Ler nos transportes públicos

Quem anda de transportes públicos percebe claramente do que se trata: no meio do reboliço de pessoas, travagens, barulho, vozes, empurrões e transporte de casacos, malas e guarda-chuvas, os livros tornam-se um escape incomparável.

Se lemos, a confusão à nossa volta desaparece e, com alguma concentração, conseguimos mergulhar na história sem interrupções. Em vez de procurar um sítio para onde olhar, evitando o contacto visual com as pessoas à nossa frente quando pensamos em algo disparatado, abrimos as páginas e tentamos esquecer tudo o que se passa à nossa volta, tentando simultaneamente não perder o fio à meada da viagem, de forma a não perdermos a nossa paragem.

Se não lemos e vemos alguém próximo a ler, é inevitável pensar sobre que livro se tratará. Será que já li? Ah sim, já sei qual é. A julgar pela quantidade de páginas que leu, deve estar mais ou menos na altura em que o protagonista desvenda o segredo. Ou, não sei qual é. Será interessante? Vou tentar lembrar-me do nome para, quando chegar a casa, ir espreitar o livro à Internet. Ou ainda, a Maria falou-me deste livro. Não é bem o meu género, mas deve ter algo de especial para tantas pessoas o terem na mão. Serei eu que sou resistente a esse género literário? Nah, gosto mais de romances históricos. E quem sabe, porque é que há pessoas que escondem a capa do livro por baixo de uma capa de papel feita à mão? Percebo que queiram proteger o livro nestas andanças, mas o que será que ele está a ler? Vou tentar espreitar.

Imagens daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui.