As memórias de Cleópatra, vol II (1997), Margaret George

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A autora do best-seller mundial A Paixão de Maria Madalena está de volta com um convite irrecusável: a visita ao Antigo Egipto e à vida de Cleópatra, a rainha do Nilo.

As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma.

Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando história, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.

Opinião:

Depois de devorar o primeiro volume de “As memórias de Cleópatra”, não pude resistir a continuar esta história arrasadora desta fabulosa Rainha do Egipto. Dando seguimento ao volume “A filha de Isis”, em que conhecemos a sua infância e a ascensão até à coroa, bem como a aliança política e amorosa com Júlio César, “Sob o signo de Afrodite” acompanha Cleópatra na flor da idade e na determinação de uma nação cada vez mais forte face a Roma.

Neste volume, mergulhamos novamente de forma realista no Antigo Egipto, num mar de descrições ricas da vida no Palácio e do povo à beira-mar, permitindo-nos recriar pormenorizadamente a vida dos egípcios há mais de 2000 anos. Assente numa profunda investigação histórica e geográfica e com laivos de enorme imaginação, a autora não hesita em dar vida e energia a episódios cujos registos perduraram ao longo dos séculos, o que resulta numa leitura fluída e aprazível.

Com uma linguagem bastante acessível e uma narração simples e comedida, em “Sob o signo de Afrodite” espelha cuidadosamente a maturação de Cleópatra enquanto mulher e rainha, retratando-a cada vez mais como a soberana segura e de pensamento estratégico como ficou conhecida postumamente. Revelando segredos íntimos da Rainha, expondo os seus receios e dúvidas no que respeita à tomada de decisões políticas e amorosas, Margaret George demonstra uma clara facilidade em acompanhar o crescimento da rainha enquanto pessoa. A par deste crescimento, acompanhamos ainda a diferença de trato em termos amorosos de Cleópatra (anteriormente com Júlio César e neste volume com Marco António), o que reforça a evolução que a personagem sofreu.

O segundo volume d'”As memórias de Cleópatra” espelha também de forma muito clara e completa o papel que Cleópatra teve na definição do Egipto geograficamente, bem como as dificuldades de Marco António enquanto Triúnviro e os desafios que este teve de enfrentar em Roma. Neste âmbito, fiquei positivamente surpreendida com o trabalho exaustivo da autora em nos descrever com pormenor e exactidão, ao longo de todo o livro, o relacionamento entre Roma e Alexandria e os movimentos bélico-estratégicos que aconteceram no espaço de aproximadamente uma década. Esta investigação e narração de forte carácter político lembrou-me a saga de Steven Saylor “Roma Sub-Rosa”, a qual adoro devido à recriação muito aproximada do que foi a vida (em termos sociais e políticos) desta nação milenar.

Com uma tradução sublime onde se encontram apenas pequenas gralhas de redacção, “As memórias de Cleópatra – Sob o signo de Afrodite” torna-se a companhia ideal para quem procura um romance histórico cheio de acção e de rigor. Agora só fica a faltar um volume, que já me aguarda na mesa de cabeceira!