Audiobooks, e-books

Considerando a desflorestação e os problemas ambientais que não têm tendência para abrandar, os formatos áudio e electrónico de livros são óptimas alternativas para poupança de recursos naturais e redução de custos logísticos. Porém, há todo um ritual na compra de um livro no formato “tradicional” que é insubstituível: entrar numa livraria e sentir o cheiro do papel, deambular por corredores à procura de capas e títulos novos, folhear as páginas e tactear as folhas imaculadas cumprem um conjunto de cerimónias que satisfazem o ciclo de vida de um livro nas nossas mãos (entre o encontrar, ler e arrumar) e que tornam o acto de ler muito mais completo.

Quanto a mim, confesso que não sou grande adepta de formatos que não o “tradicional”. Contudo, já possuo livros em formato electrónico e áudio. O primeiro ainda não tive oportunidade de estrear mas, julgando pelas horas que passo em frente ao computador a escrever e a ler informação técnica, sei que a surpresa não será muita: será a utilidade vs. o (des)conforto. O segundo já experimentei e não gostei. Normalmente uso um leitor de mp3 para “ouvir” os meus livros enquanto cumpro tarefas que não exigem muita atenção e já percebi que tenho tendência para dispersar e fugir à “sessão de leitura” quando começo a pensar em coisas completamente diferentes. Embora não goste do formato, é uma forma de eu poder “ler” mais do que leio actualmente (por falta de tempo) e tenciono disciplinar-me a ouvir livros sem interrupções.

Esta dualidade entre o tradicional e a tecnologia é um processo natural resultante da modernização e informatização de recursos que, agregado à redução de custos empresariais e da consciencialização ambiental, começa a alertar para a necessidade crescente de alternativas menos prejudiciais ao ambiente e para a mudança de hábitos por parte dos consumidores. Há quem pense que esta evolução possa acontecer a longo prazo mas, na minha opinião, o mercado literário nunca poderá mudar por completo enquanto esta paixão avassaladora por livros em papel existir. E não se vai extinguir.

Tema já discutido aqui.

Leia também sobre a importância dos e-books para cativar crianças para leitura aqui.

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Considering the deforestation and environmental issues that show no sign of deceleration, audio and electronic book are proven to be great alternatives to save natural resources and reduce logistic costs. However, there is a ritual every time we buy a book in the “traditional” format which is substitutable: to go into a book store and sense the smell of paper, to walk across the aisles looking for new titles and covers, to foil the pages and to feel the immaculate sheets are considered almost as ceremonial activities that satisfy the cycle of a book life in our hands (when we find, read and stow it), turning the act of reading much more complete.

As for me, I am not a great fan of audio and electronic formats although I have a few with me. I didn’t have the chance to debut the electronic format but judging by the hours I spend in the computer reading and writing, I know I won’t be surprised: it will be utility vs. (dis)comfort. I’ve tried audiobooks and didn’t like the experience. Normally I hear these books in my mp3 player while I’m performing tasks that don’t require much attention, and I have already realized that I have the tendency to distract my self thinking about something else. Though I don’t like this format, it really allows me to “read” more that I actually do (for a matter of time) and I intend to discipline myself to hear books without interruptions.

This duality between tradition and technology is a natural process that results from the modernization and informatization of resources. Considering the reduction of corporate costs and the importance of environmental awareness, this situation alerts to a crescent need of alternatives less prejudicial to the environment and to a change in consumer’s habits. There is who think that this evolution may happen in a long term but in my opinion the publishing industry won’t ever change completely while this overwhelming passion for paper books exists. And it won’t be extinguished.

This subject was already discussed once here.

Read also about the importance of e-books during childhood. Here.