45 days book challenge – considerações finais

Não há dúvida que os últimos 45 dias foram interessantes, sobretudo porque salvo algumas batotas me liguei ao blog diariamente. Achei o desafio interessante por ser extenso e se prolongar bastante no tempo, o que permitiu alguma fidelização por parte dos leitores (e a minha noutros blogs). Gostei de muitas das perguntas, por possuírem um carácter muito diverso e por me levarem a relembrar alguns dos livros de que mais gostei. Naturalmente, muitas obras foram deixadas para trás, o que não significa necessariamente que sejam menos importantes ou de menor qualidade. Nesse aspecto, as minhas respostas apontam tendencialmente para os livros “top of mind” ou que têm um lugar mais visível na estante. Por outro lado, lamentei que fossem excluídas questões sobre edições, autores e, mesmo, acontecimentos no desenrolar da trama, e que se desse lugar a perguntas sobre o cenário onde gostaria de viver ou com quem personagem me envolveria. Na minha opinião, essas perguntas são de carácter pessoal e não contribuem em muito, ou em nada, para a discussão sobre livros, autores e carreiras. Mas sim, o balanço é positivo e fico a aguardar por outro desafio deste género. Aconselho a resposta ao desafio, quanto mais não seja para reviver as “nossas” histórias!

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Dia 45 – Próximo livro a ler: O príncipe da neblina, de Carlos Ruíz Zafón.

Dia 44 – Último livro lido: Maria Adelaide Coelho da Cunha: Doida não e não!, de Manuela Gonzaga.

Dia 43 – Livro que marcou a minha infância: Os livros que mais li na minha infância foram os da Condessa de Ségur, alguns dos quais ainda tenho hoje e que recordo com muita nostalgia.

Dia 42 – Livro que adorava e agora detesto: Não me lembro de nenhum em particular.

Dia 41Livro que é um “guilty pleasure”: “Paixão pelo chocolate”, de Adriana Ortemberg.

Dia 40 – Autor cujo talento invejo: Não invejo, mas tenho uma admiração especial pela escrita pouco convencional de José Saramago.

Dia 39 – Livro que custou a ler: Mundo sem fim, de Ken Follett.

Dia 38 – Livro para os dias solarengos: Para dias de sol, bem quentes e cheios de luz, gosto de literatura intensa.

Dia 37 – Livro para os dias chuvosos: Gosto de literatura ligeira em dias cinzentos, para contrastar com o ambiente melancólico que se faz sentir da janela para fora. Um romance biográfico, talvez.

Dia 36 – Personagem literária que não quereria encontrar num beco: Begbie (Trainspotting, de Irvine Welsh).

Dia 35 – Personagem literária a quem escreveria um livroChristiane F., protagonista d'”Os filhos da droga“. Uma lutadora e sobrevivente que tem sido uma inspiração para milhões de pessoas.

Dia 34Personagem literária que merecia um livro só dela: Fermín Romero de Torres, d'”A Sombra do Vento“, de Carlos Ruíz Zafón.

Dia 33 – Personagem literária com a qual teria “one-night stand”: Ver resposta do dia 32.

Dia 32 – Personagem literária com a qual teria uma relação amorosa estável: Sei que este desafio é descontraído e livre de ligações com entidades formais, pelo que é natural que as perguntas fujam a elementos mais técnicos ou úteis para se aproximarem de conversas informais e opinativas, mas a única resposta que tenho para esta pergunta é: O quê??

Dia 31 – Personagem literária que nunca deveria ter sido criada :Não percebo a questão, de tão irrelevante que é. Todas as personagens têm um papel fundamental no enredo…

Dia 30 – Personagem literária que admiro – Em termos de personagens fictícias, gosto do percurso profissional de Nina Revskaya (O Inverno Russo, de Daphne Kalotay) e da força com que a personagem persegue o sonho de se tornar bailarina profissional, independentemente da dor emocional e física a que se submete durante toda a sua vida.

Dia 29 – Personagem literária com quem trocaria de lugar – É suposto levar esta pergunta a sério?

Dia 28 – Personagem literária que adoro odiar – Esta é outra daquelas perguntas paradoxais, para além de ser demasiado extremista dizer que “odeio” uma personagem. A personagem por quem tenho alguma inimizade, devido à sua postura mais do que indelicada e repugnante, mas por quem não posso deixar de achar uma certa piada pela forma como reflecte uma visão fria e realista da vida e do ser humano, é a mãe de Teresa (Insustentável leveza do Ser, de Milan Kundera).

Dia 27 – Personagem literária que mais odeio: “Odeio” é uma palavra muito forte, mas há uma personagem que me enerva particularmente (embora o intuito seja esse, visto ser o elemento que despoleta a intriga). Trata-se de Briony Tallis (Expiação, de Ian McEwan).

Dia 26 – Personagem literária que gostaria de conhecer: O autor e protagonista d'”A terceira visão“, Lobsang T. Rampa.

Dia 25 – Personagem literária favorita: Pergunta difícil. Gosto de várias, cada uma à sua maneira. Quanto mais tridimensionais, melhor!

