The godfather, Francis Ford Coppola

Baseado no romance best-seller de Mário Puzo, o filme acompanha o patriarca da família mafiosa Corleone e toda a ascensão do clã siciliano e da sua quase perda de poder na América. Retrato da vida familiar e do negócio criminoso dos Corleone que garantiu a este filme três óscares, no ano do seu lançamento. Este filme lançou a carreira de actores como Al Pacino, James Caan e Rober Duvall e valeu um Óscar para Melhor Actor a Marlon Brando.

Apreciação

Quem conheça a obra de Mario Puzo e reflicta sobre a essência deste enredo, sabe que tudo se desenrola em torno de Michael Corleone, um jovem estudante que pretende escapar aos negócios duvidosos da sua família em Nova Iorque. Contudo, vê-se envolvido numa demanda sangrenta quando se voluntaria para vingar o seu pai, gravemente ferido, o que o levará a percorrer um rumo completamente diferente daquele que sonhara para si e para a sua amada, Kay. A sua implacabilidade e calculismo levam-no a tornar-se o padrinho da família, deixando-o responsável pelo combate com famílias rivais e com o legado deixado pelo seu pai. A sua postura fria e imperdoável envolvem-no de tal maneira que Michael, com o passar do tempo, se torna cego e presta actos de enorme violência. Quando começa a envelhecer e a sentir que o corpo lhe prega partidas, Michael questiona a sua vida. Será que não se terá deixado envolver demais? Será que ultrapassou os limites? Será que se pode redimir?

Quando Mario Puzo lançou o livro “O Padrinho”, ninguém imaginava o sucesso que a história da família Corleone viria a ter a nível mundial. Prevendo isto, Francis Ford Coppola decidiu adaptar a obra para o grande ecrã na década de ’70. Contra tudo e contra todos, nomeadamente contra a administração da Paramount Pictures, o realizador pôs mãos à obra e, com a colaboração do autor no desenvolvimento do argumento, criou uma das trilogias mais adoradas da história do cinema.

Com uma atenção especial à selecção do elenco, Coppola contou com a participação de estrelas como Marlon Brando, Al Pacino, Robert de Niro, Robert Duvall, Andy Garcia e Diane Keaton para dar vida às personagens e lhes atribuir a maior tridimensionalidade possível. Nesta adaptação para o cinema, senti que a história ganhou substância, na medida em que a produção, os pormenores cénicos e a interpretação dos actores enriqueceram muitíssimo a narrativa e conferiram muito realismo à história.

Planos longos, diálogos crus, luzes ténues, cenários simples, emoções fortes e respostas verdadeiras a acontecimentos passíveis de ser encontrados na porta ao lado (como, por exemplo, Sonny que tenta salvar a irmã de violência doméstica ou Kay que opta por abortar por saber que o seu futuro com Michael está comprometido) são alguns dos elementos que conferem um enorme realismo a personagens que, independentemente de mergulhadas num cenário muito underground, têm de lidar com as dificuldades familiares e sociais do dia-a-dia e com os seus próprios fantasmas. Por outro lado, conhecemos uma realidade paralela: a corrupção, os negócios escuros, as combinações e as politiquices são o que despoletam a intriga e que nos dá a conhecer o lado mais negro da Máfia e dos que a compõem, numa perspectiva nua e crua.

Dificilmente se encontram adaptações tão ricas e tão bem aceites pelo público e, no caso d’O Padrinho, distinguido pela Academia, pode-se dizer que foi um das passagens mais bem sucedidas para o grande ecrã.