The Warsaw anagrams (2009), Richard Zimmler

Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade… No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam.

Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca. Por que razão terá o cadáver sido profanado? Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada. Em breve outro cadáver aparece – desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte. Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos recantos mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano.

Apreciação

“Os Anagramas de Varsóvia” não é um apenas um livro de suspense e de grande melancolia. Trata-se, sim, de um registo importante do que a Polónia sofreu durante a segunda guerra mundial e que, tendo como Varsóvia como plano de fundo, conta a história de um velho solitário e sofrido que luta por justiça, aquando da morte brutal do seu sobrinho neto. Como noutros romances baseados em registos históricos, neste livro é-nos dada a conhecer mais uma vez a forma de vida e os tormentos por que os judeus passaram durante o holocausto, nomeadamente dentro das paredes fantasmagóricas dos guetos polacos.

Richard Zimler esforça-se por dotar a história de humanidade e de realismo ao a centrar num homem que tenta lidar com a culpa de forma atroz. Esqueçamos os clichés, as ideias pré-concebidas, a coragem desmesurada, porque o autor lutou com todas as suas forças por conferir ao protagonista, Erik, uma realidade assustadora: a forma como lida com as situações, os gestos e maneirismos, os diálogos, as reflexões dolorosas, a postura sofrida são algumas das características que dotam este velho de um enorme realismo e que lhe dão vida, como se saltasse das páginas. Considerando que se trata de um velho judeu que está enclausurado, que passa fome, que enfraquece, que assiste à morte de amigos e de familiares e que testemunha as situações mais inacreditáveis, esta gota de humanismo e este vislumbre de amor e de lealdade tornam “Os Anagramas de Varsóvia” um livro que não trata apenas de morte, de dor e de vingança, mas sim de amor, resistência e perseverança.

Este foi o primeiro livro que li de Zimler e fiquei surpreendida. Adorei as personagens, gostei do enredo, surpreendi-me com os “twists”, emocionei-me com as situações. Posso até dizer que há muito tempo que não me envolvia tanto na história. Espero que os restantes livros do autor, que quero ler certamente, sejam igualmente surpreendentes.

Book description

It’s Autumn 1940. The Nazis seal 400,000 Jews inside a small area of the Polish capital, creating an urban island cut off from the outside world. Erik Cohen, an elderly psychiatrist, is forced to move into a tiny apartment with his niece and his beloved nine-year-old nephew, Adam. One bitterly cold winter’s day, Adam goes missing. The next morning, his body is discovered in the barbed wire surrounding the ghetto. The boy’s leg has been cut off, and a tiny piece of string has been left in his mouth. Soon, another body turns up – this time a girl’s, and one of her hands has been taken. Evidence begins to point to a Jewish traitor luring children to their death…In this profoundly moving and darkly atmospheric historical thriller, the reader is taken into the most forbidden corners of Nazi-occupied Warsaw – as well as into the most heroic places of the heart. Praise for Richard Zimler: ‘A riveting literary murder mystery, [The Last Kabbalist of Lisbon] is also a harrowing picture of the persecution of 16th-century Jews and, in passing, an atmospheric introduction to the hermetic Jewish tradition of the Kabbalah’ – “Independent on Sunday”. ‘Zimler [is] a present-day scholar and writer of remarkable erudition and compelling imagination, an American Umberto Eco’ – “Spectator”. ‘Zimler has this spark of genius, which critics can’t explain but readers recognise, and which every novelist desires but few achieve’ – “Independent”. ‘Zimler is an honest, powerful writer’ – “Guardian”.

Opinion

“The Warsaw Anagrams” isn’t a just a suspense and melancholic book. It’s an important record of what Poland suffered during the second world war. Having Warsaw has scenario, this books tells the story about a suffered old man who fights for justice after his grandson is brutally killed. As in other historical novels, is this book we get to know once again the way of life and the pain Jews went through during the holocaust, namely inside the dire walls of the polish ghettos.

Richard Zimler tries hard to endow the story with a great amount of humanity and realism when he centers it on a man who is trying to deal with pain in an atrocious manner. Lets forget the cliches, the preconceived ideas and the disproportionate courage, because the author attempted hard to grant the leading figure, Cohen, a sweeping realism: the way he deals with the situations, his gestures and mannerisms, his dialogs, his painful thoughts, his suffered posture are some of the characteristics that bring this old man to life, as if he could jump off the pages. Considering that he’s a man who is trapped, who is hungry and weakens, who sees his friends and family dying and who witnesses the most unimaginable things, this drop of humanism and this glimpse of love and loyalty make “The Warsaw anagrams” a book not only about death, pain and vengeance, but also about love, resistance and perseverance.

This was the first Zimler’s book I have read and I was surprised. I loved the characters, I liked the plot, I was surprised with the twists, I got thrilled with the situations. I can even say that it has been a long time since I got so involved with a book. I hope the other books of the author, that i will read, will be as surprising as this one.