O príncipe da Neblina, de Carlos Ruíz Zafón

O primeiro livro da trilogia Neblina. Um diabólico príncipe que tem a capacidade de conceder e realizar qualquer desejo… a um preço muito elevado. O novo lar dos Carver, numa remota aldeia da costa sul inglesa, está rodeado de mistério. Respira-se e sente-se a presença do espírito de Jacob, o filho dos antigos donos, que morreu afogado. As estranhas circunstâncias dessa morte só se começam a perceber à medida que os jovens Max, a irmã Alicia e o amigo Roland vão descobrindo factos muito perturbadores sobre uma misteriosa personagem de seu nome… o Príncipe da Neblina.

Apreciação

“O príncipe da neblina” é o primeiro romance de Carlos Ruíz Zafón, escrito em 1993, que apenas agora foi editado em Portugal. Dito isto, e considerando os êxitos que o autor lançou entretanto – como “A sombra do vento” ou “O jogo do anjo” – é difícil fugir à desilusão. Esperava um romance literário robusto, complexo e apaixonado mas, na verdade, “O príncipe da neblina” fica um pouco aquém das expectativas por nos mostrar uma escrita um pouco imberbe de Zafón, que apostou no início da sua carreira na literatura juvenil.

É verdade que os seus livros, ao longo do tempo, têm girado em torno maioritariamente de personagens jovens e apaixonadas. Contudo, em “O príncipe da neblina” o autor dá-nos a conhecer um mundo místico, pleno de mistérios e de elementos característicos de histórias de terror de festas de pijama (não lhes retirando o mérito, obviamente), contrariamente aos enredos lineares marcados pela inspiração, paixão e, até, tragédia a que nos habitou nas suas incursões a Barcelona.

Considerando esta certa imaturidade, quiçá proveniente da inexperiência literária, o livro não deixa de ser interessante. Fala-nos de uma família que se muda para uma casa cheia de mistérios, cujos filhos mais velhos, no início da adolescência, se deixam tentar pela curiosidade. Depois de “espreitarem por fechaduras” e de trocarem palavras conspiradoras com um rapaz da aldeia, os jovens mergulham numa aventura à beira-mar: praia, faróis, pontões, navios, maresia, algas e banhos de noite não faltam.

Estes são alguns dos elementos que nos permitem localizar perfeitamente o tipo de local onde a acção se passa, o que nos demonstra mais uma vez a capacidade de descrição do autor, com recurso a poucas palavras. Contudo, não encontramos descrições intensas, personagens ricas ou segredos enigmáticos que as movem, mas apenas um “fio solto” encontrado por um rapaz curioso que persegue a resposta às suas dúvidas de forma insistente, com coincidências dramáticas e histórias de arrepiar. “O príncipe da neblina” é, parece-me, um bom ponto de partida para os leitores mais jovens que querem iniciar a sua viagem com Zafón.

Ficha técnica

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 208
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896572198