Marina, de Carlos Ruiz Zafón

A história inesquecível que precedeu “A Sombra do Vento”. «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» Na Barcelona de 1980, Óscar Drai sonha acordado, deslumbrado pelos palacetes modernistas próximos do internato onde estuda. Numa das suas escapadelas nocturnas conhece Marina, uma rapariga audaz e misteriosa que irá viver com Óscar a aventura de penetrar num enigma doloroso do passado da cidade e de um segredo de família obscuro. Uma misteriosa personagem do pós-guerra propôs a si mesmo o maior desafio imaginável, mas a sua ambição arrastou-o por veredas sinistras cujas consequências alguém deve pagar ainda hoje. «Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, “Marina” é um dos meus favoritos.»

Apreciação

Foi com uma grande expectativa que comecei a ler “Marina”, nomeadamente porque os soberbos “Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo” dificilmente seriam superados. Contudo, foi com óptima surpresa que depressa percebi que o mais recente livro de Zafón editado em Portugal seria um êxito junto dos seus fãs, embora se trate de um registo um pouco diferente dos livros anteriores.

“Marina” conta a história de Oscar, um adolescente que vive em Barcelona no final dos anos ’70, num período muito importante da sua vida: o protagonista cruza-se com o amor pela primeira vez ao conhecer Marina, uma rapariga frágil de tez branca que vive a vida com intensidade e paixão. Quando conhece Marina, sente que toda a sua vida caminhou para aquele momento, vivendo as suas tardes com ela como se o mundo deixasse de existir e estivesse a assistir um sonho. Não fossem dois jovens curiosos, começam a detectar e a perseguir o perigo que serpenteia nas ruas de Barcelona, a partir do momento em que assistem a uma figura alta e vestida de preto visitar uma campa sem nome, num cemitério há muito esquecido. A partir desse momento, as suas aventuras levam-nos a descobrir uma cidade muito mais sombria do que parecia ser possível e a conhecer personagens intensas que os ajudarão na sua busca.

Parece-me que o livro é, todo ele, um conjunto de símbolos e de sinais que precisam de ser descodificados, a partir do qual nós poderemos extrapolar informação para uma qualquer outra realidade. Borboletas negras, caras ocultas, homens híbridos, mãos de metal, marionetas vivas, estufas vazias, teatros abandonados… Todos os elementos incluídos demonstram o esforço do autor em criar uma realidade quase paralela, onde os pés estão assentes na terra para tudo o que se move tem uma força onírica.

Como em colecções de outros autores, também em “Marina” é fácil encontrar alguns dados que se cruzam em vários livros. Zafón é abertamente apaixonado por Barcelona e continuar a recorrer a locais grandiosos e pertencentes a um imaginário quase teatral, como cemitérios, teatros e objectos artísticos e de cultura, como quadros ou livros. A tradução do livro continua a ser primorosa. Recomendo vivamente!

Ficha técnica

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 264
Editora: Planeta
ISBN: 9789896571191