Suivi de par les ondes (1891), Rudyard Kipling

La plus belle histoire du monde

Por vezes restringida ao Livro da Selva e a contos humorísticos que escrevia para os filhos, a obra de Rudyard Kipling, autor galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1907, é em grande medida desconhecida. Em particular, o considerável corpus de contos e romances nos quais o seu espírito curioso, fazendo jus ao humor inglês, é certeiro.

N’ A História Mais Bela do Mundo, Kipling leva a crer que a inspiração surge dos detalhes mais prosaicos que só o artista pode transcender, que só várias coincidências e contingências dão azo a uma obra de arte e que a arte sublima o real e o maravilhoso ombreia com a ciência.

Opinião

Integrado no livro “A mais bela história do mundo“, “Através das ondas” é mais um dos contos de Rudyard Kipling que espelha a sua versatilidade na arte da escrita e que condensa personagens ricas e uma história cativante.

“Através das ondas” guia-nos através de um enredo simples e despretensioso a um dos maiores marcos históricos relacionados com as telecomunicações no final do século XIX. Acompanhando um serão de três colegas numa farmácia, conhecemos as suas dúvidas sobre a possibilidade de se transmitirem mensagens em longa distância e a incredulidade face ao desenvolvimento tecnológico da altura. Enquadrado no devido contexto histórico, é mais do que interessante conhecer as dúvidas e a esperança no desenvolvimento da sociedade, quebrando barreiras de séculos referentes à forma de comunicação global. Com o surgimento das ondas electromagnéticas de Marconi e dos sinais telegráficos, o mundo mudou e, de forma superficial e informal, Kipling espelha a forma como o cidadão comum lidou com a notícia.

Por outro lado, este pequeno conto inclui uma passagem muito curiosa relativamente à escrita e à poesia. Quando, num estado letárgico, umas das personagens escreve poesia como nunca antes escrita, dotada de um sentimentalismo nunca antes sentido e com uma facilidade de registo nunca antes testemunhada, o autor reflecte sobre a sede de escrever e sobre a dificuldade de expressão típica dos escritores, cuja atenção aos ademais é sempre em demasia e em cujo papel as palavras parecem sempre insuficientes.