The help (2009), Kathryn Stockett

Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo. Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.

Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza. Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

Apreciação

“As serviçais” foi mais uma obra que li no âmbito de uma leitura conjunta no Goodreads e, embora tenha começado a leitura um pouco atrasada, acabei por entrar no ritmo da história e o ler praticamente de seguida. O meu interesse neste livro prendeu-se com o sucesso que tem feito pelo mundo fora e pela consequente adaptação ao cinema, levando-me a informar-me sobre a sua história.

A narrativa centra-se em três personagens principais – uma jovem adulta branca e duas criadas negras, no início da década de ’60 no Mississípi, o que nos permite antecipar uma história amarga marcada pelo preconceito. Esta ideia confirma-se ao longo de todo o livro, à medida que vamos conhecendo o contexto social do sul dos Estados Unidos da América: os estratos sociais dividem-se radicalmente consoante a raça das pessoas e a parcialidade é punida de forma extrema. Skeeter, a nossa protagonista e a principal catalisadora da história, baseia-se no relacionamento com a criada negra que a criou até à adolescência e no aconchego e nostalgia que lhe deixou para iniciar uma amizade única com duas criadas negras. Este relacionamento é tabu e os seus encontros são ocultos, mas a força que une estas três mulheres tem um objectivo em comum, do qual nunca desviam a atenção: juntas lançarão um livro anónimo sobre a vassalagem das mulheres negras neste Estado norte-americano a famílias brancas, narrando o sofrimento, alegrias, maus-tratos e punições. Ao longo de toda a história, acompanhamo-las na tarefa árdua de compilar vivências de uma dúzia de mulheres, ao mesmo tempo que lidam com os seus problemas quotidianos: Skeeter lida com uma mãe exigente e intolerante e tenta resolver a sua situação amorosa. Aibileen enfrenta o luto pelo seu filho e as exigências dos subúrbios onde trabalha. Minny tenta adaptar-se à sua vida familiar dolorosa e a um mercado de trabalho exigente e imperdoável.

Conhecendo a realidade norte-americana contemporânea e os factos que levaram à luta contra a discriminação, é interessante a forma como a autora incluiu alguns elementos históricos na narrativa, nomeadamente o lançamento do primeiro single de Stevie Wonder na rádio e o aparecimento fulcral de Martin Luther King. Contudo, estas referências são feitas de forma tão superficial quanto o retrato feito da comunidade negra, deixando-nos um enfoque mais preciso das donas de casa brancas. Neste aspecto, terminei a leitura com vontade de conhecer mais pormenorizadamente alguns detalhes e os segredos que o livro das três mulheres contém, deixando-me com a ideia de a narrativa estar incompleta. Fiquei com esta noção também no desenlace da história (o qual não vou revelar), demasiado fácil e bonito. Independentemente de ter achado a narrativa muito vaga, pretendo ver o filme em breve e confirmar se este será um dos raros casos em que a adaptação ao cinema é mais cativante do que o livro. Veremos!