Padeira de Aljubarrota (2013), Maria João Lopo de Carvalho

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Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha- infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo.

Apreciação

Cruzei-me pela primeira vez com este título no Metro, aquando da acção levada a cabo pela editora para divulgar o seu lançamento. Fiquei muito curiosa acerca do livro pela originalidade da iniciativa e, naturalmente, por saber que segredos continha acerca desta portuguesa de gema. Li A Padeira de Aljubarrota em poucos dias, o que, será desnecessário dizer, reflecte o vício em que este livro se tornou. Resumidamente, é um livro a reler.

Em A Padeira de Aljubarrota, acompanhamos a história de Brites de Almeida, a valente e ousada portuguesa que enfrentou sete castelhanos no rescaldo da Batalha em 1385 e que ficou lembrada, na História de Portugal, como um símbolo de coragem e de patriotismo. Mito, lenda ou registo histórico, não interessa. Neste livro, Brites de Almeida é humana e dotada de emoções autênticas, reais. A dor com que vive cada dia, fruto do seu físico assombroso e da deslocação social que daí advém, é catalisadora das suas aventuras e desventuras até ao fatídico dia em que mata, com a sua pá de padeira, apoiantes de Castela, contribuindo para a independência definitiva de Portugal. À semelhança das restantes personagens, personalidades que figuram nos livros da nossa História, esta Brites de Almeida é tridimensional: acreditamos que viveu, que nos narra a história, que sofre e chora, que ama e odeia, que acredita e teme a justiça na mesma medida.

A história da padeira está enquadrada de forma exímia nos acontecimentos que marcaram as primeiras décadas do século XIV em Portugal. Enquadrada no reinado do último rei da dinastia Afonsina, a narrativa decorre e complica-se no cenário político que assolou o país e que determinou o futuro da península ibérica, ilustrando El-Rei D. Fernando como um homem inseguro, indeciso e vulnerável às palavras manipuladoras da sua mulher, a Rainha D. Leonor, que tem um poder decisivo na forma como os acontecimentos sociais e políticos tomam lugar – a guerra civil ou insurreição popular.

Muito poderia dizer sobre este livro, que é tão completo e tão rico nos conteúdos, mas é difícil fazer justiça ao trabalho exemplarmente levado a cabo pela autora. A escrita é apaixonada, as passagens ricas, as personagens ‘vivas’; os capítulos não são demasiado longos, a leitura é fluída, a história tem História. Arrisco dizer que é um livro feito à minha medida!

Maria João Lopo de Carvalho escreve de forma exemplar. Confesso que nunca tinha lido nada seu, que, com vários anos de experiência, tem escrito as mais variadas obras, sendo que foi em 2011 que se estreou nos Romances Históricos com o lançamento d’A Marquesa de Alorna. Será exagero dizer que opto pela profundidade da sua escrita, fluidez e simplicidade nas descrições em detrimento de, digamos, Rosa Lobato Faria em A Trança de Inês?

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