Tema a tema – Mudança

Tema a temaAproxima-se o final do ano e os ânimos exaltam-se: o pé direito fica no chão, os braços levantam os copos, as vozes fazem a contagem decrescente e um novo ano começa. Há quem aproveite a ocasião para mudar de hábitos e listar novos objectivos para os próximos 12 meses; por outro lado, há simplesmente quem mude. A qualquer momento, por qualquer motivo e como lhe aprouver. A outro nível, muda a conjuntura, muda o mercado, muda a mentalidade, muda o quotidiano. A mudança está patente. E qualquer oportunidade é boa para acompanhar ou avançar com uma mudança, porque não há nada mais refrescante.

Purga, de Sofi Oksanen

Em 1992 a União Soviética desmorona-se, e na Estónia é possível por fim saborear a liberdade e projectar o futuro. Todos migram para a capital e ninguém quer viver no campo. Ficam apenas os velhos, alguns bêbados e bandos de rapazes desordeiros. Aliide Truu, senhora idosa, vive alheada do mundo na sua casa numa aldeia despovoada, e passa os dias a ouvir rádio e fazer conservas de fruta. A aparente normalidade da sua existência é despedaçada numa noite de fim de Verão, quando a sua vida se cruza com a de uma jovem mulher que precisa desesperadamente da sua ajuda. Zara conta que trabalhava como empregada de mesa, e que anda fugida do marido violento. Nada disto é verdade. Ao inventar uma história para si, Zara espera conseguir esquecer o passado. Ao oferecer abrigo a Zara, também Aliide terá de confrontar o passado nebuloso, carregado de paixões, traições e vinganças. Para poderem sobreviver, ambas as mulheres terão de enfrentar e aceitar a verdade da sua história. E só então poderão também descobrir os inesperados laços que as unem. As vidas de Zara e Aliide, e das gerações de mulheres que representam, desdobram-se sobre o pano de fundo da ocupação soviética da Estónia e compõem um mosaico da sociedade europeia dos últimos cinquenta anos: a repressão política, o tráfico humano, a violência sobre as mulheres. É diante deste inquietante cenário que a vida fervilha e se desenrola um incrível drama familiar, pleno de rivalidade, culpa, desejo e amor.

Emigrantes, de Shaun Tau

Emigrantes em busca de um futuro melhor, refugiados políticos, deslocados de guerra… Esta novela gráfica sem palavras de Shaun Tan e uma magistral homenagem a todos aqueles que empreenderam uma viagem, física e existencial, definitiva nas suas vidas. O protagonista de “Emigrantes” deixa o seu lar e a sua família, uma cidade mergulhada na crise, e acolhido por um pais onde enfrenta uma língua desconhecida, costumes diferentes e incertezas. A obra plasma também a nostalgia pelos entes queridos, as experiencias de outros emigrantes, o duro processo de adaptação a nova realidade, a passagem do tempo e a hospitalidade da povoação. O autor privilegia o desenho sobre a palavra, deixando as imagens falarem por si mesmas. Trata-se de ilustrações sem cor, em tom de sépia, evocando fotografias antigas, e de um surpreendente realismo que se mescla com a fantasia e a metáfora visual. Planos panorâmicos assomam entre a sucessão de vinhetas, as sequências narrativas jogam com o presente e o passado.

A evolução para todos, de David Sloan Wilson

Qual a razão biológica dos mexericos? E do riso? E da criação de arte? Porque é que os cães têm caudas enroladas? O que nos podem dizer os micróbios sobre a moral? Estas e muitas outras questões são abordadas pelo célebre evolucionista David Sloan Wilson em Evolução para Todos, uma obra inteligente e inovadora. Com histórias tão cativantes como informativas, Wilson descreve os princípios básicos da evolução e mostra como, se devidamente entendidos, estes princípios podem lançar luz sobre todos os aspectos da criação, desde a origem da vida à natureza da religião.

Como nos elucida Wilson, a evolução não se limita aos dinossauros e à origem do homem: ela explica as razões pelas quais todas as espécies se comportam de determinada forma, desde escaravelhos que devoram as crias a abelhas que funcionam como um cérebro colectivo e a cães que são mais inteligentes em alguns aspectos do que os nossos parentes símios mais chegados. Os princípios evolutivos básicos são também o fundamento da capacidade humana para o pensamento simbólico, a cultura e a moral.

Por vezes intensa, provocadora, e ousadamente divertida, a obra A Evolução para Todos aborda algumas das questões sociais e filosóficas mais profundas desta ou de qualquer época. Ao ajudar-nos a entender de uma forma mais completa os seres humanos e o seu lugar no mundo, poderá também ajudar-nos a melhorar esse mesmo mundo.

«[Evolução para Todos] é um contributo notável. Nenhum outro autor conseguiu combinar o domínio total de uma matéria com uma explicação tão clara e interessante do seu significado para o autoconhecimento humano. Tendo como público-alvo o leitor não-especializado e, no entanto, rica em ideias suficientemente originais para cativarem intelectuais, esta é verdadeiramente uma obra para a nossa época.»

