A papisa Joana (2008), de Sönke Wortmann

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No ano 853 A.C., após ter-se tornado um estudioso, curandeiro e professor de renome, João Anglicuse ascendeu à posição mais elevada da terra: Papa da Igreja Católica. Dois anos depois, foi apedrejado até à morte por um segredo que se tornaria uma lenda. João Anglicus era, na verdade, uma mulher – a única mulher alguma vez ordenada Papa, o único Papa que alguma vez concebeu um filho.

Apreciação

Há muito tempo que queria ver este filme baseado no livro homónimo de Donna Woolfolk Cross. Para quem não conhece o livro ou, eventualmente, que ainda não tenha ouvido falar da papisa Joana, sugiro fortemente que veja este filme de realização alemã que narra o percurso de Joana, uma jovem nascida no século IX que, contra tudo e contra todos, vinga na vida e se vê, já em adulta, no seio da igreja católica.

Consta que o livro de Woolfolk Cross é baseado em factos verídicos: que, depois de lutar contra os costumes e crenças cristãs, Joana aprende a ler e a escrever, acabando por se tornar a primeira menina a frequentar uma escola (católica). Depois de se deparar com enormes obstáculos que a impedem de continuar os seus estudos, nomeadamente porque a mentalidade no século IX não permitia que as mulheres tivesse um papel tão predominante na sociedade, Joana opta por se ‘mascarar’ de homem e, assim, poder ter as mesmas oportunidades de vida que os homens. O seu forte intelecto, os seus sólidos conhecimentos e o seu elevadíssimo empenho em vingar na vida abrem-lhe um percurso firme que a levam a tornar-se Papa ou, neste caso, Papisa – a primeira e única mulher a alcançar este título na história da igreja católica.

A adaptação deste livro para cinema, pela mão de Sönke Wortmann, espelha com lucidez e uma boa dose de amargura o desequilíbrio que se encontra no estilo de vida e nos papéis que cada um cumpre na sociedade: os homens são os donos da casa. São fortes, decididos e acreditam possuir a verdade absoluta no que concerne à gestão familiar. São brutos, insensíveis, carrascos. As mulheres, essas, são frágeis, injustiçadas, denegridas e esquecidas. O seu papel limita-se ao cumprimento de tarefas domésticas. Não têm acesso à leitura, à escrita, à alfabetização. Os padres católicos, na sua maioria, são meros cumpridores de ‘regras’, insensíveis às necessidades humanas e resistentes à mudança. No seu todo, Sönke Wortmann criou e estabeleceu estereótipos para contar uma história que ilustra a forma de vida no século IX, sem os quais a narrativa poderia eventualmente perder o interesse e a sua força.

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Papisa Joana: mito ou segredo?

Esta história começou a rondar a Europa entre os anos 850 e 858. Para alguns, uma mera lenda – para outros, um dos maiores segredos da Igreja Católica. A lenda da Papisa Joana conta a história de uma mulher muito sábia que governou a maior igreja do mundo por dois ou três anos.

Existem diversas versões para tal lenda. Uma delas afirma que Joana nasceu no Oriente, com o nome de Giliberta, e que se vestia de homem para estudar Filosofia e Teologia. Sendo o estudo proibido à mulheres, percebe-se que o facto de uma mulher se tornar líder da maior instituição da época era algo impensável. Por isso, alguns acreditam que os Católicos Ortodoxos possam ter implantado essa lenda para macular o nome da igreja “inimiga”.

Após algum tempo, Joana (ainda como homem), impressionara os doutores da Igreja Católica com a sua sabedoria. Depois da morte do Papa Leão IV, ela/ele assumiria o cargo papal como João VII. Já a versão difundida pelo cronista Martinho de Opava conta que Joana nasceu na Alemanha e que era filha de um casal inglês. Na idade adulta, casou-se com um monge e foi morar para a Grécia, onde se teria vestido de homem para não causar escândalos. Começou a chamar-se de Johannes Angelicus e acabou por se tornar monge e, posteriormente, cardeal (João, O inglês). Depois da morte de Papa Leão IV, com voto unânime tornou-se Papa.

Fonte de texto Papisa Joana: mito ou segredo?

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