Dia 24 – Personagem literária mais parecida comigo: Já encontrei personagens com características semelhantes às minhas, mas penso que nunca encontrei uma que realmente se parecesse comigo.

Dia 23: Livro que espelha a minha vida: O meu diário?

Dia 22: Autor(a) favorito(a): Não consigo destacar só um, por uma questão de justiça para com os meus autores de eleição.

Dia 21: Melhor citação (descrição): Há passagens de que gosto particularmente, mas copiá-las para o blog seria um processo muito moroso, devido à sua extensão. As que gostaria de destacar são a descrição do período de espera dos soldados ingleses na praia, do livro “Expiação” (Ian McEwan) e a descrição do protagonista d'”O Muro” (Jean-Paul Sartre), quando relata a troca de olhares entre ele e a sua amada, quando o vai visitar à prisão.

Dia 20: Melhor citação (diálogo): Não se trata de um diálogo mas é, sem dúvida, a melhor fala de sempre. My only love is my only hate. Too early seen unknown and known too late. What prodigious birth of love is this to me, that I must love a loathed enemy? Juliet, in Romeo & Juliet (William Shakespeare).

Dia 19: Livro em cujo universo habitaria: Não respondo.

Dia 18: Livro para o qual escreveria uma sequela: O historiador, de Elizabeth Kostova. A história teve um bom ponto final, mas o tema daria ainda muito que escrever.

Dia 17: Livro inspirador: Muitas vidas, muitos mestres, de Brian Weiss.

Dia 16: Livro perturbante: O muro, de Jean-Paul Sartre.

Dia 15: Livro hilariante: Caim, de José Saramago.

Dia 14: Livro comovente: A solidão dos números primos, de Paolo Giordano.

Dia 13: Sequela que nunca deveria ter sido impressa: Em termos narrativos (se a história deveria ter terminado num determinado ponto), não me lembro de nenhuma sequela. Acho que todos os livros têm uma razão de ser, quanto mais não seja em termos de realização do autor.

Dia 12: Saga favorita: A colecção Roma Sub Rosa, de Steven Saylor.

Dia 11: Livro que não consegui acabar: O diário de Maria von Trapp, de Maria Augusta von Trapp.

Dia 10: Livro mais curto que já li: Não sei.

Dia 9: Livro mais longo que já li: Mas os livros medem-se aos palmos?

Dia 8: Livro tão mau, tão mau, mas tão mau que consegue ser bom: O paradoxo desta pergunta é como o do tempo: impossível.

Dia 7: Livro que desiludiu: Mundo sem fim, de Ken Follett.

Dia 6: Livro mais vezes lido: Filhos da droga, de Christiane F.

Dia 5: Livro que levaria para uma ilha deserta: A mais completa enciclopédia de todas.

Dia 4: Livro sobrevalorizado: A colecção de Paulo Coelho. Altamente vendáveis pela facilidade de leitura, estes livros têm “mel” e apaixonam pessoas por todo o mundo. Li os que havia para ler há uns anos, de uma assentada, e senti-me muito desiludida. Em questão de livros moralistas, de auto-reflexão e sobre a natureza humana, opto por Jean-Paul Sartre, Franz Kafka e Milan Kundera.

Dia 3: Livro subvalorizado: Esta pergunta, como outras tantas do desafio, é pouco clara. Como retirar ou atribuir importância a um livro? Estamos só a falar de livros contemporâneos ou consideraremos também clássicos, cujo lançamento e (in)sucesso não acompanhámos? O livro é subvalorizado pelas editoras, pelos leitores ou – tenho de acrescentar – pela blogosfera?

Depois de algumas horas em torno desta questão, decidi optar pel'”O diário de Zlata“, de Zlata Filipovic. Este tipo de registo é altamente reconhecível pelo “Diário“, de Anne Frank, que impressionou milhões de pessoas por todo o mundo, mas aparenta ser subvalorizado quando nos referimos à narração desta jovem de Sarajevo, por ter alcançado um universo menor de leitores.

Dia 2: Livro detestado: Eu não detesto livros. Se não gosto, não leio.

Dia 1: Livro preferido: Escolher um livro de entre os que já li não é tarefa fácil, porque tenho uma lista vasta com os títulos de que mais gosto. As emoções que despoletaram, as ideias que originaram e as interferências que provocaram destacam os que refiro abaixo, mas seria injusto não referir que há outros livros com elementos extraordinários. Os preferidos são:

A terceira visão, de Lobsang T. Rampa

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

Muitas vidas, muitos mestres, de Brian Weiss

O muro, de Jean Paul Sartre

Os filhos da droga, de Christiane F.

Os pilares da Terra, de Ken Follett

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À semelhança de outros blogs (Página a página, Tantos livros tão pouco tempo e Ler por aí, entre muitos outros), decidi aceitar o desafio “45 days book challenge”, onde vou partilhar a minha opinião sobre livros que considero bons, maus, assim-assim; personagens deliciosas e odiosas; citações e afins.

Como tantos outros bloggers fizeram questão de esclarecer, também deixo a ressalva: são opiniões formadas de acordo com o meu gosto literário e as minhas vivências. Espero que este desafio seja (ou continue a ser) uma boa oportunidade para partilhar leituras!