Tema a tema – Inverno

Tema a temaOs dias finalmente começam a crescer, mas o frio ainda agora chegou. Aproximam-se dias chuvosos, cinzentos, um pouco tristes mas, como não podia deixar de ser, não há nada que um bom livro não possa resolver. Uma manta quente, uma sala quentinha, uma chávena de chá (ou de chocolate quente hehe) e uns biscoitos são cruciais para uma tarde de sucesso na companhia de um livro. Na hora de espreitar a prateleira, porque não optar por um com um cenário invernal? É a ocasião ideal.

O Conto de Inverno, de William Shakespeare

Num compromisso estranho entre o real e a fantasia, em que a marginalidade do inverosímil não é senão a face interior e oculta das emoções e sentimentos humanos mais intensos e visíveis, “O Conto de Inverno” é igualmente o reflexo oblíquo do momento histórico que, com Jaime I, se segue ao período áureo isabelino.

Filiada no pastoralismo bucólico das tradições clássicas antigas, e seguindo os modelos híbridos da tragicomédia renascentista, “O Conto de Inverno” é sobretudo uma história de amor que atravessa as coordenadas dos tempos e das idades, pondo à prova homens e mulheres na teia complexa dos seus relacionamentos, em tudo o que estes têm de mais digno ou ignóbil. É uma história de ciúme incontido e obtuso, de crime e castigo, de paixão, de dor e de morte; mas, como convém ao género, é também uma história de final feliz, em que, pelo eterno ciclo das estações do ano, a Primavera se segue ao Inverno trazendo consigo a reconciliação e o júbilo.  Por entre as malhas do velho conto em que já ninguém acredita, entrelaçam-se os fios paradoxais da perplexidade, do encantamento e da profunda aceitação do irreal ou do apenas improvável, como a genuína tessitura do existir.

Neve, de Orhan Pamuk

Laureado com o Prémio Nobel da Literatura, Orhan Pamuk é um dos romancistas mais impressionantes do seu tempo. Pamuk afirma que não escreve para mudar o mundo, mas as suas declarações políticas são conhecidas além-fronteiras, sendo por vezes alvo de polémica como o caso do escritor ter mencionado num jornal suíço que um milhão de arménios e 30.000 curdos terão sido mortos na Turquia. A afirmação ganhou contornos de protesto internacional e Pamuk foi condenado pelo Estado turco de insulto à identidade nacional. Mas a par da consciência política, Pamuk encontra a liberdade na escrita recuperando nas suas obras invariavelmente aquela que foi por si elevada a heroína das cidades: Instambul. E é precisamente na cidade turca que vamos ao encontro de Ka, poeta e jornalista turco, que viveu alguns anos exilado em Frankfurt e que um dia decide regressar à Turquia, mais concretamente a Kars, cidade fronteiriça entre o império Otomano e o império russo. Corre o ano de 1990, e Ka tenta reencontrar-se a si mesmo, enquanto procura a mulher dos seus sonhos, que acabou de conhecer um divórcio. Ka foi incumbido de cobrir a notícia que aparece nas primeiras páginas dos jornais de Instambul e que está a chocar a nação: um grupo de mulheres cometeu suicídio por ter sido obrigada pelo Estado e pela família a abandonar o uso do véu. Debaixo de neve, Ka protagoniza uma história de amor onde a veia poética de Pamuk se materializa, ao mesmo tempo que descreve os conflitos políticos e religiosos que caracterizam a Turquia da actualidade. Um romance notável.

Considerado o melhor livro do ano pelas seguintes publicações: The Washington Post Book of the world; The Economist; The Village Voice, San José Mercury News, The Boston Globe, San Francisco Chronicle, Newsday, Chicago Tribune.

O Inverno Russo, de Daphne Kalotay

Quando Nina Revskaya, uma antiga estrela do Ballet Bolshoi, decide vender em leilão a sua famosa colecção de jóias, acredita ter por fim feito correr o pano sobre o seu passado. Em vez disso, a antiga bailarina encontra-se subjugada pelas memórias da sua terra natal e dos acontecimentos, simultaneamente gloriosos e comoventes, que mudaram o rumo da sua vida há meio século. Foi na Rússia que descobriu a magia do teatro, que se apaixonou pelo poeta Viktor Elsin, que ela e os seus amigos mais queridos – Gersh, um compositor brilhante, e a bela Vera, a sua melhor amiga – se tornaram vítimas da agressão estalinista. E foi na Rússia, que uma terrível descoberta conduziu a um acto fatal de traição – e a uma fuga engenhosa que conduziu Nina para o Ocidente, e por fim até Boston.

Nina guardou os seus segredos durante metade da sua vida. Mas duas pessoas não irão deixar o passado repousar: Drew Brooks, uma curiosa e jovem assistente de uma casa leiloeira em Boston; e Grigori Solodin, um professor de russo que acredita que um único conjunto de jóias pode conter o segredo para o seu passado ambíguo. Juntos estes companheiros improváveis começam a desvendar o mistério que envolve uma carta de amor, um poema e um colar de proveniência desconhecida, colocando em acção uma série de revelações que irão alterar a vida de todos.

Fala da Criada dos Noailles que no Fim de Contas Vamos Descobrir Chamar-se Também Séverine Numa Noite do Inverno 1975 em Hyères, de Jorge Silva Melo

Uma eterna criada evoca as ricas horas dos mecenas, os bailes loucos, a arte livre, o amor livre, o financiamento de L`Age D´Or de Luis Buñuel, tudo na altura em que se anuncia a vinda do realizador espanhol ao palacete de Hyères onde ainda vive o Conde de Noailles, mecenas que foi dos surrealistas: estamos a meio dos anos 70 e os anos loucos já se foram, com as jóias da família. Muito livremente inspirado em “O Meu Último Suspiro de Buñuel” – e nas botinas de “Diário de Uma Criada de Quarto de Buñuel”, é claro. E Séverine era a Belle de Jour do romance de Joseph Kessel de que Buñuel e Oliveira se apropriaram, maliciosos.

O Inverno em Lisboa, de Antonio Muñoz Molina

Tudo começa num quarto de hotel, em Madrid. Santiago Biralbo, um pianista de jazz, conta a um amigo a história do seu amor por Lucrécia, os seus quinze dias de paixão fulgurante, a partida inesperada de Lucrécia para Berlim… Uma ausência que impede Santiago, agora refugiado em Lisboa, de continuar a tocar a sua música. História labirintica de amor e perdição, este é também um romance que reiventa algumas das referências emblemáticas de Molina, incluindo o jazz e o cinema negro americano. Ele é, afinal, um autor em que a inspiração em modelos tradicionais vai sempre a par de um admirável sentido de experimentação.

Distinguido com o Prémio Nacional de Narrativa e Prémio da Crítica em 1988, agora traduzido em português!

Uma História de Inverno, de Beatrix Potter

Numa tarde de Inverno o Pedrito Coelho sai de casa para apanhar lenha para a mãe. No caminho encontra-se com o primo Coelho Casimiro e, mais à frente, cruzam-se com os malandros Senhora Raposa Matreira e Texugo Frederico Fedorento, que leva às costas um saco muito suspeito. É o início de uma aventura inesquecível para os nossos amigos e não só…
Uma aventura baseada nas histórias de Beatrix Potter que brinda os pequenos leitores com uma bonita árvore de Natal pop-up no fim da história!

Sugestões de Inverno:

Experimentar desportos típicos desta altura do ano.
Espreitar receitas nórdicas e surpreender os amigos.
Aconchegar a casa com decoração de Inverno.