Google – O Fenómeno que Está a Mudar o Mundo, de Mark Malseed e David A. Vise

Google – O Fenómeno que Está a Mudar o Mundo é uma obra sobre a história do Google que descreve a empresa, desde o percurso dos seus fundadores, Larry Page e Sergey Brin, quando ainda eram estudantes, até aos últimos lançamentos como a Google Earth e as perspectivas para o futuro mais ou menos imediato. Diariamente 64 milhões de pessoas utilizam o Google em mais de uma centena de línguas gerando biliões de pesquisas por informação generalizada. David Vise e Mark Malseed, jornalistas do Washington Post entrevistaram mais de 150 pessoas, incluindo trabalhadores do Google, analistas de Wall Street e professores de Stanford, para criarem um retrato completo, documentado e fidedigno sobre aquela que é hoje a quarta empresa na bolsa americana. Em apenas dez anos, o Google passou de mais um sítio na Internet para uma empresa com um valor de mercado de 80 biliões de dólares. Neste livro, a ascensão do gigantesco motor de busca por todo o mundo é contada tanto do ponto de vista da organização como através da perspectiva humana do fenómeno que se imortalizou como um caso sociológico.

De que cor é o seu pára-quedas?, de Richard N. Bolles

De que cor é seu pára-quedas? é o principal guia mundial sobre como encontrar emprego, preparar-se para abandonar o cargo que ocupa e/ou para mudar de carreira. Em constante actualização, este manual é um sucesso há três décadas e continua a liderar as listas de vendas. Com mais de 10 milhões de exemplares vendidos, traduzido para 20 línguas em todo o mundo, De que cor é seu pára-quedas? é a ferramenta que irá ajudar aqueles que procuram oportunidades de emprego nestes tempos difíceis. As suas informações podem ajudar a salvar vidas e são fundamentais se vai entrar ou regressar ao mercado de trabalho. Richard N. Bolles, guru da gestão de carreiras, ajudá-lo-á a encontrar o seu emprego ideal. O autor pergunta: Quais as capacidades que mais gosta de usar? E em que área prefere usá-las? Sabe como pode encontrar emprego sem depender de agências e anúncios? De que cor é seu pára-quedas? não é só sobre encontrar um emprego. É sobre encontrar sua paixão. Nas palavras da revista Fortune: «De que cor é seu pára-quedas? é o padrão mais elevado no que toca aos guias de carreira.» Este título esteve na lista de best-sellers do New York Times durante 288 semanas.

Século XXI – A Europa em Mudança, de Mark Leonard

Mark Leonard, um jovem pensador sobre política externa, escreveu uma obra de grande actualidade que versa sobre o destino económico da Europa e as suas relações com os Estados Unidos da América. Neste livro, Leonard demonstra como a divisão de interesses na Europa lhe tem proporcionado cada vez mais vitórias, contrariamente ao que acontecia no passado em que o poder era visto em termos de hegemonias unitaristas. Observa-se uma crescente defesa dos valores e do modelo de relações entre países desenvolvidos pela Europa face aos Estados Unidos. Uma obra que surge como tentativa de avaliar tendências em termos de liderança mundial para o presente século. De consulta incontornável.

Meia Hora Para Mudar a Minha Vida, de Alice Vieira

Ela ficou a olhar para o carro, até que ele desapareceu ao fundo da rua. Depois correu para casa abriu a porta, atravessou o corredor, entrou no quarto, abriu a gaveta, encontrou a agenda. Teclou o número no telemóvel.
Ela sabe que vai finalmente regressar a casa. Diz-se muitas vezes que a nossa vida é um palco. No caso de Branca, que nasceu no meio de uma enorme salva de palmas, a expressão é mesmo para ser levada à letra —como, mais tarde, ela acabará por perceber.

Excerto – O Efeito do Tempo e a Mutabilidade das Coisas

Deveríamos ter sempre diante dos olhos o efeito do tempo e a mutabilidade das coisas, por conseguinte, em tudo o que acontece no momento presente, imaginar de imediato o contrário, portanto, evocar vivamente a infelicidade na felicidade, a inimizade na amizade, o clima ruim no bom, o ódio no amor, a traição e o arrependimento na confiança e na franqueza e vice-versa. Isso seria uma fonte inesgotável de verdadeira prudência para o mundo, na medida em que permaneceríamos sempre precavidos e não seríamos enganados tão facilmente. Na maioria das vezes, teríamos apenas antecipado a acção do tempo. Talvez para nenhum tipo de conhecimento a experiência seja tão imprescindível quanto na avaliação justa da inconstância e mudança das coisas. Ora, como cada estado, pelo tempo da sua duração, existe necessariamente e, portanto, com pleno direito, cada ano, cada mês, cada dia parecem querer conservar o direito de existir por toda a eternidade. Mas nada conserva esse direito, e só a mudança é permanente.Prudente é quem não é enganado pela estabilidade aparente das coisas e, ainda, antevê a direcção que a mudança tomará. Por outro lado, o que via de regra faz os homens tomarem o estado provisório das coisas ou a direcção do seu curso como permamente é o facto de terem os efeitos diante dos olhos, sem todavia entender as suas causas. Mas são estas que trazem o germe das mudanças futuras, enquanto os efeitos, únicos existentes para os olhos, nada contêm de parecido. Os homens apegam-se aos efeitos e pressupõem que as causas desconhecidas, que foram capazes de produzi-los, também estão na condição de mantê-los. Nesse caso, quando erram, têm a vantagem de fazê-lo sempre em uníssono. Sendo assim, a calamidade que, em decorrência desse erro, acaba por atingi-los, é sempre universal, enquanto a cabeça pensante, caso erre, ainda permanece sozinha. Diga-se de passagem que temos aqui uma confirmação do meu princípio de que o erro nasce sempre de uma conclusão da consequência para o fundamento.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’