Quinta com cinco * Thursday with five

Não é por falta de vontade, mas é verdade que a rubrica “Quinta com Cinco” tem sido colocada de lado nos últimos meses. Espero que seja desta que consigo manter a periodicidade semanal!

I really want to publish this rubric “Thursday with five”, but I ended up leaving it aside for the past few months. I hope I can publish it weekly from now on!

Livro * book: Ardienta Paciencia, a.k.a. O carteiro de Pablo Neruda, a.k.a. The Postman (1985)
Autor * author: Antonio Skármeta
Blogs:

  • Hannah (Goodreads user)
  • Linawings (Goodreads user)
  • Na companhia dos livros
  • Neuroses da escrita
  • Página a página

Sinopse * book description:

Mario Jiménez, jovem pescador, decide abandonar o seu ofício para se converter em carteiro da Ilha Negra, onde a única pessoa que recebe e envia correspondência é o poeta Pablo Neruda. Mario admira Neruda e espera pacientemente que algum dia o poeta lhe dedique um livro ou aconteça mais do que uma brevíssima troca de palavras ou o gesto ritual da gorjeta. O seu desejo ver-se-á finalmente realizado e entre os dois vai estabelecer-se uma relação muito peculiar. No entanto, a conturbada atmosfera que se vive no Chile daquela época precipitará um dramático desenlace…

Através de uma história tão original como sedutora, Antonio Skármeta consegue traçar um intenso retrato da convulsa década de setenta no país andino, assim como uma recriação poética da vida de Pablo Neruda.

The Postman (Il Postino) is a bittersweet tale of first love ignited by the power and passion of Pablo Neruda’s timeless poetry. Unlike the other men of his village, Mario balks at the prospect of life as a fisherman, choosing instead to become the postman for a beautiful island, just off the mainland. Although the island has a number of inhabitants, Mario has only one postal customer, the only literate resident, who is also Chile’s most beloved poet, Pablo Neruda, who is living in exile.

The friendship between the postman and the poet blossoms, Mario begs Neruda for advice on how best to woo the voluptuous young barmaid, Beatriz, with whom Mario has fallen in love. As Neruda tutors him in the finer lessons of love, Mario discovers that he too has a gift for poetry. Soon the island air is thick with the exchange of sensuous metaphors.

Hannah, a Goodreads user

A quietly charming book. I like Skarmeta’s writing style, and find him relatively easy to read in comparison to other authors who I’ve tried to read in Spanish; it’s refreshing to be able to read without a dictionary in hand (although admittedly, I do miss some things without one). I ended up reading this all in one afternoon, and liked it well enough – I think I prefer Los dias del Arco Iris, the Skarmeta book I’ve half-read now for my translation class, to this one, since Arco Iris feels like it has more driving force and stronger characters.

That said, I like the concept of this – the idyllic seaside village, Mario with only one postal customer (Pablo Neruda), and Mario’s imperious, naive way of demanding that Neruda help him with his love life. ‘XD I probably could have done without the sexy bits, which were a little over the top (I am noting that Skarmeta seems to be a bit of a perv), but I did like Beatriz’s mother (Dona Rosa)’s wit and pragmaticism. Pablo Neftali’s constant injuries and hijinks were also charming and entertaining.

In a historical sense, this was a nice although somewhat removed look at the politics of the time in Chile: of Neruda’s run for president, his subsequent dropping out from the race and then Allende’s election, and the tragic takeover of Pinochet at the end. It was interesting to see these events from the perspective of Mario and the villagers, as mostly unrelated to their lives and falling into the routine of the “buying votes” game of politics in some ways, but yet intruding into their quiet way of life in unexpected ways. Poor Neruda at the end… the scene between him and Mario was very sweet and touching.

One of my favorite things about Skarmeta is his wit, which comes out nicely here in Dona Rosa and in Neruda as well. I’d have to say that my favorite quote was this one (when Mario and Neruda are being waited on by Beatriz for the first time):

“–Que se va a servir?

Mario mantuvo la mirada en los ojos de ella y durante medio minuto intento que su cerebro lo dotara de las informaciones minimas para sobrevivir el trauma que lo oprimia: quien soy, donde estoy, como se respira, como se habla.

Aunque la chica repitio <> tamborileando con todo el elenco de su fragiles dedos sobre la mesa, Mario Jimenez solo atino a perfeccionar su silencio. Entonces, Beatriz Gonzalez dirigio la imperativa mirada sobre su acompanante, y emitio con una voz modulada por esa lengua que fulguraba entre los abundantes dientes, una pregunta que en otras circunstancias Neruda hubiera considerado como rutinaria:

–Y que se va a servir usted?

–Lo mismo que el — respondio el vate.”

Jajajajajajaja… Ah, Skarmeta.

