Cinco à quinta

Cinco à quintaQue tipo de leitura prefere? Gosto mais de prosa que de poesia. Acho que me falta qualquer coisa para compreender a maioria dos poemas que já li. Há meia dúzia que já fazem parte de mim (quase todos de José Régio, do livro Poemas de deus e do diabo) mas confesso que leio pouca poesia. De resto leio tudo, mas gosto especialmente de romances históricos e fantasia. Se bem que uma biografia de alguém interessante é sempre bem vinda. Acho que depende do dia e do humor. Há dias para livros fáceis, leves. Há dias para ler livros que nos fazem chorar, outros para aprender, outros para entrar em mundos completamente alternativos.

O que procura quando escolhe um livro? Ler é um prazer, mas não posso menosprezar a compra de um livro. Adoro entrar numa livraria e procurar o livro certo para aquele momento. Posso querer repetir uma boa experiência escolhendo um livro de um autor de que gosto ou querer descobrir novos autores escolhendo o livro pela capa ou pelo título. Com a quantidade de livros por ler que tenho em casa (na sua maioria “cortesia” da revista Sábado) tento comprar apenas aqueles livros que sei que tenho que ler.

O que admira num autor? A capacidade de envolver os leitores na história que conta. A fluidez na escrita. A versatilidade. Adoro um bom contador de histórias. Acho que se pode aprender a escrever com correcção, com palavras mais ou menos “caras” mas que o talento para contar uma história é inato e é o essencial para fazer de um escritor alguém muito especial.

O que pensa dos hábitos de leitura dos portugueses em geral? Acho que os portugueses gostam cada vez mais de comprar livros, de os oferecer e de enfeitar as estantes lá de casa com eles. Lê-los já é outra história.

A quantidade de livros disponíveis para as crianças não parece ter aumentado desde a minha infância, o que é estranho. Os best-sellers continuam a ser os mesmos: os cinco, as gémeas, Uma aventura. De diferente há o fenómeno Geronimo Stilton que me parece interessante e adequado para um miúdo de 7 anos. O que vejo já miúdos de 10 e 11 a lê-los o que me mostra claramente que há uma falha enorme na capacidade de leitura dessa faixa etária. As escolas, no meu ponto de vista, não souberam evoluir e adaptar-se à actualidade alterando as obras de leitura obrigatória de forma a fomentar o gosto pela leitura e não o contrário. E lamento, mas nem Os Maias nem O Memorial do Convento são “O” livro que mostra a um jovem que ler pode ser uma experiência fantástica.

Há uma enorme oferta de livros. Infelizmente a qualidade não abunda. Tenho a sensação que se escreve a “metro” e que se lê da mesma maneira. E que não há evolução de livro para livro. A receita é sempre a mesma, as histórias cada vez mais semelhantes. Claro que há livros fantásticos, maravilhosos, daqueles que se vão tornar clássicos. E há sempre os clássicos. Mas não são esses que vendem, que são lidos. Confesso que ando a rever a minha opinião de que “não há maus livros”. E cada vez mais acho que os hábitos de leitura dos Portugueses estão a desaparecer.

Qual o seu livro preferido? Porquê? “O Salto Mortal” da Marion Zimmer Bradley. Li-o imensas vezes e fez-me companhia no ano em que entrei para a faculdade. Li-o compulsivamente. Adorei as personagens, a história. Foi o livro mais marcante da minha vida. Foi o único que quando o perdi (emprestei-o e nunca regressou) o comprei novamente apesar de já o ter lido inúmeras vezes.

Participante: Patrícia, blogger.
Site: Ler por aí

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