Smile at the foot of the ladder (1948), Henry Miller

O Sorriso aos Pés da Escada foi escrito a pedido do pintor Fernand Léger. O compositor italiano Antonio Bilbalo compôs uma ópera a partir desta pequena e maravilhosa história do palhaço Augusto, que Miller classificou como a mais estranha das histórias que escrevera.

First published in 1948, this touching fable tells of Auguste, a famous clown who could make people laugh but who sought to impart to his audiences a lasting joy. Originally inspired by a series of circus and clown drawings by the cubist painter Femand Leger, Miller eventually used his own decorations to accompany the text in their stead. Undoubtedly,” he says in his explanatory epilogue, it is the strangest story I have yet written. . . . No, more even than all the stories which I based on fact and experience is this one the truth. My whole aim in writing has been to tell the truth, as I know it. Heretofore all my characters have been real, taken from life, my own life. Auguste is unique in that he came from the blue. But what is this blue which surrounds and envelopes us if not reality itself? . . . We have only to open our eyes and hearts, to become one with that which is.

Apreciação

Este livro foi uma autêntica surpresa. É pequeno mas contém uma enorme magia, uma envolvência suprema, uma simplicidade imensa que nos absorve na procura de sentido e identidade por parte de Augusto, um palhaço que perdeu o seu rumo. De uma assentada, li-o avidamente para descobrir o percurso de Augusto durante um período marcado pela crise existencial, no qual recusa a sua profissão e deambula perdido nos seus pensamentos e nas suas emoções contraditórias.

Na verdade, Henry Miller foi desafiado a elaborar um texto acerca de palhaços e circos e, afastando-se do seu registo mais cru, intenso e de carácter sexual, acabou por pegar na caneta e a registar a história de Augusto sem saber para onde caminhava, escrevendo ao sabor do vento e à medida que as ideias surgiam e, curiosamente, sustentadas pela inspiração que alguns grandes pintores lhe provocavam. O resultado foi um conto aparentemente surrealista, de cenários inimagináveis e oníricos, com aproximadamente 60 páginas: Miller reflecte sobre o sofrimento de um homem que procura o sentido da sua vida, ponderando o seu caminho e interrogando as suas escolhas, roçando algumas das questões filosóficas mais profundas no ramo do existencialismo.

Dotado de uma enorme sensibilidade e sinceridade, este conto é apaixonante pela forma como retrata algumas das questões mais frágeis da condição humana na procura da felicidade com uma simplicidade arrepiante. Se tiverem oportunidade, não deixem de o ler.

Opinion

This book was an amazing surprise. It’s quite small but it’s so magical, so involving and so simple that absorbs us while we accompany the search of August, a lost clown, that is looking for some kind of sense and identity. I read it in less than an hour to discover August’s path in a hard and sad period of his life, when he’s going through an existential crisis in which he rejects his profession and wanders in his thoughts and mixed feelings.

Actually, Henry Miller was challenged to write a text about clowns and circuses, which took him to move away from this regular literary genre (more raw, intense and sexual) and write a tale without planning it: he took his pen and just started writing, based on some great worldwide artists. It resulted in a look-alike surrealist tale with unimaginable and oneiric sets, with approximately 60 pages: Miller reflects about a man’s suffering who wants to find himself, wandering about his path and questioning his choices, reaching some of the most profound questions of existentialism.

With a great amount of sensibility and sincerity, this tale captivates us by the way it portrays some of the most fragile issues in the demand for happiness with an amazing simplicity. Read it if you have the chance!