Pais e filhos * Parents and children

Hoje é dia de tema acerca de pais e filhos. Aproxima-se o dia do Pai e não há como fugir a sugerir algumas grandes obras literárias sobre estas grandes figuras. Espero que gostem!

Today is father and son’s day theme. The Father’s day is coming and there is no escape suggesting some great book about this great figures. I hope you like it!

Brief an den Vater (a.k.a. Carta ao pai and Letter to my father, 1919), Franz Kafka

Num esforço alucinado de análise e confrontação, Franz Kafka escreve ao pai, de quem se encontrava afastado há muito tempo. É um texto onde ele explora de forma desesperada, a busca de uma expiação na relação desde a infância com o seu pai, onde não assume culpas, mas pretendendo atingir a sua reabilitação.

This letter is the closest that Kafka came to setting down his autobiography. He was driven to write it by his father’s opposition to his engagement with Julie Wohryzek. The marriage did not take place; the letter was not delivered.

The tempest (a.k.a. A tempestade, 1611), William Shakespeare

Algumas razões têm sido apontadas para o sucesso de “A Tempestade”: a indeterminação do local da acção que, podendo remeter para tantos lugares (do Novo e do Velho Mundo), assegura a universalidade da peça; o facto de os temas desenvolvidos apontarem para tensões universais e atemporais; as encenações espectaculares que o texto proporciona e que maravilham o público – o naufrágio, a monstruosidade física de Calibã, os espíritos preparando o banquete que será levado pelos ares por Áriel-harpia, e ainda a cena da mascarada, representada pelas deusas em toda a sua magnificência. A acrescer – ou talvez a sobrepor-se – a estes argumentos, está a excelência do texto, reconhecida por autores de todas as épocas.

In “The Tempest”, long considered one of Shakespeare’s most lyrical plays, Prospero – a magician on an enchanted island – punishes his enemies, brings happiness to his daughter, and comes to terms with human use of supernatural power. The Tempest embodies both seemingly timeless romance and the historically specific moment in which Europe begins to explore and conquer the New World. Its complexity of thought, its range of characters – from the spirit Ariel and the monster Caliban to the beautiful Miranda and her prince Ferdinand -its poetic beauty, and its exploration of difficult questions that still haunt us today make this play wonderfully compelling.

“The Tempest” is a play by William Shakespeare, believed to have been written in 1610–11. It is set on a remote island, where Prospero, the exiled Duke of Milan, plots to restore his daughter Miranda to her rightful place, using illusion and skilful manipulation. The eponymous tempest brings to the island Prospero’s usurping brother Antonio and the complicit Alonso, King of Naples. There, his machinations bring about the revelation of Antonio’s low nature, the redemption of Alonso, and the marriage of Miranda to Alonso’s son, Ferdinand.

The road (a.k.a. A estrada, 2006), Cormac McCarthy

Um pai e um filho caminham sozinhos pela América. Nada se move na paisagem devastada, excepto a cinza no vento. O frio é tanto que é capaz de rachar as pedras. O céu está escuro e a neve, quando cai, é cinzenta. O seu destino é a costa, embora não saibam o que os espera, ou se algo os espera. Nada possuem, apenas uma pistola para se defenderem dos bandidos que assaltam a estrada, as roupas que trazem vestidas, comida que vão encontrando – e um ao outro. “A Estrada” é a história verdadeiramente comovente de uma viagem, que imagina com ousadia um futuro onde não há esperança, mas onde um pai e um filho, “cada qual o mundo inteiro do outro”, se vão sustentando através do amor. Impressionante na plenitude da sua visão, esta é uma meditação inabalável sobre o pior e o melhor de que somos capazes: a destruição última, a persistência desesperada e o afecto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total.

The searing, postapocalyptic novel destined to become Cormac McCarthy’s masterpiece. A father and his son walk alone through burned America. Nothing moves in the ravaged landscape save the ash on the wind. It is cold enough to crack stones, and when the snow falls it is gray. The sky is dark. Their destination is the coast, although they don’t know what, if anything, awaits them there. They have nothing; just a pistol to defend themselves against the lawless bands that stalk the road, the clothes they are wearing, a cart of scavenged food-—and each other. “The Road” is the profoundly moving story of a journey. It boldly imagines a future in which no hope remains, but in which the father and his son, “each the other’s world entire,” are sustained by love. Awesome in the totality of its vision, it is an unflinching meditation on the worst and the best that we are capable of: ultimate destructiveness, desperate tenacity, and the tenderness that keeps two people alive in the face of total devastation.

Baby Blues – My Space (2009), Jerry Scott, Rick Kirkman

My Space” grita e esperneia de coisas boas! Os McPherson explicam-nos por que razão educar um filho é um encanto, educar dois é difícil, mas aguenta-se, educar três é um acto digno de canonização. Apesar de tudo, os ensonados Darryl e Wanda são uns pais cheios de estilo e sabedoria.

“Oh baby! My Space”, this Baby Blues collection, kicks and screams with good stuff. The MacPhersons show us that raising one kid is a breeze, raising two kids is tricky yet manageable, and raising three kids is deserving of canonization. But still, sleep-deprived Darryl and Wanda do it with a style and wit all their own. Baby Blues is funny because it accurately depicts the trials, tribulations, and triumphs of parenting. And like any curious kid, My Space cracks you up and leaves you begging for more!

