Tema a tema – Barco

Tema a temaPode ser impulsionador, ajudante, o centro ou o cenário de uma história. Pode ser grande, pequeno, largo, estreito, alto ou baixo. Pode acomodar uma pessoa, duas ou trezentas. Pode incentivar o protagonista a iniciar o seu percurso ou ajudá-lo a terminar a sua viagem. Esta semana, os barcos são merecedores da nossa atenção.

O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway

“O Velho e o Mar” é, porventura, a obra-prima de maturidade de E. Hemingway. Santiago, um velho pescador cubano, minado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe. Vai então bater-se, durante quatro dias, com um enorme espadarte, que conseguirá de facto capturar, para logo o ver ser devorado por um grupo de tubarões.

Esta aventura poética, onde Hemingway retrata, uma vez mais, a capacidade do homem para fazer face e superar com sucesso os dramas e as dificuldades da vida real, é seguramente uma das suas obras mais comoventes e aquela que mais entusiasmo tem suscitado, ao longo de mais de meio século, entre os seus fiéis leitores. “O Velho e o Mar” recebeu o Prémio Pulitzer, de 1952, e, dois anos mais tarde, Hemingway obteve o Prémio Nobel da Literatura.

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

Em Auto da Barca do Inferno é possível encontrar todas as classes sociais representadas: desde os estados altos, presentes na pessoa do fidalgo, até à arraia-miúda, representada pelo sapateiro, passando pelos clérigos, na pessoa de um frade a viver em mancebia, de pecados graves, e como tal merecerem a danação a que escapam apenas o parvo (por o ser) e os cavaleiros, que ganham o Céu com o martírio.

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O Cemitério dos Barcos sem Nome, de Arturo Pérez-Reverte

Um marinheiro sem barco, desterrado do mar, conhece uma estranha mulher, que possui, talvez sem o saber, a resposta a perguntas que certos homens fazem desde há séculos. Arturo Pérez-Reverte, o autor espanhol contemporâneo mais lido no mundo inteiro, leva-nos, na companhia de Coy e Tanger, à procura do Dei Gloria, um bergantim que há mais de duzentos anos repousa nas águas profundas do Mediterrâneo. De Barcelona a Madrid, de Cadiz a Gibraltar, ao longo das costas de Cartagena, o objectivo é sempre um tesouro fabuloso, que talvez contenha a resposta a um dos grandes enigmas da história de Espanha.

Labirinho das Trevas, de Lawrence Durrell

labirinto das trevasDurante um passeio pelo Mediterrâneo, um abatimento de rochas separa alguns membros do grupo do resto dos seus companheiros, e os turistas perdem-se no dédalo obscuro de galerias que atravessa toda a montanha. A tentativa de sair do labirinto terá, resultados tão diversos como surpreendentes.

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Três Homens Num Barco (Já Para Não Falar Do Cão), de Jerome K. Jerome

Não fosse Jerome K. Jerome (1859-1927) um dos maiores vultos do humor inglês e tudo o que haveria a dizer acerca de Três homens num barco caberia na genérica etiqueta “Livro de Bordo”: estamos afinal (são estas as palavras do autor) diante o registo “fiel” das peripécias vividas por George, Harris e J. (já para não falar do cão!) ao longo de uma passeata pelas águas do imponente Tamisa. As coisas complicam-se quando o suposto relato se revela a súmula de episódios tanto mais hilariantes quanto se pretender compará-los a uma simples viagem de barco.

Publicado pela primeira vez em 1889, “Três homens num barco” foi entusiasticamente recebido na Inglaterra e nos Estados Unidos, sagrando Jerome K. Jerome mestre de gerações de profissionais da comédia. Lição de refinamento britânico com um século de idade? Apenas a prova de que hoje, como nos itinerários burgueses da Inglaterra do século XIX, o humor e a ironia são bens ao serviço de alguns males bem humanos. Curiosamente, não foi pensado como texto humorístico, muito pelo contrário: o objectivo era fazer uma descrição histórica e topográfica do Tamisa, o mais aristocrático dos rios ingleses, que Jerome adorava. Mas a graça e a frivolidade foram-se infiltrando e as passagens divertidas alcançaram tanto sucesso que, sempre que ‘os bocados históricos’ apareciam, eram cortados pelo editor de Home Chimes, que estava a publicar o texto em folhetim.

Os três protagonistas eram, há que dizê-lo, bastante genuínos: Harris era Carl Hentschel, um polaco que muita gente confundia com um alemão; George era George Wingrave; e o próprio Jerome completa o trio que costumava apanhar o comboio em Richmond para ir passar os domingos no rio. Montmorency, o cão, também existiu, e o episódio com a chaleira baseia-se num incidente real -tal como as explorações dos três homens se baseiam nas experiências de Jerome e dos seus dois amigos.

Filha de Fortuna, de Isabel Allende

Eliza Sommers é uma jovem chilena que vive em Valparaíso em 1849, ano em que se descobre ouro na Califórnia. O seu amante, Joaquin Andieta, parte para o Norte decidido a fazer fortuna, e ela decide segui-lo. A viagem infernal, escondida no porão de um veleiro, e a procura do amante numa terra de homens sós e de prostitutas, atraídos pela febre do ouro, transformam a jovem inocente numa mulher fora do comum. Eliza recebe ajuda e afecto de Tao Chién, um médico chinês que a amparará ao longo de uma viagem inesquecível pelos mistérios e contradições da condição humana. Filha da Fortuna é o retrato palpitante de uma época marcada pela violência e pela cobiça, onde os protagonistas redescobrem o amor, a amizade, a compaixão e a coragem. Neste seu ambicioso romance, Isabel Allende descobre um universo fascinante, povoado de estranhas personagens que, como tantas outras da autora, ficarão para sempre na memória e no coração dos leitores.

O Barco de Chocolate, de Cristina Norton e Danuta Wojciechowska

Os doze contos deste livro transportam-nos para universos mágicos repletos de personagens invulgares: um conto que ninguém quer ler, uma meia vaidosa sem o seu par, um barco feito de chocolate que só pode ser comido por crianças enquanto viajam nele…

Com uma escrita clara e elegante, Cristina Norton, oferece-nos estas histórias que vão maravilhar, fazer rir e pensar. Autora de romances como O Afinador de Pianos, O Segredo da Bastarda e A Casa do Sal, tem dedicado à infância uma atenção particular através das suas oficinas de escrita criativa.

Nesta edição de O Barco de Chocolate, vencedor do prestigiado Prémio Adolfo Simões Müller, acrescentou-se a beleza e fantasia das ilustrações de Danuta Wojciechowska, vencedora do Prémio Nacional de Ilustração.

Dentro e fora da literatura, o conceito aplica-se: