Caderneta de cromos, de Nuno Markl

A enciclopédia definitiva sobre o que nos deliciava nos anos 70 e 80 (mais saudável do que um Granizado Fá, embora deva ter a mesma quantidade de tinta).

Em O Homem Que Mordeu o Cão, Nuno Markl contou histórias muito bizarras. Mas haverá história mais bizarra do que crescer nas décadas de 70 e 80? Dos microfones da Rádio Comercial para as páginas profusamente ilustradas desta edição, eis a Caderneta de Cromos – reunindo uma centena dos mais bombásticos e inesquecíveis cromos da nossa infância e juventude!

Uma colecção que responde a questões pertinentes como:
– Samantha Fox e Kim Wilde: Qual delas para casar? Qual delas para coiso?
– Quantas maneiras havia de comer bolachas Belinhas?
– Usar um casaco branco igual ao do Don Johnson no Miami Vice resulta na vida real quando se é caixa-de-óculos?
– De que forma os Kalkitos são uma metáfora para as relações sexuais sem amor?
– Porque é que o Fizz Limão é o D. Sebastião da indústria dos gelados?
– Como se resolve, afinal, o Cubo Mágico*?

*Gostava muito de ajudar nesta parte, mas ainda hoje não faço ideia.

Apreciação

Parece que Nuno Markl foi um dos responsáveis pela onda nostálgica que tem assolado os jovens adultos que viveram a sua infância entre os anos ’70 e ’80. Com o lançamento d'”A Caderneta de Cromos”, Nuno Markl tocou milhares de pessoas e fez renascer uma saudade bem visível e facilmente detectável. Prova-o a compilação feita no primeiro volume d'”A Caderneta”, onde podemos encontrar uma vasta colecção de brinquedos, jogos, alimentos e hábitos, entre outros, típicos daquelas duas décadas.

Por fazer parte de uma dessas gerações, não resisti a deitar a mão a este diário que remonta há tantos anos atrás. Entre celebridades da música, séries de televisão, jogos de recreio e guloseimas sazonais, dei por mim a recordar dias muito felizes na companhia dos meus amigos de escola. Tom Sawyer, cubo mágico, traga-bolas, fiz limão, kispos, ursinhos carinhosos e a competição no sector das barbies são algumas das pérolas que Markl guarda com carinho nesta caderneta, tão típica dos anos ’80 com temas de telenovela.

Gosto do tipo de humor de Nuno Markl e acompanho alguns dos seus programas há vários anos, pelo que não me surpreendeu encontrar as suas piadolas típicas no livro. Cada tema recordado ocupa duas páginas do livro, com uma breve descrição do mesmo e com longas observações do humorista: a importância que dávamos a colecções de autocolantes, a consideração dada a colegas de escolas com os brinquedos “maiores” e “de marca”, o prestígio que alguns anúncios de televisão tinham… Com um discurso quase “oral”, por sentirmos que o autor pondera frente a nós, ficamos a conhecer a infância de Markl e a imaginá-lo como aquele miúdo da turma que era sempre a cobaia nos jogos e a vítima nas brincadeiras. Durante todo o livro, o humorista centra-se nessa vitimização para atribuir um carácter mais intimista e cómico às suas reflexões, mas com o passar do tempo acaba por saturar um pouco.

Para além dos recuerdos que Markl partilha connosco, o que me conferiu algumas horas bem passadas a ler o livro, fiquei ainda surpreendida com algumas notas feitas sobre alguns jogos. As crianças vivem o dia-a-dia e normalmente não discutem os seus hábitos de lazer, pelo que descobri que havia jogos com variações bem mais marotas que eu conhecia e brincadeiras com nomes e regras diferentes. Afinal, estamos sempre a aprender!

Ficha técnica

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 224
Editor: Objectiva
ISBN: 9789896720445