The tragedy of Hamlet, prince of Denmark (1601), William Shakespeare

A mais famosa das tragédias de William Shakespeare escrita provavelmente em 1602. Uma obra sucessivamente reeditada, representada e estudada que suscita a todo o instante novas leituras, novas interpretações. Cinco actos em verso que contagiam pela sua actualidade e pela sua inesperada construção mimética e especular lembrando um Oscar Wilde contemporâneo numa das suas mais conhecidas teses – a da vida enquanto imitação da arte. Um clássico intemporal e indispensável.

Apreciação

Com uma belíssima tradução de meados do século XX pela mão de Sophia de Mello Breyner Andersen (na edição que li), “Hamlet” é uma tragédia shakespeariana que conta a história da vingança de Hamlet, aquando do assassínio do seu pai, o Rei, pelo seu tio Cláudio, que ocupa o trono casando com a Rainha. Tendo como cenário um palácio com intrigas, romance e desentendimentos, “Hamlet” expõe-nos o lado mais humano e mais cru da realeza de Shakespeare, com a sede por poder de Cláudio, o enlouquecimento crescente de Ofélia, os secretismos de Polónio e a turbulência de Gertrudes.

Quando a peça subiu aos palcos, consta que o público a recebeu com desconfiança pela sua falta de unicidade, facto que foi substituído no século XVIII por uma aceitação do protagonista como autêntico herói que luta contra todas as adversidades com uma postura impassível. Embora não tenhamos a possibilidade de conhecer o artista inteiramente, conhecemos as circunstâncias em que se encontra e o dilema que enfrenta. Na verdade, trata-se de um ser humano que, mesmo de sangue real, vive a desconfiança, o medo e a hesitação de forma profunda e intensa, o que o leva a tomar actos de verdadeira extravagância.

Vingança é o fio condutor desta tragédia que foi adaptada para o teatro e cinema dezenas de vezes, o que reforça a sua importância na história da literatura inglesa e dos grandes clássicos mundiais.