Linawings, a Goodreads user

I really expected much more from this book despite its being thin. I am a great fan of South American literature and the description looked tempting.  The book starts well and you can get the feeling I like so much for example in Garcia Marques’ books of the romantic efforts of a poetic soul which doesn’t want to adhere to this world rules but has his own and thus changed his own reality. And then… you end up in the nothing. Nothing follows this strong beginning. Somehow the book is just a beginning. Maybe I just don’t like short books.  I got interested though to read more of Neruda poems.

Isabel Maia, do Na companhia dos livros

Mario Jiménez é um jovem pescador na Ilha Negra, Chile. Cansado de ouvir as constantes recriminações do pai no sentido de arranjar trabalho, decide candidatar-te ao lugar de carteiro da ilha. Mario tem a seu cargo entregar a correspondência a um só cliente, um ilustre cliente: o poeta Pablo Neruda. A amizade entre os dois começa tímida, fruto do interesse de Mario pela poesia e pelas metáforas. Mas quando Neruda lhe dedica um livro, a amizade dos dois estreita-se ao ponto de o velho poeta escrever poemas para Beatriz, a amada de Mario. Com a entrada de Pablo Neruda no mundo da política e com todos os acontecimentos que marcaram a história do Chile, o enredo conhece o seu desfecho.

Tanto o filme como o livro são obras bastante conhecidas do público em geral, nem que seja de ouvir falar delas. Apesar de nunca ter visto o filme, tive sempre a curiosidade de ler o livro. Esta pequena obra (140 páginas) tem uma escrita muito simples mas muito poética, entrando em consonância com o tema da própria obra. Confesso que os vários pedaços de poemas do escritor chileno espalhados pelo texto deixaram-me com vontade de me aventurar pela sua poesia. Mas, no entanto, existem algumas notas negativas a ensombrar a obra. Skármeta desenvolve pouco a parte histórica da obra, apresentando apenas os factos mais básicos relacionados com o governo de Salvador Allende, a sua morte e a consequente implantação da ditadura militar encabeçada por Augusto Pinochet. Apesar de esse ser um tema recorrente nos autores chilenos contemporâneos, gostava de o ter visto um pouco mais aprofundado neste livro.(view spoiler) Os vários momentos que acontecem de meio para o fim do livro são tratados com demasiada leveza, retirando profundidade ou substância ao texto. Por último, seria injusto da minha parte não salientar o trabalho do tradutor da obra, José Colaço Barreiros, que conseguiu trazer poesia a um texto que, maioritariamente, fala de poesia. Concluindo, este seria um livro fantástico se não fosse tratado tão ao de leve.

Liliana Lavado, do Neuroses de Escrita

A história , algo fragmentada, de um pescador que com a ajuda do destino decidiu tornar-se carteiro numa ilha em que apenas uma pessoa recebia correspondência, o escritor Pablo Neruda. Encantado com o escritor, o carteiro decidiu pedir a ajuda deste na conquista do coração da sua amada, iniciando-se uma relação de amizade pouco esperada, num tempo de grandes alterações politicas num chile em tumulto de ideias e valores. Um livro muito pequenino que li numa tarde. Talvez as minhas expectativas estivessem muito altas, pois este livrinho não terá mais de uma estrela

Nuno Chaves, do Página a página

O Carteiro de Pablo Neruda será daqueles livros que irei guardar na minha memória com muito carinho, foi uma leitura que me surpreendeu e cativou muítissimo. Embora bastante ficcionada (pelo menos no diz respeito a Pablo Neruda) a história é um verdadeiro poema e um hino á liberdade mas que também consegue transmitir a quem o lê de que nunca é tarde para mudar de vida ou para se aprender algo novo (todos os dias).

Foi um livro que me arrancou bastantes sorrisos e algumas gargalhadas estas na fase inicial. Adorei a “Inocência” de Mário e a dedicação que dispensou ao Poeta. Este livro escrito numa forma poética quase cantada, mas ao mesmo tempo cómico pela “pureza” dos seus personagens (habitantes da ilha negra).

Mário Jiménez é mais um no meio de tantos outros que tem como destino a pesca, mas decide mudar de vida e tornar-se carteiro, assim passa a entregar exclusivamente a correspondência a Neruda, visto que na ilha mais ninguém recebe correio. (e onde practicamente todos são analfabetos) Mário pede então ajuda ao Poeta para que este o ajude a criar poemas para conquistar a bela Beatriz. É assim que lentamente vai nascendo uma amizade entre ambos e que ficará para sempre. O autor deixa transparecer claramente uma certa”mágoa” pelo destino do Chile, é notória a sua admiração por Neruda e por Salvador Allende e em várias ocasiões mostra claramente as suas opções políticas. (ou não tivesse Skármeta sido obrigado a exilar-se durante 16 anos).

Adorei este livro, pela emoção que me fez sentir… por Neruda por Mário, Por Beatriz e também pela espectacular viúva González. É definitivamente um livro a ler (pelo menos uma vez na vida).