Sangue romano (1991), Steven Saylor

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Numa Primavera anormalmente quente, no ano 80 a.C., Gordiano o Descobridor é chamado à casa de Cícero, um jovem advogado e orador que se está a preparar para o seu primeiro caso importante. O seu cliente é um proprietário da Úmbria, Sexto Róscio, acusado de um crime imperdoável: a morte do próprio pai. Gordiano aceita a incumbência de investigar o crime – numa sociedade onde reina a traição, a falsidade e a conspiração, onde nem os escravos dizem a verdade. Mas nem mesmo Gordiano está preparado para o espectacular desfecho deste terrível e difícil caso. Sangue Romano, do escritor e historiador americano Steven Saylor é o primeiro de uma série de policiais históricos passados na Roma antiga com o título genérico Roma sub-rosa.

Apreciação

A colecção Roma Sub-Rosa é uma das que mais gosto no que respeita a romances históricos que recriam a antiga Roma, pelo que decidi começar a relê-la e, devagarinho, terminar a colecção (o autor lançou tantos livros ultimamente sobre Roma, com prequelas e sequelas que tenho de confirmar quais li e quais me faltam).

A primeira vez que li “Sangue romano” de Steven Saylor, o primeiro volume escrito desta colecção, foi há uns 10 anos, na altura em que descobri Roma como uma das mais admiráveis e bonitas cidades europeias, que destilava conspirações, respirava política e continha a origem da civilização europeia como a conhecemos hoje. Nesse aspecto, não há como fugir: Steven Saylor é um excelente historiador e consegue, sem dificuldade, espelhar esta cultura de forma exemplar e cativante com pormenores riquíssimos sobre a vida dos romanos.

“Sangue romano” é um livro que o autor, tal como as suas restantes obras, escreveu com base em factos verídicos. Na verdade, Saylor baseou-se em textos milenares de Cícero acerca do seu primeiro julgamento, no qual defendeu Sexto Róscio – um homem acusado de parricídio que se vê envolvido numa enorme teia de conspirações políticas e interesses daninhos. Com base nestes escritos e nos testemunhos de grandes políticos que estiveram envolvidos e que assistiram a este caso, Steven Saylor criou uma personagem a quem chamou “Gordiano, o Descobridor”, um jovem adulto que vive de investigações privadas como sustento. Desta forma, é possível espreitar detalhes da vida romana no século I a.c. com grande pormenor, conhecer o modo de vida dos cidadãos, reforçar a importância de roma como berço da civilização europeia e opinar sobre a vida política desta grande cidade.

Assim, nesta envolvência da ficção com a realidade, somos transportados no tempo para uma época que tem tanto de semelhante como de diferente do que conhecemos hoje em dia, através da visão clínica de um detective e, em simultâneo, da ingenuidade que um homem abrange na entrada na realidade política. Determinado, rude, realista, apaixonado e com laivos de mau humor, Gordiano torna-se o guia ideal para nos dar a conhecer os meandros dos mistérios policiais históricos que se sustentam única e exclusivamente de dados verídicos.

Próximo volume da colecção: “A casa das vestais”.