Dia do livro português

dia_livro_portugues_2013A propósito do dia do livro português que se celebra hoje, 26 de Março, resgatei um artigo muito interessante sobre os hábitos de leitura dos portugueses e a sua visão face aos livros lusófonos. Quanto a mim, tento variar o mais possível no que respeita à nacionalidade dos livros que leio e esforço-me por incluir obras de autores portugueses na minha lista de espera.

Há algo na escrita portuguesa, nesta visão atenta aos pormenores e de olhar tão crítico, que espelha uma enorme autênticidade e simplicidade na narrativa e na vida das personagens. É isso que me encanta na literatura portuguesa: a sua beleza.

Dia do livro português, Redescoberta da literatura nacional confirmada pelo meio editorial, pelo Jornal de Notícias a 26.03.2009:

Os portugueses não desataram de repente a ler os seus autores, mas as estatísticas confirmam uma reaproximação com o público.

No Dia do Livro Português, o JN foi ouvir críticos, livreiros e editores. Estaremos mais patriotas na literatura?

Durante anos a fio, ler escritores portugueses (exceptuando os clássicos ou os suspeitos do costume) e assumi-lo com orgulho não era razão para ser-se excluído de qualquer círculo de amizades com pretensões intelectuais, mas quase. Eram tempos – décadas de 60 e 70 – em que a influência francesa ditava leis na cultura nacional e “os leitores queixavam-se de ter dificuldade em aceder à sensibilidade estética do romance português”, recorda o escritor e crítico literário Miguel Real.

As resistências começaram a ser vencidas a partir dos anos 80, com a consagração internacional de José Saramago e António Lobo Antunes, mas também devido à estreia na publicação de um punhado de autores (Francisco José Viegas, Hélia Correia ou Inês Pedrosa) que hoje detêm um lugar proeminente nas letras lusas. Os bons augúrios foram confirmados na última década, marcada pelo surgimento de Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Jacinto Lucas Pires ou João Tordo.

“São autores que, sem abdicarem da exigência, escrevem histórias com princípio, meio e fim, distante do estilo fragmentado e perspectivista outrora dominante”, ressalva o autor de”O último minuto na vida de S.”, convicto de que “o romance português vive, desde os anos 80, um período de ouro”.

Se parece indesmentível que o esbatimento dos preconceitos em redor dos livros de autores nacionais ajudou a reconciliar os portugueses com a sua literatura, não restam também dúvidas de que os motivos são mais vastos e ultrapassam o âmbito da escrita.

Teresa Figueiredo, directora de marketing da Bertrand Livreiros, aponta o “acréscimo da oferta” como factor importante, a par de acções de divulgação e promoção de lançamentos que anteriormente não existiam. “Existe um trabalho de marketing que se traduz nos materiais e suportes de comunicação nos pontos de venda, nos eventos associados aos lançamentos e na própria cobertura nos media. Tudo isto veio trazer uma nova dinâmica aos lançamentos nacionais”, afirma a responsável, que situa “entre os 15 a 20%” o peso dos autores portugueses nas vendas totais de obras literárias na maior rede de livrarias do país.

Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes atribui, por seu turno, a actual vitalidade “à acção magnífica da Rede de Bibliotecas e do Plano Nacional de Leitura”, que conseguiram “incutir hábitos de leitura em milhares de leitores, sobretudo jovens”.

Por muito comum que seja agora a presença de autores portugueses nos tops de vendas da Bertrand e da Fnac – liderados no ano passado, em termos nacionais, por José Rodrigues dos Santos (“A vida num sopro”) e José Saramago (“A viagem do elefante”) -, a verdade é que o acesso à categoria de ‘best-seller’ é cada vez mais indissociável da condição de consagrado ou, em alternativa, de figura televisiva, o que deixa de lado a maioria dos autores.

José Manuel Mendes reconhece os desequilíbrios, mas defende que “é preciso não encarar os números sob uma lógica quantitivista”, concepção também perfilhada por Miguel Real, para quem as vendas e literatura são quase sempre inconciliáveis: “Felizes são os que conseguem conciliar mercado e arte. Saramago foi um dos poucos a atingir esse feito”.

O papel da designada literatura light, cujo sucesso já conheceu melhores dias, no aumento dos hábitos de leitura não é ignorado por Miguel Real. Para o autor, o mérito não faz com que esses género possa ser considerado literatura, até porque “ler Margarida Rebelo Pinto é o primeiro passo para não lermos mais nada”.