Animal farm (1945), George Orwell

Publicado pela primeira vez em 1945, “A quinta dos animais” transformou-se na clássica fábula política deste século. Acrescentando-lhe a sua marca pessoal de mordacidade e perspicácia, George Orwell relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.

Apreciação

Há muitos anos que oiço falar n'”O triunfo dos porcos”, uma das obras exemplares de George Orwell repetidamente adaptada para o ecrã e para as crianças. A versão que li é uma edição relativamente recente cujo editor e tradutor optaram por manter fiel o título original, apresentando-nos “A quinta dos animais” para melhor retratar a história do livro, recorrendo ao nome adoptado pelos animais ao espaço onde vivem.

Aparentando a forma de uma fábula, este livro é, na verdade, um retrato político e social da implantação do regime de Estaline no início do século XX. Pelo tom com que o livro é escrito e pelos elementos utilizados, é fácil confundir-se esta crítica antitotalitária com uma história quase infantil, e o segredo está na forma como Orwell vai revelando a terrível verdade que este grupo de animais experiencia. Os animais inicialmente são simpáticos, os seus maneirismos são aprazíveis e os seus motivos são justificáveis até transpormos a narrativa para a realidade da ex-URSS. O empreendedorismo, a ganância, a sede de poder, a luta contra o diletantetismo e a corrupção marcam a evolução nesta história. Afinal, aquilo que começa por ser a movimentação pelo bem comum, acaba por se tornar num espaço limitado ao regime totalitário onde impera a falsa liberdade, um passado questionável e uma nação isolada.

Os porcos surgem como os ditadores (sendo a principal referência Estaline) que unem os animais para o afastamento total dos humanos, de forma a trabalharem e viverem de forma independente. Nesse momento, criam-se os 7 mandamentos dos animais que exigem a total separação entre as espécies, pelos quais os animais da quinta se devem reger. Numa perfeita simetria, Orwell faz um retrato fiel ao Homem: como podemos ler no prefácio do livro, a história conta a história dos porcos, que se comportam como animais, que se comportam como porcos. Afinal, a natureza do Homem é facilmente corruptível e fácil de se adaptar às mais diversas condições de vida, pelo que deixaremos de conseguir distinguir uns dos outros.

A velha máxima “Todos os animais são iguais. Mas uns são mais iguais que os outros” nasceu neste livro, no qual são representados todos como iguais, excepto alguns com mais direitos e poder do que outros – na verdade, esta frase continua actual mais de 70 anos depois de “A quinta dos animais ter sido escrita”. É uma leitura imperdível e obrigatória.