Crónica dos bons malandros, de Mário Zambujal

Crónica dos bons malandros, de Mário Zambujal

“Sinto-me sequestrado por estes bons malandros. Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas. Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. Aqui se apresenta uma nova (e esmerada) edição de um livro que já galgou pelo cinema e pelo teatro e ameaça novos estrondosos cometimentos. Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino.” – Mário Zambujal

Opinião

A quadrilha de Renato, o Pacífico, dedica-se a pequenos assaltos e artimanhas em Lisboa mas, num encontro com um italiano enigmático, são desafiados a roubar jóias de uma colecção notável no Museu Gulbenkian. “Estava decidido. Assaltariam a Gulbenkian à mão desarmada, golpe de audácia como nunca se vira, nem aqui nem em parte nenhuma”.

Mário Zambujal deixa claro desde a primeira página: “Crónica dos bons malandros” não é um livro qualquer. É um retrato dos malandros portugueses de há trinta anos, um apanhado da esperteza grosseira, uma exposição da Lisboa clandestina, narrado com uma enorme ligeireza e um humor característico da malandrice.

Ao longo do livro, somos apresentados às personagens – uma de cada vez, em recorrentes flashbacks. Conhecemos as suas origens, os motivos que os levou a tornarem-se malandros e o que uniu Renato e Flávio, Marlene e Adelaide, Pedro, Silvino e Arnaldo nesta aventura memorável. Inicialmente, pensei que a história me levasse à concepção e preparação do assalto, mas depressa me apercebi que apenas nos últimos capítulos esse momento me seria revelado. Ao invés, o autor optou por nos embrenhar na vida das personagens e dotá-las de um enorme realismo, tendo como cenário a capital portuguesa na década de 80.

Couve portuguesa, sardinhas na rua, tascas escondidas e palavreado alfacinha são alguns dos elementos que tornam esta história tão amada e real, relembrando os tempos em que a vida era mais simples e a malandrice era engraçada. O sucesso deste livro deveu-se à proximidade com os lisboetas, que reviram a realidade da sua cidade em cada página, e à escrita de Mário Zambujal, que confidencia com os leitores e os convida a sentar-se à mesa com este gang. Tido como referência, este livro foi adaptado ao cinema por Fernando Lopes em 1984.

«O caso de Zambujal tem a ver com o humor, que nele é espontâneo, à flor da jornalística pele; mas não se reduz a isso: “Crónica dos Bons Malandros”, obra de estreia, é um feixe de peripécias bem urdidas, ligadas entre si quase pela mesma cumplicidade que vai proporcionar à quadrilha do Renato o roubo do século – e o flop do ano. (…) Aí ganha Zambujal esta sua primeira partida, juntando-lhe oportunamente aquele q.b. de subversão linguística sem o qual continuaríamos hoje lendo, tristes, as prosas anterianas de Figueiredo dos anos 10.» – Fernando Assis Pacheco

Ficha técnica

Editora: Clube do Autor
Data de lançamento: Abril 2011
ISBN: 9789898452320
Nº Páginas: 148
Encadernação: Capa Mole