A casual vacancy (2012), J.K.Rowling

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Uma Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J. K. Rowling, a mundialmente famosa «mãe de Harry Potter». Acolhido com enorme expectativa, este surpreendente romance sobre uma pequena comunidade inglesa aparentemente tranquila, Pangford, começa quando Barry Fairbrother, o conselheiro paroquial, morre aos quarenta e poucos anos. A pequena cidade fica em estado de choque e aquele lugar vazio torna-se o catalisador da guerra mais complexa que alguma vez ali se viveu. No final, quem sairá vencedor desta luta travada com tanto ardor, duplicidade e revelações inesperadas? Um livro a não perder.

Opinião

Depois do enorme sucesso que foi a saga Harry Potter, a qual li avidamente e em cujas páginas me perdi até à última palavra, não quis deixar de ler o primeiro romance “adulto” de J.K.Rowling. O resultado foi… inesperado.

Encontrei com enorme destreza algumas das características que mais marcaram a autora inglesa nos 7 livros de Potter, nomeadamente a facilidade com que descreve cenários complexos e a atribuição de traços reais às personagens, conferindo-lhes uma sólida tridimensionalidade. Na verdade, e naturalmente, penso que dificilmente Rowling conseguiria excluir alguns dos seus vícios e forma de escrita o que, neste caso em particular, não abonam muito a seu favor.

Vejamos: tal como o título indica, surge uma “casual vacancy” (uma vaga inesperada) na Assembleia da pequena localidade de Pagford, o que despoleta uma série de acontecimentos que nos dá a conhecer pormenorizadamente a forma de vida no interior de Inglaterra e alguns dos habitantes mais emblemáticos – as nossas personagens. Contudo, à medida que lemos quase 500 páginas para descobrir como será resolvida uma difícil questão municipal que levanta sérias dúvidas morais no que respeita ao acompanhamento de pessoas desfavorecidas no bairro social de Fields, percebemos que, afinal, a vaga inesperada foi apenas o gatilho para o desenrolar da história. Ao fim e ao cabo, acabamos por nos entrelaçar na vida das pessoas que se candidatam à vaga e na das suas famílias, sendo transportados para o interior das suas vidas íntimas e círculos sociais.

Não há dúvida que Rowling sabe cruzar as histórias das várias personagens e criar momentos de forte “suspense” (coloquei entre aspas porque talvez o termo mais correcto seja “momentos cujo desenlace suscitam curiosidade”). Também não me surpreendo com o esforço de descrição o mais detalhada possível para contextualizar o leitor acerca das personagens, independentemente de tornar a leitura aborrecida com pormenores que não acrescentam nada à narrativa e que, de certa forma, apenas contribuem para a criação de capítulos longos de mais. De qualquer modo, fiquei decepcionada com a incapacidade que a autora demonstrou em tornar este um autêntico “livro adulto”: na verdade, a linguagem e o tom não mudam da saga Potter para este livro. Por outro lado, não acredito que a utilização recorrente de palavrões e que a descrição breve e esporádica de passagens de carácter sexual torne este um “livro adulto”.

Talvez eu esperasse algo mais desta obra, mas fiquei convencida que a autora é excepcional na criação de histórias fantásticas para os mais novos. Não me envolvi na narrativa de “A casual vacancy”, mas não deixo de salvaguardar a minha admiração por Rowling ter trabalhado ao pormenor temas sensíveis como a ordenação do território em pequena escala, os preconceitos face a cidadãos deslocados e à dificuldade de adaptação das pessoas em qualquer idade e tipo de ambiente, seja ele familiar, social ou escolar.