Cinco à quinta

Cinco à quintaQue tipo de leitura prefere? Escolho sempre um bom romance, daqueles que custa largar quando se chega à última página. Tenho lido algumas biografias mas não são a minha leitura de eleição.

O que procura quando escolhe um livro? Antes de mais o autor que já conheço e do qual sei que gosto. Se assim não for e se entrar simplesmente numa livraria para correr bancadas a ver o que há, sou puxada para “histórias viradas para dentro”, isto é, não procuro livros cujo enredo avance de forma alucinante mas sim livros em que a viagem interior se revela interessante. Se, ao folhear páginas, descubro que a escrita do autor é bonita, não penso duas vezes. Há coisas em que a beleza é fundamental.

O que admira num autor? A elegância da escrita, o detalhe do pormenor, a coragem daquilo que necessariamente revela, o “colocar-se no livro”.

O que pensa dos hábitos de leitura dos portugueses em geral? Por amostragem da realidade que me rodeia, diria que se olha mais para televisão do que para os livros, mas não conheço estatísticas a este respeito e admito poder estar errada.

Qual o seu livro preferido? Porquê? Pergunta difícil pois creio que “o meu livro preferido” (à semelhança da minha música preferida ou do meu filme preferido) tem mudado com os anos e creio que isso é bom. Se tivesse de escolher o primeiro, seria talvez “As memória de um menina bem comportada”, da Simone Beauvoir. Marcou-me como um ritual de passagem, o antes e o depois. Na idade e no momento em que o li, houve um reflexo, uma identificação pessoal com aquilo que lia. Isso é sempre um prazer acrescido do leitor. Depois desse, sucederam-se outros em diferentes fases da vida… Kundera, Garcia Marques, Vergílio Ferreira, Duras, Murakami, Lobo Antunes… é um universo sem fim. Que bom!

Participante: Leonor, blogger
Site: Outro sentido

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