El principe de Parnaso (2012), Carlos Ruíz Zafón

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Sinopse não disponível

Opinião

Cores, cheiros, texturas. Livros, História, amor, paixão. Luzes, sombras, mistério. Estes são os ingredientes com que Carlos Ruíz Zafón nos brinda uma vez mais numa breve viagem a Barcelona entre os séculos XVI e XVII, a que tão bem nos habituámos nas histórias que rodeiam o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Para quem acompanha a saga que teve início n’A Sombra do Vento, este pequeno livro é uma óptima companhia para um serão quente e confortável depois de um longo dia de trabalho. O próprio autor brinca com a pequena dimensão do livro, considerando-o apenas como uma divertida abordagem à Barcelona das suas histórias e à apresentação de um dos maiores autores espanhóis de sempre, Miguel de Cervantes Saavedra.

Em “O Príncipe do Parnaso”, Záfon baseia-se em alguns factos históricos da vida de Cervantes, nomeadamente a sua viagem a Itália e a breve estadia em Barcelona no início do século XVII, e cruza-os com a família Sempere, protagonista de alguns dos livros de referência do autor. Na verdade, Sempere, o Fazedor de Livros catalão, torna-se um dos amigos mais próximos de Cervantes e acaba por conhecer a história que o inspira a escrever “Dom Quixote de La Mancha”, a qual se torna um dos principais temas que acompanhamos ao longo do livro. Com alma de poeta e sofrego por inspiração, Cervantes aceita um pacto com um desconhecido que lhe promete o reconhecimento massivo de um livro que escreverá depois de perder o que mais ama, o que acaba por criar um conflito emocional de enormes dimensões na personagem.

Dividido num paradoxo que determina a sua vida, não sem criar um sofrimento com o qual dificilmente vive, Cervantes envolve-se uma profunda amizade com Sempere e ajuda-o a compreender ainda melhor o mundo literário e as emoções que o envolvem o que, como sabemos, acabe por definir com mais afinco a paixão da sua família pela leitura ao longo dos séculos. E simbolicamente? Conhecemos o nascimento do Cemitério dos Livros Esquecidos: o porquê da sua existência, o local onde foi erigido, a primeira pedra que surgiu.

Para quem está interessado em o ler, relembro que não é um livro fácil de encontrar, sobretudo porque a primeira edição em Portugal foi lançada em Portugal num lançamento especial na época festiva, onde era disponibilizado este livro na compra d'”O prisioneiro do Céu” do mesmo autor. Também não tem ficha no Goodreads. Espero que tenham sorte e que, quando o encontrarem, que gostem tanto quanto eu!