melhor.

“Ana e o Rei” é um livro lançado em 1944, que serviu de inspiração para a adaptação de diversas adaptações para o grande ecrã, pelo que o seu título é facilmente reconhecível. Para mim, esta obra é um primor para quem gosta de uma leitura rica em cor, cheiros, música e efeitos decorativos, visto que a autora foi muito precisa e generosa nas descrições. De facto, das páginas de “Ana e o Rei” saltam cenários ricos da cultura e das tradições deste país, permitindo-nos não só conhecermos os seus costumes, mas conhecê-los da forma mais visual possível.

Segundo sei, a história é baseada em factos verídicos. O relato baseia-se na estadia de Anna Leonowens no Sião na segunda metade do século XIX, no âmbito do convite por parte do rei Mongkut para se tornar professora dos seus 58 filhos. A adaptação da cidadã inglesa à realidade siamesa, entre mulheres e concubinas do rei, a compreensão dos hábitos budistas e o ensinamento de ciências exactas e histórias às crianças são acontecimentos que tomam lugar num cenário político profundo, embora pouco desenvolvido, nomeadamente com a permanência do choque cultural entre a realidade vitoriana no império britânico e as leis autocráticas do Sião.

Gostei de conhecer a realidade deste país no reinado de Mongkut, sobretudo no que diz respeito à cultura e à tradição, embora também a geografia seja altamente pormenorizada, num esforço por parte da autora para nos enquadrar da forma mais precisa possível no país. Também me agradou a estrutura utilizada por Landon: o rumo da história e o objectivo da personagem não é claro, sendo o leitor convidado a embarcar uma aventura ao sabor do vento. Na verdade, Ana é influenciada pelos acontecimentos em seu torno e está permanentemente a ser guiada por factores externos, embora se trate de uma mulher com uma mentalidade muito avançada para o seu tempo, nomeadamente no que diz concerne ao relacionamento inicial quase desrespeitoso com o rei e à postura opinativa que adquire no início do relato.

Ficha técnica

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