The life of Pi (2012), Ang Lee

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Filho do administrador do jardim zoológico de Pondicherry, na India, Pi Patel possui um conhecimento enciclopédico sobre animais e uma visão da vida muito peculiar. Quando Pi tem dezasseis anos, a família decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se logo nos primeiros dias de viagem e Pi vê-se na imensidão do Pacifico a bordo de um salva-vidas acompanhado de uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala. Em breve restarão apenas Pi e o tigre, e a única esperança de sobreviverem é descobrirem, de alguma forma, que ambos precisam um do outro…

Opinião

Não é novidade nenhuma: leio o livro e vejo o filme. Gosto de adaptações. Curiosamente, este livro veio parar-me às mãos devido à enorme expectativa do mundo cinéfilo perante a adaptação de um livro “infilmável” pelas mãos de Ang Lee. Ou seja, devido ao enorme suspense em torno dos efeitos especiais e da fotografia é que o livro me caiu no colo pela altura do Natal, numa edição com a capa adaptada sobre o qual eu tinha lido de forma superficial anteriormente.

Acabadinho de nomear pela Academia na cerimónia dos Oscar, com Melhor Realizador, Melhor Banda Sonora Original, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Fotografia, “A vida de Pi” foi destacado inúmeras vezes noutros festivais e eventos cinematográficos, como nos AFI (EUA – Filme do Ano).

Não há dúvida que este filme é um regalo para os outros: a India transpira cores, cheiros e texturas; os animais saem do ecrã de tanto realismo que lhes é conferido; o oceano refresca-nos enquanto nos deliciamos com as suas ondas, seres, cor e temperamento. De tanta complexidade que o filme requeria, Ang Lee esperou pelo momento apropriado (e pela tecnologia necessária) para rodar o filme, o que resultou numa explosão estrondosa de cores, tonalidades e brilhos, enquadrado numa fotografia soberba.

A história está fiel ao livro, resultado numa adaptação feliz e bem sucedida. Naturalmente, e talvez possa parecer repetitivo, há muita informação e muitas passagens que ficaram de fora e que poderiam conferir alguma consistência ao filme, nomeadamente no que respeita à passagem do tempo e à luta pela sobrevivência de Pi na sua demanda: 227 dias é quase um ano e, para além do estado físico e da roupa da Pi, não há muitos elementos que demonstrem que passam aproximadamente 7 meses até à sua salvação; por outro lado, penso que seria importante manter algumas passagens que expõem o regresso de Pi ao estado primitivo, que lhe dá tanta força de vontade em sobreviver.

Há adaptações insossas que deixam muito a desejar. Esta, porém, enche as medidas e cumpre o objectivo inicial no livro: fazer as pessoas acreditar em deus ou, na minha opinião, fazer as pessoas acreditarem em si próprias.