The Baby Owner’s Manual (a.k.a. Bebé – Livro de Instruçõe, 2004), Joe Borgenicht, Louis Borgenicht

Através de instruções passo a passo e úteis diagramas esquemáticos, “Bebé – Livro de Instruções” aborda centenas de perguntas frequentes: Qual é a melhor maneira de agasalhar o bebé? O que posso fazer para que o meu bebé durma uma noite inteira? Quando deverei levar o bebé a uma consulta de assistência técnica? Sejam quais forem as suas preocupações, encontrará neste manual as respostas, graças ao trabalho do conceituado pediatra Louis Borgenicht e do seu filho, Joe Borgenicht. Juntos, apresentam aqui inúmeros conselhos úteis para quem quer aprender noções básicas de puericultura.

At Last! “A Beginner’s Guide to Newborn Baby Technology!” You’ve programmed your VCR, you’ve reinstalled Microsoft Windows, you can even check your e-mail on your Palm Pilot. But none of this experience will prepare you for the world’s biggest technological marvel: a newborn baby. Through step-by-step instructions and helpful schematic diagrams, The Baby Owner’s Manual explores hundreds of frequently asked questions: What’s the best way to swaddle a baby? How can I make my newborn sleep through the night? When should I bring the baby to a doctor for servicing? Whatever your concerns, you’ll find the answers here—courtesy of celebrated pediatrician Dr. Louis Borgenicht and his son, Joe Borgenicht. Together, they provide plenty of useful advice for anyone who wants to learn the basics of childcare.

The kite runner (a.k.a. O menino de Cabul, 2003), Khaled Hosseini

“Com um enredo em que as peripécias e coincidências nos fazem lembrar romances do Século XIX, Hosseini apresenta-nos um livro sobre as fraquezas humanas, os horrores de uma guerra que nos chega sempre filtrada pela imagem televisiva e o sofrimento de um Médio Oriente mergulhado em quezílias tribais/religiosas. Um romance empolgante e um autor que promete.” Luís Robalo de Campos, Fevereiro de 2006

“Este poderoso primeiro romance conta uma história de crueldade e de amor – feroz, mas redentor. Ambos tranformam a vida de Amir, o jovem narrador de Khaled Hosseini, que desperta para o mundo adulto durante os últimos dias de paz da monarquia, logo antes da revolução e da invasão do seu país pelas forças russas. Mas os acontecimentos narrados em “O Menino de Cabul”, são apenas parte desta história. Em “O Menino de Cabul”, Khaled Hosseini oferece-nos uma narrativa intensa e envolvente que nos mostra há quanto tempo o seu povo luta para triunfar sobre as forças da violência – forças essas que continuam a ameaçá-lo todos os dias.”

A novel set mostly in Afghanistan. The introverted and insecure afghan narrator, Amir, grows up in Afghanistan in the closing years of the monarchy and the first years of the short-lived republic. His best and most faithful friend, Hassan, is the son of a servant. Amir feels he betrays Hassan by not coming to his aid when Hassan is set on by bullies and furthermore forces Hassan and his father Ali to leave his father´s service. Amir´s relatively privileged life in Kabul comes to an end when the communist regime comes to power and his extrovert father, Baba emigrates with him to the U.S. There Amir meets his future afghan wife and marries her. Amir´s father dies in the U.S. and Amir receives a letter from his father´s most trusted business partner and, for a time, Amir´s surrogate father, which makes Amir return, alone, to a Taliban-dominated Afghanistan in search of the truth about himself and his family, and finally, a sort of redemption.

To kill a mockingbird (a.k.a. Por favor, não matem a cotovia, 1960), Harper Lee

Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.

The unforgettable novel of a childhood in a sleepy Southern town and the crisis of conscience that rocked it, “To Kill A Mockingbird” became both an instant bestseller and a critical success when it was first published in 1960. It went on to win the Pulitzer Prize in 1961 and was later made into an Academy Award-winning film, also a classic.

Compassionate, dramatic, and deeply moving, “To Kill A Mockingbird” takes readers to the roots of human behavior – to innocence and experience, kindness and cruelty, love and hatred, humor and pathos. Now with over 18 million copies in print and translated into forty languages, this regional story by a young Alabama woman claims universal appeal. Harper Lee always considered her book to be a simple love story. Today it is regarded as a masterpiece of American literature.

Pê de pai (2006), Isabel Minhós Martins

Livro recomendado para o 1º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma e/ou leitura com apoio do professor ou dos pais.

Um pai é capaz de se transformar nas coisas mais incríveis: num tractor, num escadote, num colchão ou num esfregão… Um livro que olha de perto a relação de cumplicidade entre pai e filho. E que convida filhos e pais a descobrirem-se juntos ao virar de cada página.

Pais e filhos * Parents and children

É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se resume a esta luz fina a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz fina sobre mim que sou sombra, luz fina a recortar-me de mim, ténue, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és.

José Luís Peixoto