As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne, de Steven Spielberg

Depois de, numa feira de antiguidades, encontrar uma réplica de um velho barco designado de “Licorne”, o destemido Tintin (Jamie Bell) é arrastado para uma grande aventura em busca de algo inesperado. Ao investigar aquela miniatura, descobre o mapa de um tesouro muito antigo, frustrando os planos de Ivan Ivanovich Sakharine (Daniel Craig), um salteador que está convencido de que o jovem se terá aliado ao velho pirata Rackham. Com a ajuda de Milou, o seu fiel amigo de quatro patas, do capitão Haddock (Andy Serkis, o Gollum da trilogia “O Senhor dos Anéis”), um lobo-do-mar de péssimo feitio, e da dupla Dupond e Dupont (Simon Pegg e Nick Frost), dois polícias desastrados mas cheios de boas intenções, o repórter vai atravessar desertos e tempestades, na busca de um navio afundado, comandado por um antepassado de Haddock, que contém um valioso tesouro e uma terrível maldição.

Apreciação

Em “As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne”, Steven Spielberg mostra-nos o que melhor sabe fazer: contar histórias. Depois de meses (ou quiçá, um ano ou dois) de antecipação, finalmente a obra digital de Spielberg e de Peter Jackson chega ao grande ecrã, para grande gáudio dos fãs da saga de Tintim, que tem décadas de existência.

Este filme não se resume apenas às aventuras do jovem jornalista em torno do mistério do Licorne. Na verdade, o filme é uma grande conjugação dos livros “O caranguejo das tenazes de ouro”, “O tesouro de Rackham, o Terrível” e “O segredo do Licorne”, apresentando-nos fielmente o cerne dos livros, o espírito aventureiro do protagonista e a importância das personagens (algumas pouco) secundárias. São inúmeras as referências à obra literária, através da inclusão de pequenos elementos cénicos que nos transportam novamente para as páginas, como notícias publicadas sobre feitos de Tintim ou mesmo uma caricatura sua feita na feira de antiguidades.

Por outro lado, é impressionante o trabalho desenvolvido em termos de CGI (efeitos visuais). Quem leu os livros de Tintim e os conhece de trás para a frente conseguirá reconhecer as personagens sem que uma palavra seja proferida. Na verdade, as personagens do filme estão tão parecidas com as do livro que se pode dizer que os bonecos ganharão, literalmente, vida. Não me refiro só às principais, porque Tintim, Haddock e o Dupont e Dupont estão francamente parecidos, mas também ao carteirista e ao vendedor da feira de antiguidades (“Segredo do Licorne”), à tripulação no navio (“Caranguejo das tenazes de outro”), à vizinha de Tintim, a Castafiore e a Nestor. A esta fealdade junta-se o enorme realismo, o qual tem de se agradecer grandemente a Peter Jackson, mestre de efeitos especiais desde o início da sua carreira, que aplicou a técnica de performance capture: os actores interpretaram os papéis e só depois trataram as imagens com técnicas digitais de animação. O resultado é um filme de animação rico em pormenores com um enorme carácter de realismo, que deve ser apreciado em alta definição e em 3D para detectar e apreciar cada elemento.

Fiquei apenas desiludida com o idioma, por considerar que Tintim ganha muito mais vitalidade em francês (eu, tal como muitas pessoas, cresci conhecendo o Tintim francês) e por ter tido alguma dificuldade, no início do filme, em acompanhar os nomes que os norte-americanos utilizam para se referir às nossas personagens e locais: Milu é “Snowy”, Dupont e Dupont são “Thomson and Thompson”, Moulinsart é “Marlinspike”, entre outros. Mesmo assim, e depois de ultrapassada a barreira linguista, “As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne” é altamente recomendado! Aguardo ansiosamente a versão em DVD para rever o filme e conhecer ao pormenor todos os extras. It’s a keeper!

Ficha técnica

País: USA | New Zealand
Idioma: Inglês
Data de lançamento: 27 Outubro 2011 (Portugal)
Local de filmagens: Wellington, New Zealand
Duração: 107 min