Quando os livros ficam a meio

Não é um tema inédito na blogosfera e em discussões amenas à hora do café, mas a verdade é que há opiniões muito diversas sobre a interrupção de um livro a meio.

Por princípio, até recentemente eu nunca deixava um livro a meio. Podia não gostar, considerar a leitura chata, pensar que o livro seguinte que me esperava na mesa de cabeceira seria muito mais cativante, achar que a história não tinha ponta por onde se pegasse mas, por princípio e teimosia, não deixaria de o ler até ao fim. Esta postura face aos livros que tenho na mão deve-se ao enorme respeito que lhes tenho. Aliás, trata-se da mesma maneira como os encaro nas livrarias: abro-os, folheio-os, cheiro-os, mas fecho-os novamente, passo-lhes a mão na capa e coloco-os novamente na prateleira. Respeito-os pelo que simbolizam, pelo que ensinam, pelo esforço levado a cabo pelos autores, pelas editoras e por todos os envolvidos.

Há um tempo, li um livro sobre irracionalidade no quotidiano, que conta com a participação de psicólogos – entre outros profissionais – para se desvendarem alguns comportamentos no dia-a-dia que são irracionais, até serem encarados e compreendidos. O exemplo que me despertou a atenção e que, de certa forma me abriu os olhos, foi a ida ao cinema para vermos, por mero acaso, um filme perfeitamente odioso e que, por assumirmos que seria um desperdício deixarmos o filme a meio, o vemos até ao fim. Errado! Diz o autor que esta atitude é, em grande parte, irracional. Para quê vermos um filme de que não gostamos, mesmo que já esteja pago? Pagámos o filme, está pago. Esse dinheiro pode ser dado como perdido, pelo que a solução mais sensata seria arrumarmos esse assunto, levantarmo-nos da cadeira e fazer algo mais útil ou, no mínimo, mais agradável.

Foi este exemplo, claríssimo, que me abriu os olhos para a postura que tenho com os livros. Adoro ler, respeito os autores, quero mergulhar em novas histórias e realidades, mas percebi que é um desperdício de tempo continuar a ler apenas porque sim. Aliás, o facto de me ter registado recentemente no Goodreads ajudou-me a reforçar esta postura: por ter organizado os meus livros nesta estante virtual e por ter acesso a recomendações e livros que me eram desconhecidos até ao momento, prefiro mergulhar intensamente na leitura e ler tantos quando puder!

Sobre o livro em questão: Já o li há bastante tempo no contexto profissional, mas não me recordo do título. Penso que terá sido o Sway, the irresistable pull of irrational behaviour, de Ori Brafman e Rom Brafman.

Sinopse: Why are we more likely to fall in love when we feel in danger? Why would an experienced pilot disregard his training and the rules of the aviation industry, leading to the deadliest airline crash in history? This book lets you discover the answers.

Podem comprá-lo aqui.

Ficha técnica:

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 224
Editor: Ebury Press
ISBN: 9780753516829
Idioma: Inglês